UM CANDIDATO AMERICANO AO OSCAR COM CARA DE FILME INDIE: OS DESCENDENTES, COM GEORGE CLOONEY. (filme de cinema).
(Ambiente:vinho branco chileno Hacienda Del Rey, música Tudo que Vai, do Capital Inicial)
Chega de conversa mole. Voltemos aos filmes. E já vamos de Oscar, direto.
O filme OS DESCENDENTES para mim já tem uma espécie de "mérito antecipado" que é a presença do GEORGE CLOONEY, para mim um dos melhores atores da sua (nossa) geração. E concorre ao Oscar de MELHOR FILME. O curioso, nesse filme, é que ele faz o papel de tudo o que ele não é, e nem quer ser, na vida real: marido e pai. Clooney tem ojeriza de qualquer uma dessas palavras. Já deixou suficientemente claro que não irá se casar e nem quer "perpetuar a espécie". Nem vou entrar nesse mérito. Mas o melhor, nisso tudo, é ele fazer justamente um papel do contrário de tudo aquilo no qual acredita. É como se o Ricky Martin fizesse o papel de um machão homofóbico. Interpretar o contrário do que se é, é um grande desafio.
É mais ou menos como escrever, criando um personagem avesso. Criar personagens "bonzinhos" e autobiográficos como o faz a maioria dos chamados escritores gaúchos (e geralmente uns merdas medíocres) é fácil. Quero ver é criar alguém que seja O CONTRÁRIO do que se é, na vida real.
O filme se passa no Hawaii que, para quem não entende lhufas de Geografia, é um território americano. Uma espécie de "Ilhas Malvinas" (ou Falklands segundo os idiotas dos ingleses, que querem tomá-las dos argentinos) dos Estados Unidos, colonizadas originalmente por polinésios e que foi ROUBADA pelos americanos, na mão-grande, com o poder militar. Lá se situa a Base americana de Pearl Harbour, que foi invadida por uma "nuvem" de aviões japoneses na Segunda Guerra, fazendo com que os EUA entrassem naquela briga.
O Hawaii (que fica num Arquipélago chamado antigamente de Ilhas Sandwich) é uma parte dos Estados Unidos que não está anexada ao território americano porque fica no Oceano Pacífico e decorre, em muito, da miscigenação dos americanos com os polinésios. Havia por lá uma monarquia.
O personagem de George Clooney (que se chama Matthew King, e "king" significa "rei", como todo mundo sabe) é um advogado descendente dessas dinastias monárquicas originais do Hawaii. Ele e a sua família (inúmeros primos, todos gananciosos e parasitas) ainda possuem um pedaço de terras no Arquipélago, que valem alguns BILHÕES de dólares. O único que vive do seu próprio trabalho, no escritório de advocacia que possui, é Matt. Ele, por ser advogado, foi nomeado curador por um Juiz e indicado pelos primos (para quem não é advogado: o curador é uma espécie de "responsável") para a venda dessas terras. A venda deixará a todos muito ricos.
Acontece que a mulher de Matt sofreu um acidente de barco. Justamente quando estava meio brigada com ele, que só trabalha e não tem tempo para "ser marido". Os dois têm duas filhas; uma adolescente de 16 ou 17 anos e uma outra de uns 10 ou 12. A mulher, em coma e vegetativa, não se manifesta. Aliás, horrível a imagem dela (não se pode dizer que a atriz "interpreta" alguma coisa, a não ser quando é mostrada em flashback), com um tubo enfiado na traquéia.
A partir disso, ele é obrigado a conviver (e a criar) as duas filhas. E não tem a menor habilidade com isso. O filme, já aviso, vai numa linha indie (no que, aliás, é bem sucedido), diferente daquilo que normalmente se espera de um dos costumeiros sucessos comerciais norte-americanos. Portanto, o grande hit da trama está em não acontecer nada mirabolante no filme, a não ser mostrar um pai; até então ausente, tentando conviver com as duas filhas. A filha mais velha (como qualquer adolescente) hostiliza qualquer pessoa com mais de vinte anos de idade. Já a pequena é tolerante com Matt e ainda acha que o pai é um herói e não um babaca que está sempre errado em tudo(bons tempos, aqueles...).
Aos poucos, as coisas mudam. Especialmente quando a menina mais velha conta a Matt que um dia VIU a mãe o traindo com um estranho. E os dois; pai e filha, se unem para "peitar" esse infiel.
O filme tem personagens interessantes. Syd, amigo da filha mais velha, é um adolescente escroto e ele próprio tem uma vida conturbada. O avô das meninas, pai da mãe em coma, é outro desses personagens.
E tem o George Clooney. Quando ele faz o papel do habitual galã, convence o mulherio. Geralmente as "véias", apaixonadas por ele. Mas quando ele faz o papel de "desengonçado" é impagável. A cena dele, ao descobrir a traição da mulher, correndo na vizinhança com uns sapatos daqueles de velho, já virou antológica. E é comentada nas críticas a OS DESCENDENTES que se encontra por aí (a cena está quase inteira no trailer abaixo).
Eu veria esse no cinema, tranquilamente.








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