FILME TYRANNOSAUR



TYRANNOSAUR: FILME INGLÊS PREMIADO QUE SURPREENDE PELA ABSOLUTA FALTA DE "TEMPERO" (filme fora de circuito).

O filme TYRANNOSAUR ("tiranossauro"), que sequer foi distribuído ainda no Brasil, fez sucesso na Inglaterra (onde foi anunciado como "o filme do ano"), que é o seu País de origem, e, contam, fez sucesso no final do ano passado também aqui no Brasil, no Festival do Rio.

Pelas críticas que se lê a respeito do filme eu esperava muito mais. É claro que é preciso abstrair um pouco do nosso gosto um tanto latino a nossa maneira afetuosa (às vezes demais) de demonstrar sentimentos, para enxergar que na Europa, por exemplo, as pessoas não são tão afetivas assim e que isso é o normal entre eles. Mas que pode ser chata, num filme, a frieza, isso pode. Mesmo que faça parte proposital do enredo.

E digo isso porque, em tese, TYRANNOSAUR  conta a suposta "história de amor entre o viúvo Joseph (Peter Mullan), um beberrão que faz da violência um escudo afetivo, e Hannah (Olivia Colman), uma católica fervorosa espancada pelo marido (Eddie Marsan)".

O filme é inglês demais para o meu gosto. O Diretor, aliás, é um ator inglês, chamado Paddy Considine, que já trabalhou em um ou dois filmes com o Jason Stathan.

A história que se desenrola nos filmes ingleses sempre tem componentes beberrões (o que parece ser uma característica do povo de lá) e de humor extremamente contido, ou frio. São tramas sem tempero, provavelmente pela falta, nelas, da nossa latinidade já comentada no inicio.

Chamar o filme de "história de amor", como menciona a resenha transcrita acima entre aspas, é forçar demais a barra. Não há um envolvimento romântico-afetivo e sequer sexual que justifique chamar a aproximação entre o tal viúvo e a mulher casada de "romance". Não há carinho; não há fogo. Os dois estão na foto acima.

Obviamente que o contexto em que tudo se dá é muito propositadamente hardcore; no casal protagonista o homem é um fracassado (ainda que aposentado) e a mulher apanha de um marido que a culpa (implícitamente) por não ter lhe dado filhos. São duas pessoas machucadas, ou endurecidas, pela vida. Tudo bem.

Mesmo assim, essa dureza num filme francês, espanhol, argentino e até num brasileiro (e as pessoas no Brasil, nós sabemos, vivem realidades bem duras e tão ásperas quanto aquela do filme) teria sido melhor explorada com um pouco mais de lirismo.

Poderia manter-se toda a aspereza da vida dos protagonistas, e até as limitações afetivas na personalidade de ambos, mas sem deixar de botar uma "florzinha colorida" lá no meio. O que eu chamo de botar uma "florzinha colorida" é pegar uma paisagem cinzenta e fria e colorir uma parte dela com um pouco de sensibilidade. Uma música, um gesto.

O filme é de uma chatice atroz. Insosso, inodoro e insalubre. Mais por omissão do que por ação. Às vezes um filme incomoda por ações muito violentas, duras. Esse é chato porque não acontece nada muito digno de ser chamado de emoção.

Até o NOME DO FILME parte de um contexto absolutamente besta e que pouco tem a ver com a trama. Acontece que o tal viúvo, quando a esposa era viva, a chamava ("carinhosamente") de "tiranossauro". Porque ela era grande e pesada e se movimentava fazendo barulho com os pés pela casa. Ele refere, numa única conversa durante o filme, que se arrepende de tê-la chamado assim. Mas na trama ela já morreu há anos e não aparece no filme nem em flashback. O título, portanto, é absolutamente descabido.

Não gostei. Na minha opinião eu não veria esse filme nem em DVD. Menos ainda no cinema.

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