OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES: DUVIDO QUE A ESTRÉIA DA VERSÃO AMERICANA (EM BREVE) DESSE FILME SUECO SEJA TÃO BOA (filme em DVD).
O GEORGE CLOONEY, meu "ídolo cinquentão", que está na capa da Revista Alfa deste mês, disse na entrevista principal da Revista que, com essa idade, ele está mais preocupado com os joelhos e com as "dores nas costas" do que com outras coisas. Ele, que está rico; mora numa mansão em frente ao Lago de Como na Itália; troca de namorada como quem troca de camiseta; anda de motos e só dirige e atua nos filmes que deseja, diz que não vai se casar e nem ter filhos. Ele acha que esse negócio de "ir botar o lixo na rua e discutir o relacionamento" acaba com qualquer proposta do que seja amor.
Nesta semana, estou me sentindo igualzinho ao George, meu velho. Pelo menos em relação às dores nas costas (tóóóiiinnn!!!). Ainda não sei o que causou isso e obviamente não fui ao médico pra saber (sou criatura vil, por acaso, pra ficar indo a médicos?). Mas o fato é que estou com uma dor insuportável naquilo que chamo (certo ou errado) de "região lombar", com reflexos na perna esquerda. Na academia, nem fui nesta semana. Como além de advogado; professor; poliglota; psicólogo; guia espiritual elevadíssimo; escritor medíocre; encanador e eletricista, também sou médico: me auto-receitei antiinflamatórios e relaxantes musculares. Às vezes está bom, noutras não está. Vou caminhar ou correr com a Lívia nesta tarde pra ver o que acontece. Pode ser stress, pode ser postura incorreta de trabalho por semanas a fio (sem descanso) no computador; pode ser o ar condicionado exageradamente gelado; pode ser excesso de peso na musculação e falta de alongamento ou pode ser um trabalho de macumba que me fizeram, o que é mais provável.
Na capa de outra revista que também leio, a GQ (edição brasileira da Gentlemen´s Quartely que significa "trimestral de cavalheiros", pareço um lorde inglês) está o ator DANIEL CRAIG, outro dos meus ídolos, que é o James Bond, o atual 007. E ele está na capa da GQ por conta do papel que fez no filme OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES, americano, a estrear em breve.
Acontece que essa versão americanóide (Daniel Craig não vai mais me cumprimentar na rua, depois dessa...) de OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES que será lançada em breve nada mais é do que uma "remasterizada" da versão SUECA do mesmo filme, de 2009. Como ainda não tive acesso à versão nova e americana, assisti à versão da Suécia.
Dificilmente os americanos, com seu jeitinho CHATÍSSIMO e politicamente correto, farão um filme TÃO BOM (e tão cru) quanto esse europeu. Que é baseado num livro (na verdade numa trilogia) que fez muito sucesso na Europa e até nos próprios Estados Unidos, escrita por STIEG LARSSON, escritor sueco.
O filme se chamou, em Portugal, Os Homens que Odiavam as Mulheres. Não é a mesma coisa. Não amar não significa, necessariamente, odiar. Na Suécia o filme se chamou Homens Odeiam as Mulheres e nos Estados Unidos A Garota da Tatuagem de Dragão.
Numa primeira e enganosa olhada, o personagem principal do livro (que, dizem, é infinitamente mais "pesado" do que o filme sueco) é o jornalista Mikael Blomkvist (feito pelo ator Michael Nyqvist, cujo nome real é quase igual ao do personagem). Ele é um repórter da fictícia revista Millenium que acaba de ser condenado por difamação contra um poderoso magnata sueco - julgamento este que Mikael tem certeza que foi armado. A pena é leve, são apenas três meses de cadeia.
Ainda antes de cumprir a pena ele é contratado para investigar um caso de desaparecimento que já dura quase 40 anos. O empresário que o contrata, antes disso averigua o passado do jornalista. E para averiguar esse passado ele contrata uma empresa na qual trabalha a hacker Lisbeth Salander (a atriz NOOMI RAPACE), que entra no computador do jornalista e descobre coisas sobre ele. Sobretudo o fato de que ele NÃO É CULPADO e que o magnata que o pos na cadeia é um corrupto.
E aqui o personagem principal da trilogia do livro e do filme: a hacker Lisbeth. É ELA e não o jornalista o personagem central da trama, ao contrário do que se pensa.
De fato, é uma personagem interessantíssima. Quando menina, sabe-se depois, Lisbeth simplesmente incendiou o próprio pai como quem acende a pira da Semana da Pátria. Um pai que maltratava a mãe dela. A menina foi criada em lares adotivos e reformatórios, sempre sob um tutor que "cuidava" dela em todos os sentidos, até adulta. Inclusive abusando sexualmente dela. A cena em que ela é estuprada por ele no filme (já adulta) é forte. Assim como a cena em que ela vinga-se cruelmente dele (e enfia um consolo de borracha enorme, no fiofó dele). É de sair lágrimas dos olhos (dele, nesse caso específico).
Lisbeth é uma mulher jovem e revoltada; estranha. Mas não menos fascinante. Piercing e tatuagens (inclusive a de dragão, citada no título dado ao filme pelos americanos). Além disso, parece lésbica (ou no mínimo bissexual, porque acorda com uma mulher nua ao seu lado, em determinada cena) e completamente fechada aos homens e a qualquer relação de afeto.
Fisicamente, quando ela tira a blusa é quase um homem. Seios, quase nenhum. Músculos definidos demais. E aqueles indesejáveis (ou desconfortáveis, provavelmente agridoces como diria o RUBEM FONSECA com relação ao odor/gosto das axilas femininas) cabelos nos sovacos, sem depilação. Incrivelmente, ainda é sedutora. E rude. Boa pra quem gosta de apanhar.
O jornalista Mikael, numa cena surpreendente (e intensa) até mesmo para o personagem, acaba sendo sexualmente "comido" por Lisbeth. E isso acaba acendendo um fósforo na pólvora de uma paixão bem interessante entre eles; seja pela diferença de personalidade, quanto pela diferença de idade que há entre ambos. A química entre eles funciona de forma magnífica, talvez por determinar que o "travamento" afetivo dela aflora a partir daquela liberação sexual dela em relação, quem diria, a um homem !!! Que é tudo o que ela demonstra odiar.
O final enfatiza a provável continuação, quem sabe através de um segundo filme também sueco, da trilogia e da vida da complicada Lisbeth. Que no final do filme já está completamente diferente (ao menos fisicamente) em relação à aparência do inicio.
Duvide-o-dó que a versão americana de OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES seja tão boa quanto essa versão sueca de 2009. Mesmo que os americanos tenham o Daniel Craig.
Abaixo o trailer. Sofrivelmente dublado, mas não há outro. Assista legendado, em casa.






0 comentários:
Postar um comentário