O MANUAL DO CASALZINHO IDIOTA E ETERNAMENTE INFANTIL EM INQUIETOS (filme de cinema).
Há dois sentimentos em relação a este filme que me fazem ter uma opinião dúbia a respeito dele.
Antes, conto a história de INQUIETOS. Está passando no cinema em Porto Alegre, mas assisti em casa.
Annabel Cotton (MIA WASIKOWSKA, a Alice, aquela do País das Maravilhas do filme de uns dois anos atrás, nova atriz-ternurinha de Hollywood) é uma paciente terminal de câncer. Todas as resenhas que você encontrar sobre o filme dirão que ela é "bela e encantadora", mas na verdade é apenas mais uma alemoazinha engraçadinha. No caso dessa atriz, nem "alemoazinha" ela é, mas australiana na vida real, com 22 anos de idade. Com nome (e cara) de russa ou do Leste Europeu. A moça gosta de desenhar besouros e pássaros. Admira Charles Darwin, o estudioso da evolução das espécies.
Um dia, no velório de um amigo, Annabel (ou Annie) conhece Enoch Brae (o ator Henry Hopper, meio desconhecido e que não vale a pena prestar atenção nele, porque é apenas mais um dentre tantos iguaizinhos). O jovem é tão excêntrico quanto ela. Perdeu os pais num acidente e não tem fé no mundo e nem na vida. Vai a funerais de estranhos por diversão, a passeio. E mais: tem um amigo imaginário. Esse amigo é o fantasma de um piloto japonês da Segunda Guerra, um kamikaze, que joga Batalha Naval (aquele joguinho) com Enoch e o aconselha.
Sabedor da morte iminente de Annabel, Enoch tenta diminuir-lhe a dor de deixar a vida e passa a fazer companhia a ela.
Em resumo, esse é o filme. Passo aos meus dois pontos de vista contraditórios sobre o filme.
Primeiro, a parte boa. A fotografia é legal, o envolvimento romântico (primeiro tímido, depois mais próximo) entre o casalzinho é legal; a música é uma trilha agradável. Ainda sem entrar na parte ruim, diria que esse romance poético e lírico poderia ter menos alusões à morte, para não ser tão sombrio em alguns momentos. Mas nem é isso o que me incomoda. O objetivo do filme é esse mesmo, contrapor a fragilidade da vida à inevitabilidade da morte, etc,etc...Então deixemos assim: a parte boa é poetica e bonita; entre brincadeiras, beijos, besouros e até a tradicional (e inevitável, e romântica) "corrida de cadeira de rodas" que sempre há quando um dos integrantes do par romântico de filmes "de doente" está mal e o outro tenta diverti-lo, empurrando-o na cadeira de rodas. Tudo bem bonitinho.
Mas aí vem a parte ruim. Os dois têm, no filme, mais de 20 anos de idade. Não são adolescentes. Transam pelo menos uma vez. São adultos. E aí, o problema. Esse tipo de personagem, em filmes, apenas fomenta (ou reflete) uma geração de completos abobados que vemos inclusive no nosso dia-a-dia. Pessoas; homens e mulheres, dos 20 aos 30 anos ou mais, que se portam a vida inteira feito adolescentes. No meio PUBLICITÁRIO em que vivo, não é raro ver homens de barba na cara com mochilinhas nas costas e um ursinho no chaveiro. Ou mulheres que deveriam estar "engolindo" um homem vivo (de preferência na cama e na mesa) e não tratando ele como um príncipe encantado chatinho e portando-se como princesinhas ridículas.
Há menos de um mês fui testemunha de um rompimento de relação (casamento) de duas pessoas nessa faixa etária (ela com quase 30, o homem com mais de 30) que trataram o assunto como uma briga entre crianças emburradas. Avisaram todo mundo (via e-mail e torpedos) da briguinha desinteressante e frívola deles como se tivessem brigado no playground do maternal pelo baldinho de areia e pela pázinha. O que é que euzinho aqui tenho a ver com isso, catso?
Detesto com "D" maiúsculo essa geração de "criancinhas eternas"; homens de barba na cara e mulheres de trinta anos com pregadorezinhos cor-de-rosa nos cabelos, que morrem de pena de si mesmos, e que precisam de novos "papaizinhos" e "mamãezinhas" dando-lhes tapinhas na cabeça e não de parceiros (homens e mulheres) que com eles trepem, construam alguma coisa ou até rompam uma relação sem depressõezinhas irritantes e beicinhos. Que vão se criar e enfiem NO (píííí) essa infantilidade toda. É claro que o "papá" e a"mamã" deles também colaboraram com esses coraçõezinhos "dodói" que eles ostentam.
O filme é meio isso. Um modelo de "como ser bestinha e manter-se eternamente criança" lendo livrinhos sobre pássaros que ninguém tem paciência para ler (que vão ler e praticar o Kama Sutra, cacete!) e vestindo roupinhas de Halloween junto com as crianças de verdade e pedindo "doçuras ou travessuras" de porta em porta(os personagens fazem isso no filme) .
Um "excesso de poesia", manja? Então a parte poética, que chega a ser bonitinha em alguns momentos, acaba sendo contaminada por essa tentativa doutrinadora de criar, cada vez mais, "novos bobinhos" frágeis e psicologicamente instáveis. E claro, por auto-indulgência e por conveniência, eternamente infantis. Quem é quem tem o caralho da paciência com gente desse tipo?
Como dizem lá no interior: "que vão pegar numa picareta!"







Roberto, tirando alguns intervalos para um lanche, um xixizinho, uma breve caminhada para esticar as pernas, passei boa parte do dia lendo o blog e adorei!
ResponderExcluirAdorei vc passar uma idéia quase que completa dos enredos, apresentar suas críticas e aquelas informações adicionais do tipo, 'tal atriz é de tal lugar'... Também costumo fazer pesquisas depois que assisto algum filme que me interessou.
Já assisti a maioria dos filmes que vc comenta no blog e parece que temos gostos e opiniões semelhantes. Talvez por isso passei tanto tempo lendo o que eu ja sabia.
Enfim, favoritei o blog e estarei sempre batendo ponto por aqui.
De repente posso lhe dar algumas sugestões de filmes que gostei e acho que vc poderá vir a gostar também.
Por exemplo: Vc ja assistiu "We Need to Talk About Kevin".
É daqueles filmes inquietantes que te ocupa o pensamento por um bom tempo.
Abraços,
Lana
Oi, Lana, obrigado pela "dedicação".Já assisti sim a "We Need to talk..." e está comentado, acho que ainda em dezembro, no blog. O filme é bem feito, sim, mas se a história fosse REAL teria me seduzido mais. Sugestões serão bem vindas.
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