FILME INDIE AMERICANO QUE PECA UM POUCO PELA INÉRCIA: A LITTLE HELP (filme fora de circuito).

(Ambiente: Cazuza canta Solidão Que Nada, uma das minhas preferidas dele. Cerveja Brahma Extra. Chove como se fosse uma tarde de inverno, em pleno janeiro)

O filme A LITTLE HELP ("uma pequena ajuda") começa bem. Embora as resenhas digam tratar-se de uma comédia (e o seu trailer também faça parecer isso), não é exatamente o que o filme é. É um drama leve. Ainda que tenha o atrativo inegável dos filmes indie e inicialmente conquiste o espectador justamente por aquele negócio de "vida comum, de uma mulher comum e seu filho", depois inevitavelmente passa a se esperar mais dele.

E, já digo de cara, esse "mais" não acontece. Há quem fique completamente decepcionado (segundo li por manifestações na Internet e as reações aqui em casa não foram diferentes), mas eu não fiquei completamente. Só em parte. Minha "tarimba em assistir filmes" (se é que isso existe) me permite saber para que lado vai um roteiro e eu não esperava dele grandes reviravoltas.

Mas esperava um momento dramático que, de resto, se espera em qualquer roteiro ou obra, seja de cinema; seja de Literatura.

Como não diz (mas demonstra) GABRIEL GARCÍA MARQUEZ no seu excelente Eu Não Vim Fazer um Discurso (livro de discursos dele que ganhei de Natal da minha irmã), a vida pode dar reviravoltas muito mais bruscas (e sobretudo mais interessantes) do que a ficção. E o grande Gabo diz isso num discurso feito aos Reis da Espanha, em 2007, quando atingiu a marca de UM MILHÃO de exemplares vendidos de Cem Anos de Solidão. Referindo-se à própria vida e às suas dificuldades de sobreviver na época em que escreveu o livro, conta que - com dois filhos - ficou seis meses sem receber UM ÚNICO CENTAVO enquanto o escrevia. E quando, finalmente, ele e Mercedes (sua mulher) resolveram ceder à tristeza de fazê-lo e resolveram penhorar as jóias de família dela (esmeraldas, um ou outro diamante, peças de ouro), o avaliador de penhores da Caixa Econômica examinou tudo e devolveu a eles: "isso não vale nada, é tudo de vidro".

Volto ao filme. É bom ressalvar que embora o filme seja de 2010 a trama se passa em 2002; um ano depois do ataque ao World Trade Center, e isso é relevante para entender-se o CONTEXTO em que se dá o filme e a comoção na qual ainda se encontra o povo americano.

Uma jovem mãe, Laura, que vem encontrando problemas no seu casamento com o seu jovem (e ocupado) marido, acaba ficando viúva, justamente por causa do "excesso de ocupação" profissional do marido (o bonitão CHRIS O´DONELL, ídolo das americanas)  que, se verá depois, não andava ocupado somente com o trabalho, mas também com "outras ocupações" talvez não tão nobres, no compreensível entender da esposa.

Completanto a dificuldade, ela (que é dentista) não consegue manter uma boa relação com o filho, um gordinho problemático que já vivia sob a ausência prolongada do pai (por causa do trabalho) e que agora, com esse pai morto, fica ainda pior. O menino tem também dificuldades de relacionamento na escola e, quando o pai morre, dá um jeito de tornar-se popular aproveitando a comoção que já referi no inicio: mente que o pai (que morreu de um ataque cardíaco) era um bombeiro que morreu salvando vítimas do ataque às Torres Gêmeas. O que a mãe não pode desmentir, sob pena de enrascar o filho.

Por fim, uma paixão reprimida para ela. O cunhado, marido da irmã, seu colega de colega de colégio da infância, começa a "desembuchar" um amor de 20 anos, escondido e jamais declarado.

O elenco é formado por bons coadjuvantes dos filmes de Hollywood, a maioria bem talentosos, embora não sejam astros de primeira grandeza. Destaque para a FAMÍLIA da protagonista: uma irmã (e esposa do cunhado apaixonado) irritada e recalcada; uma mãe dominadora e um pai completamente apaixonado pela filha (qual pai não é?) que por sua vez  é um jornalista que também tem seus problemas, com o passado profissional (o pai). O advogado inescrupuloso que tenta, de qualquer jeito, pegar a "causa" dela para processar o médico que negligenciou na saúde do marido morto, também é um personagem excelente.

Achei A LITLLE HELP razoável. Mas acho que o seu final poderia ter sido melhor elaborado, ainda que não precisasse ser necessariamente FELIZ.

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