AINDA O ANO NOVO E MAIS UM FILME DE "CRIMINOSOS DESEQUILIBRADOS" COMO OS OUTROS DO MESMO GÊNERO: CATCH .44 (filme fora de circuito).    

Pronto, o ano "virou" e estamos, finalmente, em 2012.

Todos os anos vamos à Usina do Gasômetro, aqui em Porto Alegre, para ver a queima de fogos na virada do ano. É uma tradição recente (acho que uns cinco anos), popular, e que acho que deva ser incentivada. Eu, particularmente, gosto do momento e acho que é bom para quem tem filhos justamente pela possibilidade de integração com a Cidade e com o povo que mora nela. Misturar-se com gente de verdade e não com imitações baratas (ou caras) de gente, como há em algumas festas. Porque estar lá é tão bonito como qualquer outra queima de fogos (seja no Rio de Janeiro, seja em Punta Del Este, seja no Litoral Norte); é grátis e, por conta disso, acessível a ricos e pobres. Acredite, há ricos e pobres por lá nessa hora, o que se vê pelos carros que circulam, vários importados e outros bem humildes.

Devo ter estado lá em todos os últimos quatro anos e em nenhuma dessas vezes eu vi uma briga; discussão ou noticia de assalto. É iluminado e bem policiado (pela BRIGADA MILITAR), mesmo que você deixe o carro mais longe. Normalmente, mesmo fora de festas como essa, não faço o tipo assustado (conheço vários), que deixa de ir a festas ou passeios noturnos - mesmo a pé - por medo. Eu tenho medo, obviamente, como todo mundo. Apenas não deixo que ele me domine. Mas lá, mesmo numa festa movimentada como essa, é tranquilo. O único problema, claro, são os flanelinhas,  que você paga adiantado (na volta eles não estarão lá) e caro; não para que "cuidem", mas para que eles não destruam o seu carro, o que fica implícito. No ano passado custou R$ 10,00 para deixar o meu carro na rua, junto com os outros.

Neste ano não sei quanto custava o flanelinha. E não sei porque vimos a queima dos fogos de artifício de dentro do carro. Nem cheguei a estacionar. Estando do outro lado da Cidade (Zona Norte, perto do Iguatemi) e contando com apenas dez minutos para cruzá-la, o "piloto" aqui conseguiu a proeza de chegar em tempo.

Imagine uma Cidade inteira, como esta, à disposição, para andar livremente por ela. Faltavam cinco minutos (no meio do caminho) para a meia-noite, numa virada de Ano Novo. Estava completamente vazia de carros e quase que também de pessoas andando na ruas (à exceção de um inusitado e jovem casal caminhando calmamente na Benjamin Constant, com o seu nenê no carrinho, provavelmente insone por causa dos foguetes).

Chegamos ao local uns TRÊS MINUTOS antes dos fogos começarem a espoucar no céu. No entanto, claro, nessa confusão toda, não havia lugar para estacionar e um engarrafamento enorme na Avenida Mauá. As pessoas acabaram parando os carros e a gritaria começou de dentro dos carros mesmo, com música e o foguetório no céu, no final da Avenida.

Comparando, foi uma espécie de "cena de filme de tragédia", só que felizmente não se tratava de uma tragédia, mas de uma festa.  Às margens do engarrafamento, dos dois lados da Avenida, as pessoas caminhavam em bandos; gritando e agitando garrafas de espumante ("champanhe", para quem é antigo), algumas com as suas melhores roupas de pobres. Outras exageradas, com brilhos e sapatos de salto alto, como se estivessem numa noite de gala. E outros vestidos normalmente.

Num filme trágico, e numa cena dessas de rua engarrafada de carros; ao longe, recortado contra a silhueta dos prédios, geralmente explodiria uma série de bombas, ou monstros em forma de nuvem de poeira, ou um duelo entre o Homem-Aranha e o Surfista Prateado.

Aqui, ao contrário da cena do filme, as pessoas estavam alegres (algumas artificialmente, por conta da bebida) dentro dos seus carros e no final da rua explodiam fogos em diversas cores e formado figuras de variados formatos. Passamos a meia-noite, portanto, dentro do carro, rodeados de estranhos nos outros carros.

Filme? Nada de muito bom, para iniciar o ano.

Chama-se CATCH .44 ("catch" significa pegar e ".44" é um calibre de arma de fogo). E é a história de três jovens e bonitas mulheres; amigas brincalhonas e meio envolvidas em jogadas criminosas, que acabam numa das suas "missões" sendo contratadas por um sujeito estranho e perigosamente maniático chamado Mel (que é o BRUCE WILLIS).

Trabalhando numa operação de entrega de drogas/troca por dinheiro, entram num restaurante de beira de estrada, desses de caminhoneiros e se metem numa confusão.

Acontece que a confusão é mais propriamente DO ENREDO do que da história e dos personagens, em si. Tem um caminhoneiro; um cozinheiro meio maluco e, principalmente, um assassino psicótico feito pelo FOREST WHITAKER.

O filme se passa praticamente todo dentro do restaurante e fica "indo e vindo" com flashback, de modo que de certa forma você acaba vendo o final do filme (ou parte dele) já no começo da história.

A impressão que se tem é que os caras tentam (principalmente em filmes com o Bruce Willis) fazer sempre algo "inédito e independente" mas se perdem tanto na tentativa de tornar o roteiro interessante, que você acaba não entendendo direito nem o que aconteceu. Outra alternativa é a de que eles tentam copiar fórmulas de sucesso como Um Drink no Inferno; Kill Bill ou Dois Canos Fumegantes (há cenas clássicas que são exaustivamente repetidas, em filmes assim) e, infelizmente, não conseguem o esperado sucesso. Usam atores como Willis pra dar um toque de "criminoso desequilibrado" na trama, mas já não dá mais muito resultado.

Aqui é exatamente assim. A história é MUITO complicada e você consegue compreender apenas que as moças vão lá para receber dinheiro e/ou drogas. Mas, afora isso, fica tudo muito cheio de metáforas e acaba-se entendendo apenas os tiros, ameaças e aquela coisa de sempre.

Não gostei. Não se deixe enganar pelo trailer, como eu. Recém-lançado nos EUA.

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