Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme KILL SHOT.

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).

Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme ANTICRISTO.

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).

Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme TWO LOVERS (no Brasil, AMANTES).

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).

Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme SHAME.

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).

Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme AMOR À FLOR DA PELE.

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).

FICÇÃO CIENTÍFICA COM O CANTOR POP JUSTIN TIMBERLAKE: O PREÇO DO AMANHÃ, EM BOA HORA PARA SE REFLETIR SOBRE O TEMPO (filme provavelmente em DVD).

O cantor americano JUSTIN TIMBERLAKE (atenção: não confundir com o Justin Bieber) tem feito alguns filmes atuando como ator, numa tendência que só aumenta. Vários outros já fizeram isso, entre eles os negros (e digo que são negros por causa do tipo de música que cantam e não pela sua raça, em si) WILL SMITH e 50 CENT ( cujo nome real é Curtis James Jackson III). E Timberlake tem atuado com desenvoltura, acho que já assisti a uns três filmes nos quais atua como ator, contando com este.

O filme é bem bacana e, de certa forma, até simbólico para um ANO NOVO. Porque ele fala sobre o TEMPO. Creio que, assim como Matrix, esse filme (embora não tenha tantos efeitos especiais) tem tudo para tornar-se um clássico dentre aqueles que gostam desse gênero de filmes. E mesmo se tratando de um filme americano e com todos os requisitos de "comercial".

O filme se chama O PREÇO DO AMANHÃ no Brasil e seu título original é In Time, o que significa algo como "em tempo".

O enredo é bem tramado. No futuro, as pessoas usam o seu tempo de vida como se fosse MOEDA DE TROCA.

Os cientistas destruiram o gene do envelhecimento. Quando uma pessoa chega aos 25 anos de idade, ela pára de envelhecer. Por conta disso, no inicio do filme você estranha quando percebe que a MÃE do personagem de Justin Timberlake é a atriz OLIVIA WILDE que, na vida real, tem a mesma ou quase a mesma idade do "filho". Ela tem 50 anos, mas parece ter os 25 dos demais.

Ocorre, porém, que a pessoa pára de envelhecer, mas possui - a partir dos 25 anos reais - apenas mais um ano de vida, a não ser que PAGUE pelo tempo extra. E tudo é taxado com altos encargos para, assim, "controlar a natalidade". Ou seja, quem não paga; morre automaticamente.

As pessoas têm "relógios digitais" no pulso onde controlam o tempo que têm para gastar. E quem pode comprar mais, é considerado rico. Um dia, num bar da periferia entra um desses "ricos". Um sujeito em cujo "relógio caro" há UM SÉCULO DISPONÍVEL. Ele paga bebidas para todo mundo (exemplo: uma bebida, custa 2 horas de tempo), cativa as mulheres (que "trocam o corpo" por algumas horas) e assim por diante. Entram bandidos no local, querendo roubá-lo. Justin Timberlake o ajuda a fugir dos ladrões e o homem, agradecido e cansado de viver, dá o SÉCULO INTEIRO de presente para Timberlake. O cara morre, pois "doou" seu tempo de vida para o outro.

Esse último, claro, é acusado de matar o primeiro e inicia-se uma perseguição a ele. Um dia, na fuga, ele acaba sequestrando uma jovem rica, filha de um "milionário do tempo"; um cara que depois se vê, tem UM MILHÃO de anos ou mais.

A logística da trama é interessante. As pessoas podem tanto roubar quanto doar "tempo" (que é dinheiro), entre si, encostando-se os pulsos e mentalizando algo do tipo "te dou duas horas de presente" ou "me dê 5 dias".

Pode parecer bestinha se você ver um filme desses com o espírito de "que marmelada". Mas se você assisti-lo com o espírito preparado para um filme de ficção científica, terá um espetáculo interessante e que, ainda por cima, nos faz refletir sobre "gastar o tempo" na vida.

Bem adequado para uma reflexão de Ano Novo. Por este ano era só isso, da minha parte.



FILMES REAIS DE ANO NOVO: GASTANDO O TEMPO DE 2011.

(Ambiente: músicas diversas; fumo um charuto cubano Fonseca)

Obra terminada aqui em casa, faxina idem. A casa voltou ao normal. O split (ainda acho que o certo é spliter)que vai manter-me fresco (opaaaa!) enquanto trabalho, está devidamente instalado.

A Cidade está ainda pior do que antes; mais vazia, parece que a bomba atômica acabou de explodir. Dizem que só as baratas sobreviverão à Hecatombe. Além das baratas, acrescento os velhos e os "despirocados" (cuma?), categoria da qual mais me aproximo, pois é esse tipo de gente que se encontra vagando pelas ruas. Lá no Shopping havia até uma juíza de Direito que foi minha colega de faculdade. Qual a "categoria" na qual ela se enquadra?

Numa rua deserta, um casal (feio e pobre, não aqueles dos filmes americanos) se beijava ardorosamente. Na outra, três sem-teto riam, animadíssimos e abraçados (provavelmente bêbados), olhando para um terreno baldio. Talvez fossem três gays sem-teto, pois estavam bem abraçados. E riam, como se o mundo tivesse acabado de ser inaugurado.

Nem FELLINI faria um filme igual a Porto Alegre num dia assim. E eu, de fora, olhando os peixes dentro do aquário. De fora?

Fui ao Shopping Moinhos (que fecha daqui a poucos minutos) comprar este charuto que estou fumando. A Tabacaria Domenico vende, além de charutos, outros  brinquedos "de homem": facas (ainda vou fazer um curso de combate com faca, que só existe em São Paulo...); canetas; isqueiros; chaveiros; cachimbos; fichas e material para jogo (poquer e outros) e uma porção de outras bugigangas.

Curiosamente, duas mulheres maduras (quem sabe mãe e filha; a mais nova tinha idade indefinida, talvez tivesse a minha idade e eu simplesmente não me enxergue) compravam um globo terrestre e comentavam que o mapa mundial se modificava todos os dias, ao sabor dos forrobodós políticos. Sem ser chamado (hã?), me meti na conversa. Dali o negócio descambou pra jogo e elas compraram, pasme, uma carpeta, pano verde pra jogo. Uma disse que a outra estava se entregando "ao vício". Eu disse "já que está viciada, leve também uns charutos". E a conversa descambou para os charutos. Ela me perguntou qual o melhor charuto cubano. Eu disse que era pessoal e que dependia de gosto, mas o folclore dizia que os mais caros eram feitos em Vuelta Abajo, "enrolados na coxa de uma mulata". O cara da Tabacaria se meteu e disse que nenhum era feito mais manualmente, e que por isso o negócio da coxa da mulata não se aplicava mais. Então uma das mulheres (que se mostrou culta; o botox não chegou a interferir no cérebro) me perguntou se o problema era a falta de mulatas em Cuba. E tudo virou uma grande gandaia, promovida por mim.  Feliz Ano Novo no balcão da Tabacaria.

Dali, com os charutos debaixo do braço (força de expressão, porque amassaria e ficaria com "gosto de sovaco") resolvi ir na Livraria Saraiva. A minha filha, depois de uma conversa estranha com uns amigos skatistas (que andam de skate) resolveu interessar-se por Maçonaria (what a fuck?), da qual ela nunca havia ouvido falar e achou o máximo ("como é que eu não soube antes que isso existia?"). Eu fui procurar e achei um livro sobre o assunto. Ela ficou feliz. O último livro comprado por mim neste ano.

Na volta, inesperadamente, resolvi correr na pista do CETE (no Menino Deus), já que estava "vestido adequadamente" para isso. Fui até lá (havia uns vinte tantãs correndo lá), parei na beira dela (a pista, cabeção!) e solenemente...desisti. Só corro no ano que vem, não estava a fim.

Pra finalizar o inusitado de 2011, acabei de receber um torpedo de Ano Novo perguntando se "vocês vão pra lá?" Como eu não sabia de quem era, e perguntei, veio a resposta: "Beatriz, de Manaus". Acontece que eu jamais estive em Manaus e não conheço nenhuma Beatriz. Foi a última pessoa que eu "conheci" neste ano. Até agora.

Agora comento um filme sobre "gastar o tempo".



UMA MÚSICA, UM VÍDEO: O VETERANÍSSIMO VAN MORRISON CANTA HAVE I TOLD YOU LATELY? NUMA CIDADE COMPLETAMENTE VAZIA, NA ENTRADA DE UM NOVO ANO.

(Ambiente: duas Brahma Extra e a música de Van Morrison)

Alguns dias (sobretudo feriados ou "coisa parecida", feito hoje) nesta Cidade nos remetem ao fim do mundo e eu tenho falado sobre isso, aqui, repetidas vezes.

Hoje de manhã, ainda por conta da pequena obra que fizeram aqui (e que feliz e realmente terminou, louvado seja!), acabei "expulso de casa" e fui tomar café cedo, na rua. Cedo demais; algumas cafeterias não me aceitaram porque ainda não haviam aberto.  Finalmente consegui tomar um café com leite e um pão de queijo numa cafeteria vazia, sozinho, nesta manhã (altamente simbólica para a maioria) de 31 de dezembro.

A Cidade não estava diferente da cafeteria. Transitei de carro por ruas incrivel e tristemente vazias. Já estou acostumado, não me incomoda e nem me choca mais. Estou sempre nesses lugares, onde nãohá ninguém, há anos. Acho que em outras vidas fui um nômade, desses que anda sozinho vagando pelo deserto.

Pra completar, o céu escuro e cheio de nuvens escuras. Como diria o (comediante) Rafinha Bastos: "chupa, quem está na praia e queria sol!". Aliás, a irmã do Rafinha, Bárbara (loira e de olhos claros, nada a ver fisicamente com ele), foi minha aluna na ESPM.

Para um ano que acaba (na verdade é apenas um dia que acaba e depois amanhece outro exatamente igual). Mas nada como um momento reflexivo assim e ouvindo a bela MELODIA da música do veterano VAN MORRISON.

A LETRA também é bonita, se você descobrir o que ela diz, depois. O nome é Have I Told You Lately? (I Love You) ou "Eu tenho dito ultimamente (eu te amo?)"

Embora na música tenha o sentido romântico (um homem dizendo para uma mulher), não deixa de ser uma mensagem bacana de ANO NOVO, para que você a diga a qualquer pessoa a quem você ame, em qualquer que seja o sentido.

Vou sair agora (16:10h) e comprar uns charutos. Antes que o ano acabe.



PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN: FILME DE FICÇÃO, BASEADO EM "BEST-SELLER DE SUPERMERCADO", QUE NÃO NOS ACRESCENTA NADA E AINDA NOS OPRIME (filme fora de circuito).

(Ambiente no qual escrevo: barulho de marretadas na parede há 10 horas contadas no relógio, cansaço imenso).

No último dia "útil" do ano, constato algo que eu já sabia: DETESTO obras. Repito: detesto. Adiada há anos a instalação de um aparelho de ar condicionado (que chamam de "splitt", mas na minha concepção o correto é "splitter") justamente pelo temor de que isso representaria sujeirada e quebradeira de paredes, quando ela foi finalmente posta em prática (no último dia do ano), veio  a confirmação que SEMPRE, sem exceções, vem nesses casos: a situação sempre é BEM PIOR do que se imaginava. Sempre tem alguém que diz "é fácil, faz-se um furinho na parede, uns parafusos, e o negócio está funcionando". No ano passado pusemos abaixo o banheiro e o piso da casa e eu quase enlouqueci.

A loucura, embora em algo aparentemente simples, voltou. E amanhã precisa-se comemorar o tal Ano Novo. Já há "trocentos" abestalhados estourando foguetes aqui no bairro: "dãããã, saúde pra dar e vender..."

Neste ano, a instalação do tal aparelho. Nunca é "só um furinho", como dizem. Assim, do nada, surgem armários (que estão há anos nos seus lugares)para ser removidos; tubulações insuspeitas que ninguém sabia que estavam no meio da parede a ser furada; eletricistas e instaladores que gostam de complicar o "incomplicável". Um engenheiro com excesso de cuidados.

Nem vou comentar a questão de se encontrar um pedreiro; esse recusar, encontrar-se um segundo; esse aceitar mas no dia e horário marcado não aparecer e sequer se dar ao trabalho de avisar que não viria. Nem vou comentar o fato de que sempre se gasta mais dinheiro e tempo do que se imaginava no inicio. Nem vou comentar o fato de ser um "quase feriado" e a Cidade estar vazia e, por isso, com muita coisa corriqueira do comércio (um simples fio ou uma bucha de parafusos) inacessível para comprar, mesmo que você seja rico. E eu não sou, obviamente. Nem vou comentar a questão de acordar-se cedo e passar o dia com esse barulho infernal na cabeça ou andando pra cima e pra baixo; de carro ou a pé. Ontem dois armários me caíram sobre a cabeça, enquanto eu tentava, sozinho, sacá-los da parede. Quebrei a porta de vidro de um deles. Mais uma coisa para consertar.

Nesta hora, até a faxineira que, teoricamente, vem para ajudar, é um estorvo. O cara que vai montar o armário é um alvo em potencial. Roupas, móveis e utensílios de várias naturezas estão espalhadas por toda parte. Na minha mesa de trabalho há xícaras e pires; copos, vasos. Para o bem ou para o mal, esta sempre foi  uma casa implacavelmente organizada e seus membros se acostumaram a isso. Aqui ninguém lida bem com a bagunça; com sujeira; com coisas fora dos lugares. Quando isso ocorre, os animais selvagens que habitam no interior de todos nós afloram e está instaurado o caos. Nos últimos dias do ano. E não tem hora pra terminar. Prometeram para amanhã, sábado, dia 31 de dezembro. "Vai ficar faltando só a canaleta do caralho". Duvide-o-dó. Vou-me embora daqui. Me chamem quando estiver tudo pronto, pintado e funcionando.

Não tenho nervos pra isso. Foi um ano cansativo. Trabalhei demais em 2011. Não me queixo do trabalho e até gosto, mas minha resistência está sensivelmente minada para "manobras radicais".

É nesse contexto que vi PRECISAMOS FALAR SOBRE  O KEVIN(We Need To Talk About Kevin), filme baseado em mais um "besta-seller" de mesmo nome, daqueles do tipo "O Caçador de Picas", que vendem no supermercado. A capa do livro está acima, o menino de máscara de gato, que você certamente já viu numa gôndola.

Considerando que se trata de um filme não-baseado em fatos reais, torna-se uma história completamente desnecessária. Porque não tem "moral" alguma, embora alguns críticos imbecilizados digam "ohhh!!" e enxerguem no filme discussões sociológicas intermináveis. Pode até ser, para a cabeça doentia do povo americano, onde adolescentes se fingem de puritanos e ao invés de se masturbarem como todo mundo nessa idade faz, entram numa escola com um rifle e matam coleguinhas.

E digo que o filme tem uma história "desnecessária" porque ele é, na verdade, uma colagem de várias discussões já vistas em outros filmes. E, como eu disse e repito, o fato do livro (e do filme) não ser baseado em fatos reais nos afasta do centro de interesse. Pra que vou assistir uma história INVENTADA que é doentia e não me engrandece ou emociona em nada?

A única nota digna de admiração é a INTERPRETAÇÃO da atriz TILDA SWINTON (sempre fisicamente horrorosa, aliás) , que faz bem o seu trabalho de "mãe confusa" no filme. A atriz tem a seu favor a sua feiúra (ninguém pode alegar que ela ganha papéis pela sua beleza), pois ela é uma espécie de "Uma Thurman mais velha". Uma "alemoazona" daquelas compridas e assexuadas que se vê aqui no interior Rio Grande do Sul. Que geralmente são professoras de piano ou História em escola pública  e que morrem solteironas, na casa da mãe, comendo cuca e tomando chimarrão. O único homem nas suas vidas é o dedo médio.

A personagem principal do filme é Eva Katchadourian, uma mulher prática e voltada para a sua vida profissional, casada com um abobado (feito pelo bom ator de comédias JOHN C. REILLY, aqui em papel dramático). Nasce o filho Kevin, que cresce sob essa rejeição (disfarçada) da mãe e ele próprio passa a rejeitá-la, devolvendo-lhe a falta de amor. Já pequeno tem diálogos sarcásticos e improváveis com os pais, para uma criança em tão tenra idade. Várias idades, aliás, pois mostra o menino crescendo. Quando adolescente, ao invés de sarcástico o ator que interpreta o personagem só consegue fazer umas performances com caras, bocas e trejeitos de "bicha-má", sem convencer ninguém. Fica parecido com o Chuck, O Brinquedo Assassino.

Crescido, o menino estréia na "carreira criminal" ao estilo "vingando-se de todo o colégio", tão ao gosto dos tantãs americanos. Além dos colegas, ele vinga-se do pai (de quem aparentemente gostava) e da irmã mais nova (uma criança!), que ele já havia cegado com produtos de limpeza, alguns anos antes.

O único mérito do filme, como eu disse, é a interpretação de Tilda Swinton. Mas é uma interpretação tão sombria e opressiva, que você - mais uma vez - se pergunta porque cargas d´água vai entrar na porra de um cinema e pagar pra ver um filme que lhe deixe MAIS angustiado, por coisas que sequer aconteceram na vida real?

Só veja se quiser entrar o Ano Novo com o pé ESQUERDO, achando que o mundo é uma merda e que em 2012 ele deva, mesmo, acabar, conforme prometem as profecias.

Não, nós NÃO PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN.




FILME SITUADO NO CONTEXTO POLÍTICO DA CAMPANHA AMERICANA QUE NOS INTERESSA MAIS PELO AGIR HUMANO DOS SEUS PERSONAGENS, DO QUE PELA CAMPANHA POLÍTICA PROPRIAMENTE DITA: TUDO PELO PODER (filme de cinema)

(Ambiente: cerveja Heineken e músicas diversas, começando a escrever com Caetano cantando Cry Me a River, em inglês. Essa música é de Arthur Hamilton e foi escrita originalmente para Ella Fitzgerald cantar!)

Pelo jeito vou trabalhar até o último dia "comercial" do ano, que é na sexta-feira. Hoje tenho trabalho e acaba de me chegar mais um, com a recomendação expressa, óbvio, que o prazo de entrega é AMANHÃ. Se tudo correr bem, pretendo comprar um charuto até amanhã; prazer que andei abandonando nos últimos tempos. E não é por ideologia anti-tabagista, mas por falta de tempo de ir comprá-los no lugar certo (lá na Avenida Farrapos). E tamvém por certa racionalidade financeira. Andamos gastando muito em tecnologia nos últimos tempos por aqui (o que significa investir em condições de trabalho) e não posso deixar de pensar que cada charuto cubano "queimado" equivale a uma camiseta Hering básica (que uso, direto) ou a vários litros de leite. Eu tinha um amigo que calculava tudo assim: em litros de leite. Do dinheiro gasto por alguém com gasolina; aparelhos eletrônicos ou com putas, para tudo ele comparava, com espanto (ou indignado): "isso equivale a X litros de leite!".

O filme TUDO PELO PODER (The Ides of March, ou "os idos de março") é, segundo os seus críticos (para o bem e para o mal, pois há críticas ao filme nos dois sentidos), uma alusão à campanha de Barack Obama, embora o candidato no filme seja um homem branco. Em todo o caso, o senador fictício que "colabora" com o candidato é um negro como Obama.

Segundo os críticos de cinema, essa alusão está clara no poster do candidato Morris (do filme) que lembra o trabalho do artista plástico Shepard Fairey, que criou em 2008 o célebre cartaz "Hope" para a campanha de Obama. Também falam, os críticos, que a DECEPÇÃO com o Governo Obama dá o tom do filme.

Esse é o quarto filme  dirigido e interpretado pelo impagável GEORGE CLOONEY, ídolo do quarentões (eu sou fã assumido dele, tanto pela sua beleza física quanto pela sua inteligência) e das quarentonas. Em breve Clooney vai "passar para o lado de lá" e será um "cinquentão". O roteiro também é do Clooney com a ajudinha preciosa do autor da peça de teatro na qual o filme é inspirado.

E o filme é inspirado na peça Farragut North, de Beau Willimon. O filme se passa em Des Moines, Iowa, algumas semanas antes de o Partido Democrata, o mesmo de Obama, escolher seu candidato para concorrer à presidência dos Estados Unidos. Farragut North é o nome da estação de metrô que dá na região dos escritórios de advocacia e consultoria onde trabalham os lobistas mais influentes de Washington.

O filme, sou obrigado a reconhecer, começa chato. Não exatamente chato, mas intransponível, porque faz alusões a "regiões eleitorais" que não nos dizem respeito, e a particularidades eminentemente americanas. Não entendemos direito quando eles falam nos "Delegados de Ohio" ou nos eleitores da Carolina do Norte como se tivéssemos a obrigação de entender isso. É como se eles tivessem de entender as diferenças e peculiaridades entre os eleitores do Sul e os do Nordeste do Brasil ou algo assim.

A história centra-se na figura do diretor de comunicação Stephen Myers (RYAN GOSLING, tantas vezes mencionado aqui neste blog - ultimamente em Driver - jovem ator que é o novo ídolo das americanas), que faz a campanha para que o Governador Mike Morris vença as eleições primárias. Na verdade o filme explora, até a última cena do filme (talvez aquela que justamente nos sugira que o jogo vai virar), a ambiguidade do próprio Myers, que tanto quer tirar proveito quanto se decepciona com o jogo político e as revelações íntimas que surgem no meio da campanha. No final do filme esse idealismo de Myers desmorona.

Se no inicio o filme é, como eu já disse, intransponível e "político-americano demais" para o nosso gosto tupiniquim, depois o que passa a contar são as interpretações das torpezas, medos e vilanias humanas. E QUE INTERPRETAÇÕES, minha Nossa Senhora de Brasília!

Temos, além dos já citados Clooney e Gosling, um time de deixar quem gosta de cinema caído de quatro, feito um jumento. E não tenho a menor dúvida de que a habitual e ácida crítica de Clooney ao Governo Americano (e à situação política do Mundo, de um modo geral) serviu para que ele usasse a sua imensa influência e convidasse esse elenco de peso, provavelmente não pagando muito dinheiro a eles.

Temos a estagiária ("adolescente", para os padrões americanos ditos no filme, com 20 anos de idade) que trabalha no comitê de Morris e que se envolve com Myers e que, se verá depois, também anda envolvida com o próprio Governador. Ela é feita (primeira foto, abaixo) por EVAN RACHEL WOOD.

Depois, temos a inominável MARISA TOMEI, estrela da minha geração (segunda foto, abaixo),  que deixa de lado sua versão "coroa em forma" (bem em forma, diga-se) dos últimos filmes e assume o papel de uma jornalista judia desleixada com a própria aparência, mas implacável nos seus métodos de investigação jornalística.

Além dela, o careca e barrigudo PAUL GIAMATTI com suas caras e bocas e o seu papel (sempre bem feito, sem fotos aqui) de "revoltado traiçoeiro" que usualmente faz nos filmes. Ou seja, é aquele cara que é vingativo e mau mas que não explode, age nas sombras. Esses, nos filmes ou na vida real, são os piores, porque eles não têm coragem de te xingar frente a frente e normalmente são tímidos. Agem sempre na traição e na covardia. Não gosto de gente assim, parecem lagartixas geladas e sem personalidade. Prefiro quem me manda tomar no cu, direto, do que quem me aperta a mão e por detrás fale mal de mim ou "tome providências" malignas contra mim.

Por fim, além do próprio Clooney (hipócrita, comedido, excelente), temos o gordinho PHILIP SEYMOUR-HOFFMANN  (duas fotos, abaixo), garantia segura de um bom filme, seja no papel de um abobado sem-noção, seja no papel de um lobista velho e malandro, como é o que faz nesse caso. Os diálogos desse cara, e o riso irônico com os olhinhos apertados,  são um orgasmo teatral.




Dizem os críticos na Internet que o Diretor Clooney apelou para o fatalismo fácil, quando todo mundo já sabe que campanhas políticas são sempre assim. Mas, independente disso e do mérito do filme,  as interpretações desses grandes atores daquilo que seja a vilania humana são um espetáculo que vale uma ida até ao cinema, embora eu o tenha visto em casa.




A ARTE DA CONQUISTA: FILME INDIE AMERICANO DE TEMÁTICA ADOLESCENTE PRA ADULTO TAMBÉM ASSISTIR E GOSTAR (filme fora de circuito).

(Ambiente: música de Janet Jackson e duas Heineken, long neck).

Bacaninha, esse filme. À primeira vista parece um daqueles filmes americanos para adolescentes. E se você assisti-lo com adolescentes, eles não irão perder nada e nem o filme será superior à compreensão deles. Mas é um filme indie americano que surpreende pela maneira bem desenrolada do seu roteiro e que interessa a nós, adultos que gostam de cinema.

Boa música, boa fotografia.

A história também, à primeira vista, é comum. E conta a história de  George (Freddie Highmore), um guri misantropo e desligadão que chegou ao final do "Segundo Grau" (aqui no Brasil e hoje também conhecido como "Ensino Médio") sem estudar direito e sempre meio complicado com o Diretor do colégio. O garoto desenha bem e mora com a mãe e um padrasto misterioso.

Esse último sai para trabalhar mas não vai a lugar algum, embora tente manter as aparências na base do "estou trabalhando num projeto" mas é um pé-rapado que não faz porra nenhuma. Nesse aspecto, parece alguns gaúchos que se vê aqui em Porto Alegre, o padrasto. Muita empáfia (e mentiras) e pouca coisa de concreto. Nós, os gaúchos, somos uma elite. Que vive de aparências, claro. O Parque Moinhos de Vento e suas imediações estão cheio de vadios muito elegantes.

Um dia George faz amizade por acaso com Sally (Emma Roberts, sobrinha de JULIA ROBERTS), uma guria cheia de amigos no colégio mas também meio complicada. A mãe dela é "descolada" e, recém-separada, "rasgou a bandeira" e está saindo com Deus e o mundo.

Porém, um pintor mais velho (uns 25 anos, eles são adolescentes) se intromete na vida de George e Sally, primeiro ajudando George a descobrir, em si, o artista e "potencial amante" para Sally. Depois, tomando para si a própria Sally, para desgosto de George.

É um filme bonitinho, sobre a arte; o amor, a decepção do amor, a rejeição e a superação. Bem realizado, ele dá vontade de assistir duas vezes.

FILME MANOLETE





MANOLETE: A MAGNÍFICA HISTÓRIA (REAL) DE UM TOUREIRO ESPANHOL E SEU AMOR POR UMA PROSTITUTA; QUEM SABE FICTÍCIA. (filme em DVD).

(Ambiente: música de Cazuza e whisky escocês Johnny Walker (black).

Vinícius de Morais dizia que o whisky era o "cão engarrafado, o melhor amigo do homem". Já bebi uns dois yorkshire agora, iguaizinhos àquele que a enfermeira matou a pontapés lá em Goiás, o que está na mídia o tempo todo. Também dei uns "tapas" aqui nos meus cachorros engarrafados.

Esse meu amor pelo cinema ainda acaba me ferrando. Eu não podia (por excesso de trabalho) estar aqui, agora, escrevendo este comentário, é certo. Que dirá me dedicar a "reescrever" um filme (ou as suas legendas), algo que não me dá nenhum dinheiro e nem reconhecimento, apenas satisfação pessoal?

Pois cismado (com tudo e até demais) que sou, assisti a um pedaço do filme MANOLETE (cujo nome original é A Matador´s Mistress ou "Uma amante do matador") na TV a cabo e primeiro me espantei: como assim, um filme de 2008, do qual nunca ouvira falar? Sou metido a grande conhecedor de filmes e me considero atualizado neles. E desse eu nunca havia escutado falar. Segundo, esteticamente um belo filme (fotografia competente, colorida, espanhola), e além disso com atores conhecidos como a PENÉLOPE CRUZ e o ADRIEN BRODY. Pensei: não vou assistir esse pedaço pego ao caso na TV, quero vê-lo inteiro. Além de cismado, sou chato, e para mim não poder assistir a um filme INTEIRO não tem a menor graça.

Então fui catar o filme. E não foi fácil encontrá-lo. Quando o encontrei, estava "bichado": legendas em português de Portugal (que para nós é horrível, tanto quanto para os portugueses as nossas também são; eles chamam ônibus de "autocarro" e telefone celular de "telemóvel") e, pra completar, dessincronizadas. Ou seja, o sujeito dizia "ai" e a boca dele só se mexia cinco minutos depois. Aí encontrei legendas em espanhol, melhores que aquelas escritas em português. Primeiro resolvi assistir o filme, que é falado em inglês, assim mesmo, com as legendas em espanhol. Nem assim deu.

Por essa razão eu me joguei à mesma "aventura" (principalmente pela minha falta de tempo) que fiz com o filme Begginners, já contado aqui: reescrevi todas as legendas do filme, mais de seiscentas! Traduzi do espanhol para o português e sincronizei elas. Valeu a pena.

O filme é excelente. A música flamenca e as cenas de touradas são impactantes.

Ele conta a história de Manuel Laureano Rodríguez Sánchez, toureiro morto aos 30 anos de idade na arena, mais conhecido como MANOLETE("Manolo" já é um apelido de "Manuel" e "Manolete" seria um diminutivo como "Manolinho", em espanhol).

Ele foi considerado o maior toureiro de todos os tempos. Ficou marcado por um estilo sóbrio (se você assistir ao filme, verá que na verdade ele era TRISTE) e tinha o que chamavam de "suerte de matar"( ou "sorte de matar", uma maneira precisa de matar o touro).

Como se vê das fotos acima, é incrível a semelhança física entre o ator Adrien Brody e o verdadeiro Manolete. Primeiro você estranha porque um ator americano  faz o papel que caberia a um espanhol, quem sabe o JAVIER BARDEM, marido de Penélope Cruz na vida real. Mas depois você entende a razão, que é essa semelhança física.

Manolete criou e popularizou um passe com a "muleta" (instrumento utilizado pelos toureiros) chamado "Manoletina", que normalmente é dado pouco antes de matar o touro com a espada. Ele ficava quase imóvel quando o touro passava perto de seu corpo e, ao invés de dar os passes separadamente, permanecia no mesmo local e juntava quatro ou cinco passes consecutivos, em uma série compacta. Um balé. Um balé.

Manolete apresentou-se em toda a Espanha, mas fez seu maior sucesso no México.

No filme é contada a história de seu amor intenso e irrefreável (como é, de resto, todo amor) por uma prostituta, feita pela Penélope Cruz. Não descobri se a história é verdadeira e nem sei o NOME dela, que pouco é dito no filme (apenas o sobrenome). Manolete é um homem frágil, dominado pela mãe e que sustenta toda a família. Um dia toma-se de amor por essa mulher (que não o tratava como os demais o tratavam, uma espécie de "Neymar das touradas") e vive com ela o pouco que pode, desse amor intenso.

Manolete é atingido na veia femural após levar uma chifrada na coxa direita (foto real do incidente, acima), quando estava toureando o quinto touro do dia; um miura chamado Islero,  o que causou a sua morte prematura. O evento deixou a Espanha em virtual estado de choque.

Naquele dia, toureava ao lado (ou antes) dele um toureiro em ascensão, chamado Luis Miguel Dominguín, bem mais jovem, que apregoava que "Manolete é o passado e Dominguín é o futuro", brigando ambos pelo posto de "número um" da Espanha (gesto de "número um" que faziam, com o indicador, para o público).

Como sempre ocorre nos amores substituídos, o amor glorioso e enaltecido do passado sempre é substituído por um amor mais jovem, no presente. Essa é a ordem natural das coisas, contra a qual não se pode (e tampouco se deve) lutar. E Manolete foi substituído após a morte, no amor do povo espanhol. Por um toureiro mais jovem.

Quando morreu (e as cenas reais do seu enterro são mostradas no filme), sob forte comoção nacional,  o general Francisco Franco, ditador da Espanha, ordenou três dias de "luto nacional", durante os quais hinos fúnebres eram ouvidos no rádio. Muito bom. Assista. Muy lindo.



UMA MÚSICA, UM VÍDEO: COME BACK TO ME, COM JANET JACKSON.

Noutra noite dessas, saindo de um shopping aonde me dei o direito de ir tomar um café entre um trabalho e outro, liguei o rádio e estava tocando essa música. Ela tem seguramente mais de 20 anos. A cantora é feia. Nesse vídeo - que é antigo e "oficial"  -  ela ainda era jovem e por isso não estava tão deformada quanto está hoje; uma espécie de versão envelhecida e musculosa do irmão, Michael Jackson, tão cheia de plásticas quanto o próprio era. E, além de feia, é uma cantora brega. Mas desde aquela época eu gosto muito da música. Essa é uma daquelas que eu chamo de música longínqua, pois vem de algum lugar que eu não suponho; vem no vento. Talvez ela na realidade venha de dentro de mim. E acho-a muito bonita. Não me canso de ouvi-la. Nem agora, às duas e meia da madrugada, quando eu estou (ou deveria estar) trabalhando. E cansado.

FILME ESTAMOS JUNTOS


ESTAMOS JUNTOS: FILME BRASILEIRO (E PAULISTANO) COM A LEANDRA LEAL GARANTE UM MÍNIMO DE DISTRAÇÃO (filme em DVD).

Quatro e meia da manhã e eu aqui, em plena segunda-feira (agora já é terça), e acabei de buscar a minha filha numa festa lá na Chairs. "Ser pai é padecer no computador, de madrugada". Um ditado que acabei de inventar.

O filme não é lá grande coisa, mas a LEANDRA LEAL é, sem dúvida, uma das boas atrizes brasileiras, junto com o LÁZARO RAMOS (que não trabalha neste filme).

Leandra aqui faz a  jovem médica Carmen, moça meio complicada que trabalha num hospital público. Levando uma vida de trabalho e alguns amigos, dentre eles um amigo gay que é DJ (feito muito bem pelo CAUÃ REYMOND que nos últimos filmes tem demonstrado que possui coisas melhores do que apenas a mulher dele, a GRAZI MASSAFERA).

Carmen inicia um romance com um argentino mais jovem do que ela e impetuoso. Como se trata de uma co-produção com a Argentina, a presença do ator é justificada provavelmente por exigência de quem deu o dinheiro para o filme, no País vizinho. E o personagem é um argentino que fala gírias brasileiras, cheio de chinfra, mas a gente nota que ele se esforçou para parecer "descolado no Brasil". Eu preferia que ele fosse mais argentino e menos "imitação de brasileiro", o que teria ficado mais original.

Além do amigo DJ e do namorado argentino, ela mantém durante todo o filme uma relação estranha com um homem que surge, assim do nada, a todo momento. Já adianto que o cara é um "amigo imaginário" o que com um mínimo de percepção se descobre, já que ele aparece e desaparece com facilidade e nos lugares menos prováveis.

Do meio para o fim, ela descobre um tumor no cérebro e - médica ou não - passa a se desesperar e encarar a vida de uma outra maneira, diante  da morte iminente, que lhe é diagnosticada.

O filme é bom pelas situações cotidianas, mas termina meio sem "moral da história", já que todas as situações pretensamente "dramáticas" são muito comuns e já foram abordadas de forma excessivamente gasta em outros filmes (doença, conflito amoroso, amigo imaginário, questão social). Quebra o galho.


UM ALMODÓVAR TÍPICO (MAS NEM POR ISSO MENOS INTERESSANTE) COM A PELE QUE HABITO (filme de cinema)

(Ambiente no qual escrevo esta postagem:charuto cubano Fonseca, vinho branco brasileiro Colheita Tardia e música de Cazuza e Charlie Bronw Jr.)

Por alguma razão que eu não sei precisar, o fato é que há alguns meses, numa manhã dessas eu insisti em assistir ao programa de TV da Ana Maria Braga porque nele estaria o ANTONIO BANDERAS, em visita ao Brasil. E, nesse programa, vi cenas e o comentário dele sobre o filme mais recente, que havia feito com PEDRO ALMODÓVAR, que foi o Diretor que o lançou ao mundo. Uma espécie de "volta pra casa" do Banderas.

Fiquei curioso com o filme, pelas cenas então vistas. E o filme é A PELE QUE HABITO.

O filme é um Almodóvar típico. É difícil ver um Diretor que deixe tão clara a sua assinatura, a sua marca autoral, nos filmes que faz, como o espanhol. Talvez o pesadão LARS VON TRIER seja assim também. Ser autoral, no entanto, é a marca característica daqueles que considero ser artistas competentes. Porque gostando ou não, você olha e diz "isso é do Fulano".

Obviamente que acabo descambando sempre para o meu olhar implacável sobre a Literatura, porque é o campo aonde já me movimentei e o qual observo de longe, como quem vai ao zoológico e fica olhando de fora os bichos que estão dentro da jaula. Eu fugi dessa jaula e vejo o triste quadro que há lá dentro. Nesse meio literário, o que há é uma horda de fingimento. Um monte de gente óbvia copiando os demais e fingindo que tem brilho individual. Pouca coisa verdadeiramente autoral. Um "raso clichê" como diz a música do Nei Lisboa. A capacidade de surpreender deveria ser uma busca nesse meio. Descer a ladeira sem freio.

No caso do Almodóvar, você assiste ao filme vendo uma sucessão de marcas ou assinaturas dele (algumas deliberadamente kitsch, porque ele é, bem ao contrário disso, um cara sofisticado) e em alguns pontos pensa: "porque estou assistindo esta merda?". Quando o filme termina você pensa "ele me enganou direitinho, esse filho de uma puta". E acaba concluindo que o filme, com tudo (e "contudo"), é um grande filme.

Almodóvar é gay. E trata de enfiar nos filmes dele alguma temática gay, explícita ou enterrada. Mas essa "bandeira do arco-iris" implícita não atrapalha o filme para quem não seja gay ou para quem simplesmente não queira "bandeira" alguma, mas apenas se divertir.

No caso de A PELE QUE HABITO o negócio é interessante até o final. E o final é incrivelmente melodramático como uma novela mexicana, mas extremamente bem construído.

Vou tentar resumir: um cirurgião plástico famoso e rico(espécie de "Pitanguy espanhol", tem uma clínica em casa; uma bela casa como a do Pitanguy) tem a esposa completamente queimada num acidente de carro. A esposa, com a pele destruída, fica depressiva pela própria feiúra e se joga da janela da casa, se suicidando. O suicídio ocorre ao lado da única filha do casal, que está brincando lá embaixo. A menina cresce e se torna uma moça desequilibrada com esse primeiro trauma. Haverá outros. Um dia, tendo saido da clínica onde estava internada, a moça e o pai resolvem ir a uma festa, para socializar. Só que ela é ingênua e, além disso, como já sabemos, desequilibrada; toma remédios.

Na festa, conhece um rapaz. Esse não toma remédios mas usa drogas e está doidão. Observo que o ator é baixinho, o que irá determinar muita coisa (que obviamente não vou contar) no filme, depois. Os dois namoram um pouquinho na festa e, no "calor do envolvimento", meio consentido e meio não-consentido, ele força a barra e praticamente (mas não exatamente) violenta a moça no meio dos arbustos da bela propriedade onde ocorre a festa. O pai vai procurar a filha e a encontra desmaiada. Ao acordá-la, ela sofre o segundo trauma: vendo o pai sobre ela, não dissocia a imagem do próprio pai do "estuprador" e passa a rejeitar o pai, como se ele a tivesse estuprado. Ela, na sua doença mental, apaga a imagem do cara que a violentou e enxerga no pai o seu algoz. Volta para a clínica com a diferença de que, agora, não pode ver o pai nem pintado de outo. Ele, claro, sofre muito com isso. E quer VINGANÇA. Encontra o sujeito e o aprisiona num lugar escondido da sua propriedade.

Pai e filha vão sofrer ainda mais, porque a moça morre (ou se mata, não fica claro no filme e nem mostra). Drama; drama e mais drama barato: Almodóvar.

O médico, sem a única filha e movido pela vingança, agora tem planos para aquele estuprador (não é bem isso, foi um embalo exagerado entre ele e a moça, digamos assim) agora aprisionado num lugar ermo. O rapaz (de estatura baixa) trabalhava com a mãe num atelier de moda. Aqui os subterfúgios e as fantasias gay do Diretor do filme ficam flagrantes. No que estou contando e, principalmente, naquilo que eu NÃO ESTOU contando.

O homem faz experiências com a pele humana, tentando torná-la mais resistente. É um cirurgião renomado. E conta com uma equipe dedicada. Além de ser obcecado pela sua mulher que morreu.

O personagem que surge é feito pela intrigante atriz ELENA ANAYA, aí na capa do filme, que já vi em alguns outros filmes e, sobretudo, no para mim inesquecível Fale com Ela , do próprio Almodóvar, de muitos anos atrás. Há também no filme outros atores "recorrentes" do mesmo Diretor.

O filme é bom. Se em alguns momentos o drama se estende demais e gera cenas improváveis, no conjunto se tem um belo espetáculo.




UMA MÚSICA, UM VIDEO: AINDA BEM, COM MARISA MONTE.

Do CD novo da MARISA MONTE, que ganhei num amigo secreto ainda em novembro, a música AINDA BEM teve um clipe gravado pela cantora com uma parceria inusitada: o lutador ANDERSON SILVA, peso médio do UFC, surpreendentemente dança com Marisa no video.

Não tiveram tanta sorte os seus (nossos) compatriotas Lyoto Machida e Rodrigo Nogueira (o Minotauro) nas lutas da semana passada, que me fizeram ficar acordado até o meio da madrugada. Machida foi estrangulado até desmaiar (revirando os olhos, um negócio horrível) e Minotauro teve o braço quebrado (também horrível, deu pra ver o osso saltando). Já Rogério Nogueira (o Minotouro, irmão gêmeo do Minotauro), o único brasileiro vitorioso da noite, fez o anglo-mexicano beijar a lona com as marteladas (nome do golpe, que consiste em socos desferidos na cabeça) que o seu irmão devia ter dado no oponente e que, por não tê-lo feito, teve o braço quebrado.

Anderson Silva dança com Marisa Monte. Ele é - afora os seus chutes poderosos (veja abaixo, contra o brasileiro Vitor Belfort) -  um homem bonito e conhecido por ser elegante no vestir. Provavelmente isso seja uma estratégia da empresa de "imagem esportiva" do ex-jogador Ronaldo Nazário, que é quem cuida da imagem de Anderson. Por conta disso, ele tem sido incluído em programas de televisão, comerciais e, agora, no clipe. A carreira dele de lutador, aos 37 anos, está chegando perto do fim. Há quem diga que ele tem só mais duas lutas pelo título.

Nesse filme da música AINDA BEM apostaram (e acertaram) no jogo de preto-e-branco tanto da filmagem, quando racial e da roupa dos "personagens". Ficou bem bacana.

A letra da música, em si, não é (poeticamente) grande coisa e nos remete à renitente e incômoda breguice das músicas sertanejas. Mas Marisa é Marisa. Quanto mais velha, melhor ela fica (inclusive fisicamente, não está feia).

É isso. Quem for de lutar; que lute. Quem for de cantar; que cante. Quem for de filmar; que filme. E quem não souber fazer porra nenhuma artisticamente mais útil, como eu, que escreva.


FILME ARGENTINO "DO INTERIOR", EL DEDO NÃO É UMA OBRA-PRIMA MAS CONVENCE, SOBRETUDO PARA QUEM GOSTA DE FILMES VINDOS DALI DOS NOSSOS VIZINHOS (filme fora de circuito).

(Ambiente: vinho Colheita Tardia (Brasil), charuto Fonseca (Cuba), música do Pink Martini (EUA)

Trabalhando feito um camelo a semana inteira, ontem estive boa parte do meu dia trabalhando numa agência de propaganda no Morro de Santa Tereza, do qual se pode desfrutar uma bela vista desta Cidade. No trabalho, não tem refresco. Trabalharei amanhã porque há muita coisa para entregar na segunda e, se tudo correr bem, hei de achar um tempo para correr lá na pista neste domingo. Sangue de Jesus tem poder, já dizia uma mulher na novela no tempo em que eu assistia novelas.

Depois dos novos computadores adquiridos, também dei uma turbinada (o dobro) na banda larga e, aproveitando, ainda num "pacote" da  TV. Sempre tive TV a cabo da Net e banda larga da Brasil Telecom (atual OI). Troquei a Brasil Telecom pelo Vírtua da Net, com o dobro de capacidade. Como é natural, o técnico atual sempre esculhamba o anterior. E esse de ontem "acusou" o outro de não instalar direito o tal HD da qualidade da imagem. Resultado: há anos (acho) eu - como um bom trouxa -  já pagava por uma imagem HD e não tinha disponíveis os canais em HD. A diferença entre o HD e o convencional é espantosa. A minha TV não é uma das "top". É uma Sony Bravia que há em qualquer suíte de motel. Se fosse uma daquelas top-hd-full-plasma-digital-fodona a imagem talvez fosse melhor. Mas é muito legal, assim mesmo. Curiosamente, a primeira imagem que vi na nova qualidade (e que me chamou a atenção) foi o ranho de uma criança na India ou no Paquistão, sei lá. Hoje acho que vou ver a luta do Rogério Minotouro (irmão gêmeo do Rodrigo Minotauro, que também irá lutar), já na nova qualidade, só que é preciso pagar pois é pay-per-view. Adoro lutas.

Hoje, esperando a Lívia na aula particular, demos eu e a Claudia uma volta pela "área dos ricos", na Bela Vista. É bacana de se ver o "aquário" em que eles vivem. É um aquário, que a gente assiste de fora e se diverte. Ficar olhando os peixes dourados e vistosos, "lindos"(eles se acham,claro). São todos iguais e se imitam, sem qualquer auto-crítica.  Não se enxergam. Na Praça da Encol isso é uma diversão. Além disso, é curioso na região como ao lado das casas, edifícios e condomínios de luxo ainda remanescem encravadas algumas velhas casas de madeira, de gente pobre.  Os nossos ricos porto-alegrenses; todos inteligentes, conscientes e humanos, deviam fazer um abaixo-assinado ao Prefeito Fortunatti (que tem fortuna no nome, embora no meu tempo de bancário - Anos 80 -  ele fosse um pé-rapado que distribuía panfletos de propaganda sindical, vestindo uma camiseta vagabunda) pedindo que um helicóptero derramasse alguns quilos de napalm (explosivo plástico usado na Guerra do Vietnã, proibido pela Convenção de Genebra) sobre as casas dos pobres na Bela Vista. Seria o justo, explodir toda aquela feiúra. A beleza e a estética dos ricos precisam ser preservadas, em Porto Alegre. Afinal, somos uma elite.

Filmes? Nada  muito bom, ainda.

O filme EL DEDO é argentino, é verdade, o que garante boas procedência e qualidade. Mas esse não é de "temática portenha" (originário da Capital, Buenos Aires), porque foi rodado no Interior do País vizinho. E perde um pouco na qualidade, mas ainda assim é um bom filme.

Ele não tem uma temática muito profunda, mas explora o realismo-fantástico-interiorano como acontece em O Bem Amado (do Dias Gomes) ou no Incidente em Antares (do nosso excelente ÉRICO VERÍSSIMO, em letras maiúsculas, um dos únicos gaúchos que presta, junto com o filho, Luis Fernando).

No filme, Don Hidalgo, um líder rural canastrão e demagogo (excelente, todo de preto; o chapéu inclusive) no interior da Argentina dos Anos 80 (Governo Raul Alfonsín, me lembro dele) anuncia que, com o nascimento de seu 501º residente, o vilarejo se torna uma cidade, o que significa que sobe de categoria. Com isso, pode-se ter um prefeito local. E, claro, ele, Hidalgo, acha que é a melhor opção para o cargo

Só que  Baldomero, irmão mais velho do dono da mercearia (que se chama Florencio, um baixinho tímido, na foto da capa), é considerado por muitos na vila o candidato ideal. Um dia Baldomero é morto na beira do riacho, porque estava "comendo" a mulher do açougueiro local e o marido flagra os dois em pleno ato. O irmão dele, Florencio, resolve jurar vingança e cortar o dedo do irmão e guardá-lo num vidro, no balcão da mercearia.

A partir daí, por coincidência ou por atuação sobrenatural, o dedo de Baldomero passa a "falar" e a apontar as soluções para todos os problemas locais, conseguindo inclusive "candidatar-se" ao cargo de prefeito...

UM VÍDEO, UMA EXPERIÊNCIA DE INFÂNCIA.

Adhara Luz, minha cliente (e amiga, claro) conta uma experiência peculiar (e delicada) da sua infância (na Floresta Amazônica), num vídeo feito pela Galeria Experiência, de São Paulo (demora um pouco a carregar, mas vale a pena.  A música e os detalhes do filme dão o clima perfeito ao relato. Aperte o play e o pause que ele começa a andar e a carregar, aos poucos).


Um dois três e já . Adhara Luz from Galeria Experiência on Vimeo.



"FILME CRISTÃO" COM PRETENSÕES A FILME INDIE AMERICANO: UM BRILHO NA ESCURIDÃO (filme em DVD).

Com vários trabalhos urgentes para fazer, eu não podia estar aqui. Mas preciso dar um tempo no trabalho. Então resulta que por "alívio da mente" de tanto escrever (aquela história de descansar carregando pedras...), aqui estou. Hoje é o Dia da Justiça e, por causa do feriado no Fórum, minha ida até lá foi abortada.

A verdade é que não tenho nada de muito importante, em termos de cinema, para comentar.

O filme UM BRILHO NA ESCURIDÃO tem uma pretensão indie mas, como quase todo americano, nos engana por algum tempo e acaba se revelando no final. Eles - os americanos -  têm uma dificuldade magnífica de fazer algo que não seja "um conto de fadas". Tenho sérias dúvidas sobre ser uma dificuldade deles em fazer cinema e escrever livros  ou se é apenas um reflexo da vida meio idiotinha que eles realmente levam.

Esse, para mim, ainda ficou PIOR, quando descobri (depois de ver o filme, lendo na Internet) que se trata de um "drama cristão". Acontece que o ator principal (na capa), STEPHEN BALDWIN, eu soube depois, agora é um evangélico fervoroso. Provavelmente, como todo evangélico, depois de ter feito alguma merda muito grande na vida. Pelo que apurei na Internet, ele "dá testemunhos" em igrejas, mundo afora.

Eu atravesso a rua quando vejo um evangélico vindo na minha direção com aquela Bíblia ensebada debaixo do braço. Noutro ganhei uma Bíblia, em miniatura, de um dos porteiros daqui do prédio. Não sei se ele gosta de mim ou se acha que eu preciso de salvação. Deu-me a bibliazinha (num chaveiro, com alguns salmos) e um folheto "da minha igreja" (lá dele).

O porteiro é bacana e a parte boa de alguém ser evangélico é que geralmente eles são contidos, educados. Mas passo longe de evangélicos por conta de uma experiência pessoal com um deles na minha vida;um crápula (que hoje se diz "pastor")que só me ferrou. E, afora isso, não apenas pela mania que eles têm de tentar nos doutrinar, mas pela falsidade ideológica na qual vivem. E também, claro, pela breguice.  Um evangélico é um brega em potencial, espécie de "pagodeiro de Jesus". Só falta uma novela da Globo evangélica e uma versão "cristã" da cantora-gosma Paula Fernandes pra completar a breguice melequenta.

Embora o filme tenha sido lançado nos EUA há vários meses, aqui ele chega (e é comentado) bem na época em que se passa a trama: o Natal, o Ano Novo. A velha época das suscetibilidades e das emotividades, em que todo o mundo deseja saúde, paz e amor não apenas uns aos outros, como também ao flanelinha da esquina. Todo mundo é meu amigo; todo mundo é meu irmão. E no resto do ano, claro, que se fodam e de preferência que não me encham o saco e não me peçam nada. A hipocrisia é um negócio bonito de se ver, pela sua complexidade e, sobretudo, pela maneira como se repete até a exaustão na vida do ser humano.

Pois UM BRILHO NA ESCURIDÃO (cujo nome original é A glow in the dark ) conta a história de cinco pessoas nos dias que antecedem o Natal. Eles não se conhecem, aparentemente. Todos eles no estereótipo cristão de "procure Jesus, que ele vai lhe tirar do buraco". No bom sentido, claro.

Falando em Jesus e em buraco, vocês já notaram como as mulheres evangélicas sempre têm bigode e não se depilam? Pelo menos aonde a gente enxerga, claro. "Jesus nos quer cabeludas feito macacas, irmão".

Volto aos personagens. O principal deles é o já citado Baldwin, que está desempregado e completamente ferrado por causa da bebida. Perdeu a família; perdeu o emprego por último. Está sem dinheiro, o óculos amarrado com um arame, sem gasolina no carro (onde dorme, porque já não tem casa).

Além dele, uma idosa afastada da sua família.

E também uma mulher , cujo marido sofreu um acidente e está catatônico numa clínica, há alguns anos. Ela e o filho do casal estão tentando viajar e param num posto de gasolina onde o proprietário, solitário, faz amizade com a mulher. Como o marido dela está sem se mexer (presume-se que ele não mexa nada, se é que você me entende...) há anos ela, carente, "atropela" o dono do posto dizendo "você é um homem bonito...". Ela tem uma carinha de quem vai "grudar" o cara daqui a pouco. E ele também, claro.

Como o filme é "cristão", o cara - que é solitário - finge que não ouve, encabulado. Se fosse num filme brasileiro ele arrastava ela para o banheiro sujo dos fundos e transavam ali mesmo, vendo as melecas do nariz e os cocô-de-mosca, secos, grudados no azulejo branco. Sexo porco. Aquele negócio maravilhoso, do Demônio. Você já teve a oportunidade de visitar um banheiro de posto de gasolina na estrada? É podre. E a chave geralmente vem com um chaveiro do tamanho de uma bola de boliche, pra ninguém fugir com ela. Visite nas férias. Recomendo.

O outro personagem é o próprio dono do posto de gasolina que odeia o seu trabalho e queria uma vida melhor, mas ajuda a moça e o seu filho naquela noite solitária. Tem também um jovem pastor que acha que o seu trabalho, na Noite de Natal, de atrair gente para  a igreja, é inútil. Claro, ele conta com o estímulo do pastor titular da igreja, que - pelo amor de Deus - tem uma cara de quem participa de milícias racistas contra negros ou pratica pedofilia no banheiro do colégio.

O filme inicia bem e até engana nesse inicio como filme indie, mas depois que você passa a saber que ele é propositadamente um filme "cristão", se dá conta que está assistindo a uma porcaria. Não veja. Ou assista no Ano Novo, depois do show do Roberto Carlos. E chore.



FILME BELGA CUJO RESUMO É MUITO MELHOR DO QUE O FILME: RUNDSKOP (filme fora de circuito).

Sem tempo para comentar o filme, descaradamente copio o comentário da Internet:

O jovem criador de bois de Limburg, Jacky Vanmarsenille, é abordado por um veterinário sem escrúpulos para fazer uma negociata com um comerciante de carne de West-Flanders. Mas o assassinato de um policial federal, e um inesperado confronto com um misterioso segredo do passado de Jacky, deflagram uma cadeia de eventos de grande alcance. Rundskop é um emocionante drama sobre destino, inocência perdida e amizade, sobre crime e castigo, mas também sobre desejos conflitantes e a irreversibilidade do destino de um homem. (http://brtrailers.org/filmes/bullhead-rundskop/).

Filme BELGA, pesadão. O "misterioso segredo do passado de Jacky" é que o cara não tem os testículos (ui!), que lhe arrancaram num arroubo de violência infantil. O outro menino era malucão. Esse "emocionante drama sobre destino, etc..." é rigorosamente falso, o filme é sem graça.  Eu não veria de novo. Um sujeito sem os testículos deve ser muito recalcado. E esse é. Olha a cara de "sem bolas" dele aí na foto.