PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN: FILME DE FICÇÃO, BASEADO EM "BEST-SELLER DE SUPERMERCADO", QUE NÃO NOS ACRESCENTA NADA E AINDA NOS OPRIME (filme fora de circuito).

(Ambiente no qual escrevo: barulho de marretadas na parede há 10 horas contadas no relógio, cansaço imenso).

No último dia "útil" do ano, constato algo que eu já sabia: DETESTO obras. Repito: detesto. Adiada há anos a instalação de um aparelho de ar condicionado (que chamam de "splitt", mas na minha concepção o correto é "splitter") justamente pelo temor de que isso representaria sujeirada e quebradeira de paredes, quando ela foi finalmente posta em prática (no último dia do ano), veio  a confirmação que SEMPRE, sem exceções, vem nesses casos: a situação sempre é BEM PIOR do que se imaginava. Sempre tem alguém que diz "é fácil, faz-se um furinho na parede, uns parafusos, e o negócio está funcionando". No ano passado pusemos abaixo o banheiro e o piso da casa e eu quase enlouqueci.

A loucura, embora em algo aparentemente simples, voltou. E amanhã precisa-se comemorar o tal Ano Novo. Já há "trocentos" abestalhados estourando foguetes aqui no bairro: "dãããã, saúde pra dar e vender..."

Neste ano, a instalação do tal aparelho. Nunca é "só um furinho", como dizem. Assim, do nada, surgem armários (que estão há anos nos seus lugares)para ser removidos; tubulações insuspeitas que ninguém sabia que estavam no meio da parede a ser furada; eletricistas e instaladores que gostam de complicar o "incomplicável". Um engenheiro com excesso de cuidados.

Nem vou comentar a questão de se encontrar um pedreiro; esse recusar, encontrar-se um segundo; esse aceitar mas no dia e horário marcado não aparecer e sequer se dar ao trabalho de avisar que não viria. Nem vou comentar o fato de que sempre se gasta mais dinheiro e tempo do que se imaginava no inicio. Nem vou comentar o fato de ser um "quase feriado" e a Cidade estar vazia e, por isso, com muita coisa corriqueira do comércio (um simples fio ou uma bucha de parafusos) inacessível para comprar, mesmo que você seja rico. E eu não sou, obviamente. Nem vou comentar a questão de acordar-se cedo e passar o dia com esse barulho infernal na cabeça ou andando pra cima e pra baixo; de carro ou a pé. Ontem dois armários me caíram sobre a cabeça, enquanto eu tentava, sozinho, sacá-los da parede. Quebrei a porta de vidro de um deles. Mais uma coisa para consertar.

Nesta hora, até a faxineira que, teoricamente, vem para ajudar, é um estorvo. O cara que vai montar o armário é um alvo em potencial. Roupas, móveis e utensílios de várias naturezas estão espalhadas por toda parte. Na minha mesa de trabalho há xícaras e pires; copos, vasos. Para o bem ou para o mal, esta sempre foi  uma casa implacavelmente organizada e seus membros se acostumaram a isso. Aqui ninguém lida bem com a bagunça; com sujeira; com coisas fora dos lugares. Quando isso ocorre, os animais selvagens que habitam no interior de todos nós afloram e está instaurado o caos. Nos últimos dias do ano. E não tem hora pra terminar. Prometeram para amanhã, sábado, dia 31 de dezembro. "Vai ficar faltando só a canaleta do caralho". Duvide-o-dó. Vou-me embora daqui. Me chamem quando estiver tudo pronto, pintado e funcionando.

Não tenho nervos pra isso. Foi um ano cansativo. Trabalhei demais em 2011. Não me queixo do trabalho e até gosto, mas minha resistência está sensivelmente minada para "manobras radicais".

É nesse contexto que vi PRECISAMOS FALAR SOBRE  O KEVIN(We Need To Talk About Kevin), filme baseado em mais um "besta-seller" de mesmo nome, daqueles do tipo "O Caçador de Picas", que vendem no supermercado. A capa do livro está acima, o menino de máscara de gato, que você certamente já viu numa gôndola.

Considerando que se trata de um filme não-baseado em fatos reais, torna-se uma história completamente desnecessária. Porque não tem "moral" alguma, embora alguns críticos imbecilizados digam "ohhh!!" e enxerguem no filme discussões sociológicas intermináveis. Pode até ser, para a cabeça doentia do povo americano, onde adolescentes se fingem de puritanos e ao invés de se masturbarem como todo mundo nessa idade faz, entram numa escola com um rifle e matam coleguinhas.

E digo que o filme tem uma história "desnecessária" porque ele é, na verdade, uma colagem de várias discussões já vistas em outros filmes. E, como eu disse e repito, o fato do livro (e do filme) não ser baseado em fatos reais nos afasta do centro de interesse. Pra que vou assistir uma história INVENTADA que é doentia e não me engrandece ou emociona em nada?

A única nota digna de admiração é a INTERPRETAÇÃO da atriz TILDA SWINTON (sempre fisicamente horrorosa, aliás) , que faz bem o seu trabalho de "mãe confusa" no filme. A atriz tem a seu favor a sua feiúra (ninguém pode alegar que ela ganha papéis pela sua beleza), pois ela é uma espécie de "Uma Thurman mais velha". Uma "alemoazona" daquelas compridas e assexuadas que se vê aqui no interior Rio Grande do Sul. Que geralmente são professoras de piano ou História em escola pública  e que morrem solteironas, na casa da mãe, comendo cuca e tomando chimarrão. O único homem nas suas vidas é o dedo médio.

A personagem principal do filme é Eva Katchadourian, uma mulher prática e voltada para a sua vida profissional, casada com um abobado (feito pelo bom ator de comédias JOHN C. REILLY, aqui em papel dramático). Nasce o filho Kevin, que cresce sob essa rejeição (disfarçada) da mãe e ele próprio passa a rejeitá-la, devolvendo-lhe a falta de amor. Já pequeno tem diálogos sarcásticos e improváveis com os pais, para uma criança em tão tenra idade. Várias idades, aliás, pois mostra o menino crescendo. Quando adolescente, ao invés de sarcástico o ator que interpreta o personagem só consegue fazer umas performances com caras, bocas e trejeitos de "bicha-má", sem convencer ninguém. Fica parecido com o Chuck, O Brinquedo Assassino.

Crescido, o menino estréia na "carreira criminal" ao estilo "vingando-se de todo o colégio", tão ao gosto dos tantãs americanos. Além dos colegas, ele vinga-se do pai (de quem aparentemente gostava) e da irmã mais nova (uma criança!), que ele já havia cegado com produtos de limpeza, alguns anos antes.

O único mérito do filme, como eu disse, é a interpretação de Tilda Swinton. Mas é uma interpretação tão sombria e opressiva, que você - mais uma vez - se pergunta porque cargas d´água vai entrar na porra de um cinema e pagar pra ver um filme que lhe deixe MAIS angustiado, por coisas que sequer aconteceram na vida real?

Só veja se quiser entrar o Ano Novo com o pé ESQUERDO, achando que o mundo é uma merda e que em 2012 ele deva, mesmo, acabar, conforme prometem as profecias.

Não, nós NÃO PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN.

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