FILMES REAIS DE ANO NOVO: GASTANDO O TEMPO DE 2011.
(Ambiente: músicas diversas; fumo um charuto cubano Fonseca)
Obra terminada aqui em casa, faxina idem. A casa voltou ao normal. O split (ainda acho que o certo é spliter)que vai manter-me fresco (opaaaa!) enquanto trabalho, está devidamente instalado.
A Cidade está ainda pior do que antes; mais vazia, parece que a bomba atômica acabou de explodir. Dizem que só as baratas sobreviverão à Hecatombe. Além das baratas, acrescento os velhos e os "despirocados" (cuma?), categoria da qual mais me aproximo, pois é esse tipo de gente que se encontra vagando pelas ruas. Lá no Shopping havia até uma juíza de Direito que foi minha colega de faculdade. Qual a "categoria" na qual ela se enquadra?
Numa rua deserta, um casal (feio e pobre, não aqueles dos filmes americanos) se beijava ardorosamente. Na outra, três sem-teto riam, animadíssimos e abraçados (provavelmente bêbados), olhando para um terreno baldio. Talvez fossem três gays sem-teto, pois estavam bem abraçados. E riam, como se o mundo tivesse acabado de ser inaugurado.
Nem FELLINI faria um filme igual a Porto Alegre num dia assim. E eu, de fora, olhando os peixes dentro do aquário. De fora?
Fui ao Shopping Moinhos (que fecha daqui a poucos minutos) comprar este charuto que estou fumando. A Tabacaria Domenico vende, além de charutos, outros brinquedos "de homem": facas (ainda vou fazer um curso de combate com faca, que só existe em São Paulo...); canetas; isqueiros; chaveiros; cachimbos; fichas e material para jogo (poquer e outros) e uma porção de outras bugigangas.
Curiosamente, duas mulheres maduras (quem sabe mãe e filha; a mais nova tinha idade indefinida, talvez tivesse a minha idade e eu simplesmente não me enxergue) compravam um globo terrestre e comentavam que o mapa mundial se modificava todos os dias, ao sabor dos forrobodós políticos. Sem ser chamado (hã?), me meti na conversa. Dali o negócio descambou pra jogo e elas compraram, pasme, uma carpeta, pano verde pra jogo. Uma disse que a outra estava se entregando "ao vício". Eu disse "já que está viciada, leve também uns charutos". E a conversa descambou para os charutos. Ela me perguntou qual o melhor charuto cubano. Eu disse que era pessoal e que dependia de gosto, mas o folclore dizia que os mais caros eram feitos em Vuelta Abajo, "enrolados na coxa de uma mulata". O cara da Tabacaria se meteu e disse que nenhum era feito mais manualmente, e que por isso o negócio da coxa da mulata não se aplicava mais. Então uma das mulheres (que se mostrou culta; o botox não chegou a interferir no cérebro) me perguntou se o problema era a falta de mulatas em Cuba. E tudo virou uma grande gandaia, promovida por mim. Feliz Ano Novo no balcão da Tabacaria.
Dali, com os charutos debaixo do braço (força de expressão, porque amassaria e ficaria com "gosto de sovaco") resolvi ir na Livraria Saraiva. A minha filha, depois de uma conversa estranha com uns amigos skatistas (que andam de skate) resolveu interessar-se por Maçonaria (what a fuck?), da qual ela nunca havia ouvido falar e achou o máximo ("como é que eu não soube antes que isso existia?"). Eu fui procurar e achei um livro sobre o assunto. Ela ficou feliz. O último livro comprado por mim neste ano.
Na volta, inesperadamente, resolvi correr na pista do CETE (no Menino Deus), já que estava "vestido adequadamente" para isso. Fui até lá (havia uns vinte tantãs correndo lá), parei na beira dela (a pista, cabeção!) e solenemente...desisti. Só corro no ano que vem, não estava a fim.
Pra finalizar o inusitado de 2011, acabei de receber um torpedo de Ano Novo perguntando se "vocês vão pra lá?" Como eu não sabia de quem era, e perguntei, veio a resposta: "Beatriz, de Manaus". Acontece que eu jamais estive em Manaus e não conheço nenhuma Beatriz. Foi a última pessoa que eu "conheci" neste ano. Até agora.
Agora comento um filme sobre "gastar o tempo".
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