"FILME CRISTÃO" COM PRETENSÕES A FILME INDIE AMERICANO: UM BRILHO NA ESCURIDÃO (filme em DVD).

Com vários trabalhos urgentes para fazer, eu não podia estar aqui. Mas preciso dar um tempo no trabalho. Então resulta que por "alívio da mente" de tanto escrever (aquela história de descansar carregando pedras...), aqui estou. Hoje é o Dia da Justiça e, por causa do feriado no Fórum, minha ida até lá foi abortada.

A verdade é que não tenho nada de muito importante, em termos de cinema, para comentar.

O filme UM BRILHO NA ESCURIDÃO tem uma pretensão indie mas, como quase todo americano, nos engana por algum tempo e acaba se revelando no final. Eles - os americanos -  têm uma dificuldade magnífica de fazer algo que não seja "um conto de fadas". Tenho sérias dúvidas sobre ser uma dificuldade deles em fazer cinema e escrever livros  ou se é apenas um reflexo da vida meio idiotinha que eles realmente levam.

Esse, para mim, ainda ficou PIOR, quando descobri (depois de ver o filme, lendo na Internet) que se trata de um "drama cristão". Acontece que o ator principal (na capa), STEPHEN BALDWIN, eu soube depois, agora é um evangélico fervoroso. Provavelmente, como todo evangélico, depois de ter feito alguma merda muito grande na vida. Pelo que apurei na Internet, ele "dá testemunhos" em igrejas, mundo afora.

Eu atravesso a rua quando vejo um evangélico vindo na minha direção com aquela Bíblia ensebada debaixo do braço. Noutro ganhei uma Bíblia, em miniatura, de um dos porteiros daqui do prédio. Não sei se ele gosta de mim ou se acha que eu preciso de salvação. Deu-me a bibliazinha (num chaveiro, com alguns salmos) e um folheto "da minha igreja" (lá dele).

O porteiro é bacana e a parte boa de alguém ser evangélico é que geralmente eles são contidos, educados. Mas passo longe de evangélicos por conta de uma experiência pessoal com um deles na minha vida;um crápula (que hoje se diz "pastor")que só me ferrou. E, afora isso, não apenas pela mania que eles têm de tentar nos doutrinar, mas pela falsidade ideológica na qual vivem. E também, claro, pela breguice.  Um evangélico é um brega em potencial, espécie de "pagodeiro de Jesus". Só falta uma novela da Globo evangélica e uma versão "cristã" da cantora-gosma Paula Fernandes pra completar a breguice melequenta.

Embora o filme tenha sido lançado nos EUA há vários meses, aqui ele chega (e é comentado) bem na época em que se passa a trama: o Natal, o Ano Novo. A velha época das suscetibilidades e das emotividades, em que todo o mundo deseja saúde, paz e amor não apenas uns aos outros, como também ao flanelinha da esquina. Todo mundo é meu amigo; todo mundo é meu irmão. E no resto do ano, claro, que se fodam e de preferência que não me encham o saco e não me peçam nada. A hipocrisia é um negócio bonito de se ver, pela sua complexidade e, sobretudo, pela maneira como se repete até a exaustão na vida do ser humano.

Pois UM BRILHO NA ESCURIDÃO (cujo nome original é A glow in the dark ) conta a história de cinco pessoas nos dias que antecedem o Natal. Eles não se conhecem, aparentemente. Todos eles no estereótipo cristão de "procure Jesus, que ele vai lhe tirar do buraco". No bom sentido, claro.

Falando em Jesus e em buraco, vocês já notaram como as mulheres evangélicas sempre têm bigode e não se depilam? Pelo menos aonde a gente enxerga, claro. "Jesus nos quer cabeludas feito macacas, irmão".

Volto aos personagens. O principal deles é o já citado Baldwin, que está desempregado e completamente ferrado por causa da bebida. Perdeu a família; perdeu o emprego por último. Está sem dinheiro, o óculos amarrado com um arame, sem gasolina no carro (onde dorme, porque já não tem casa).

Além dele, uma idosa afastada da sua família.

E também uma mulher , cujo marido sofreu um acidente e está catatônico numa clínica, há alguns anos. Ela e o filho do casal estão tentando viajar e param num posto de gasolina onde o proprietário, solitário, faz amizade com a mulher. Como o marido dela está sem se mexer (presume-se que ele não mexa nada, se é que você me entende...) há anos ela, carente, "atropela" o dono do posto dizendo "você é um homem bonito...". Ela tem uma carinha de quem vai "grudar" o cara daqui a pouco. E ele também, claro.

Como o filme é "cristão", o cara - que é solitário - finge que não ouve, encabulado. Se fosse num filme brasileiro ele arrastava ela para o banheiro sujo dos fundos e transavam ali mesmo, vendo as melecas do nariz e os cocô-de-mosca, secos, grudados no azulejo branco. Sexo porco. Aquele negócio maravilhoso, do Demônio. Você já teve a oportunidade de visitar um banheiro de posto de gasolina na estrada? É podre. E a chave geralmente vem com um chaveiro do tamanho de uma bola de boliche, pra ninguém fugir com ela. Visite nas férias. Recomendo.

O outro personagem é o próprio dono do posto de gasolina que odeia o seu trabalho e queria uma vida melhor, mas ajuda a moça e o seu filho naquela noite solitária. Tem também um jovem pastor que acha que o seu trabalho, na Noite de Natal, de atrair gente para  a igreja, é inútil. Claro, ele conta com o estímulo do pastor titular da igreja, que - pelo amor de Deus - tem uma cara de quem participa de milícias racistas contra negros ou pratica pedofilia no banheiro do colégio.

O filme inicia bem e até engana nesse inicio como filme indie, mas depois que você passa a saber que ele é propositadamente um filme "cristão", se dá conta que está assistindo a uma porcaria. Não veja. Ou assista no Ano Novo, depois do show do Roberto Carlos. E chore.

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