FILME ARGENTINO "DO INTERIOR", EL DEDO NÃO É UMA OBRA-PRIMA MAS CONVENCE, SOBRETUDO PARA QUEM GOSTA DE FILMES VINDOS DALI DOS NOSSOS VIZINHOS (filme fora de circuito).

(Ambiente: vinho Colheita Tardia (Brasil), charuto Fonseca (Cuba), música do Pink Martini (EUA)

Trabalhando feito um camelo a semana inteira, ontem estive boa parte do meu dia trabalhando numa agência de propaganda no Morro de Santa Tereza, do qual se pode desfrutar uma bela vista desta Cidade. No trabalho, não tem refresco. Trabalharei amanhã porque há muita coisa para entregar na segunda e, se tudo correr bem, hei de achar um tempo para correr lá na pista neste domingo. Sangue de Jesus tem poder, já dizia uma mulher na novela no tempo em que eu assistia novelas.

Depois dos novos computadores adquiridos, também dei uma turbinada (o dobro) na banda larga e, aproveitando, ainda num "pacote" da  TV. Sempre tive TV a cabo da Net e banda larga da Brasil Telecom (atual OI). Troquei a Brasil Telecom pelo Vírtua da Net, com o dobro de capacidade. Como é natural, o técnico atual sempre esculhamba o anterior. E esse de ontem "acusou" o outro de não instalar direito o tal HD da qualidade da imagem. Resultado: há anos (acho) eu - como um bom trouxa -  já pagava por uma imagem HD e não tinha disponíveis os canais em HD. A diferença entre o HD e o convencional é espantosa. A minha TV não é uma das "top". É uma Sony Bravia que há em qualquer suíte de motel. Se fosse uma daquelas top-hd-full-plasma-digital-fodona a imagem talvez fosse melhor. Mas é muito legal, assim mesmo. Curiosamente, a primeira imagem que vi na nova qualidade (e que me chamou a atenção) foi o ranho de uma criança na India ou no Paquistão, sei lá. Hoje acho que vou ver a luta do Rogério Minotouro (irmão gêmeo do Rodrigo Minotauro, que também irá lutar), já na nova qualidade, só que é preciso pagar pois é pay-per-view. Adoro lutas.

Hoje, esperando a Lívia na aula particular, demos eu e a Claudia uma volta pela "área dos ricos", na Bela Vista. É bacana de se ver o "aquário" em que eles vivem. É um aquário, que a gente assiste de fora e se diverte. Ficar olhando os peixes dourados e vistosos, "lindos"(eles se acham,claro). São todos iguais e se imitam, sem qualquer auto-crítica.  Não se enxergam. Na Praça da Encol isso é uma diversão. Além disso, é curioso na região como ao lado das casas, edifícios e condomínios de luxo ainda remanescem encravadas algumas velhas casas de madeira, de gente pobre.  Os nossos ricos porto-alegrenses; todos inteligentes, conscientes e humanos, deviam fazer um abaixo-assinado ao Prefeito Fortunatti (que tem fortuna no nome, embora no meu tempo de bancário - Anos 80 -  ele fosse um pé-rapado que distribuía panfletos de propaganda sindical, vestindo uma camiseta vagabunda) pedindo que um helicóptero derramasse alguns quilos de napalm (explosivo plástico usado na Guerra do Vietnã, proibido pela Convenção de Genebra) sobre as casas dos pobres na Bela Vista. Seria o justo, explodir toda aquela feiúra. A beleza e a estética dos ricos precisam ser preservadas, em Porto Alegre. Afinal, somos uma elite.

Filmes? Nada  muito bom, ainda.

O filme EL DEDO é argentino, é verdade, o que garante boas procedência e qualidade. Mas esse não é de "temática portenha" (originário da Capital, Buenos Aires), porque foi rodado no Interior do País vizinho. E perde um pouco na qualidade, mas ainda assim é um bom filme.

Ele não tem uma temática muito profunda, mas explora o realismo-fantástico-interiorano como acontece em O Bem Amado (do Dias Gomes) ou no Incidente em Antares (do nosso excelente ÉRICO VERÍSSIMO, em letras maiúsculas, um dos únicos gaúchos que presta, junto com o filho, Luis Fernando).

No filme, Don Hidalgo, um líder rural canastrão e demagogo (excelente, todo de preto; o chapéu inclusive) no interior da Argentina dos Anos 80 (Governo Raul Alfonsín, me lembro dele) anuncia que, com o nascimento de seu 501º residente, o vilarejo se torna uma cidade, o que significa que sobe de categoria. Com isso, pode-se ter um prefeito local. E, claro, ele, Hidalgo, acha que é a melhor opção para o cargo

Só que  Baldomero, irmão mais velho do dono da mercearia (que se chama Florencio, um baixinho tímido, na foto da capa), é considerado por muitos na vila o candidato ideal. Um dia Baldomero é morto na beira do riacho, porque estava "comendo" a mulher do açougueiro local e o marido flagra os dois em pleno ato. O irmão dele, Florencio, resolve jurar vingança e cortar o dedo do irmão e guardá-lo num vidro, no balcão da mercearia.

A partir daí, por coincidência ou por atuação sobrenatural, o dedo de Baldomero passa a "falar" e a apontar as soluções para todos os problemas locais, conseguindo inclusive "candidatar-se" ao cargo de prefeito...

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