
NOVO FILME DE SOFIA COPPOLA, QUE RECÉM ESTREOU NOS ESTADOS UNIDOS, PARA ENCERRAR O ANO: SOMEWHERE, FECHANDO 2010 EM GRANDE ESTILO NO CINEMA (filme fora de circuito).
Foguetes para todo lado nesta noite, já cumpri parte dos meus rituais de final de ano que incluem uma corrida na noite de Natal (geralmente na pista da UNISC, em Santa Cruz, como foi neste ano) e outra ao escurecer da noite do último dia do ano. Esta última geralmente eu corro na rua mesmo, aqui em Porto Alegre. Na rua deserta ou quase deserta.
Desta vez escolhi o entorno do Shopping Iguatemi, que equivale a uma pista de corrida, dando por lá cinco voltas enquanto caía a noite (e ventava bastante). Aliás, é curioso ver como em noites destas sempre há solitários nas ruas e eu me dedico a observá-los. Lá no Iguatemi havia homens e mulheres sozinhos. Não muitos, é verdade. Mas havia representantes dos velhos (um homem e uma mulher) e dos jovens (duas meninas e um rapaz). Todos absolutamente sozinhos. E eu, claro, entre os jovens e os velhos, no meu lugar...
É o último filme comentado neste ano aqui no BUNDA. Ao final da postagem colocarei a hora em que eu terminei de postá-lo. E o filme é BOM. Muito bom.
A Diretora é SOFIA COPPOLA, filha de Francis Ford Coppola, consagrado Diretor de Hollywood. O negócio acaba sendo genético, a tal coisa do "filho de peixe". O filme se chama SOMEWHERE e aqui se chamará "Um Lugar Qualquer".
SOMEWHERE estreou há poucos dias, em dezembro, nos Estados Unidos e aqui não tem data prevista.
Boa parte do filme se passa no conhecido Hotel Chateau Marmont, preferido dos artistas endinheirados de Hollywood.
O filme conta a história de um ator famoso, chamado Johnny Marco (feito por um competente e interessante STEPHEN DORFF) que tem tudo o que quer. Anda de Ferrari, tem todas as mulheres que deseja e algumas simplesmente "aparecem" nuas na sua cama, assim do nada. Há uma curiosa dupla de gêmeas no filme, que se "apresentam" no quarto de Johnny, dançando, cada vez com uma roupa "temática", mas que não transam com ele. Apenas o distraem, às vezes até que ele pegue no sono. Tudo na vida dele (que na ficção seria muito famoso, quem sabe comparável ao Tom Cruise) é fácil e repetitivo.
Um dia, aparece (ou reaparece) na sua vida a sua filha Cleo, de onze anos. E ele passa a conviver com ela (aí na capa, os dois na piscina do hotel). O choque da presença da menina, criando uma vida "familiar" entre os dois; com ela cozinhando para ele no quarto do hotel ou jogando Guitar Hero, faz com que o ator veja que tem tudo que a fama lhe proporciona, mas que na verdade não tem absolutamente nada. Em dado momento ele liga para a ex-mulher, sozinho e desconsolado de saudades da filha, e diz "eu não sou nada, sou menos do que uma pessoa".
Eu sei que contando assim parece um filmezinho fácil, desses de Hollywood. E, mais, a Internet em toda a parte onde há críticas curiosamente chamam o filme de comédia, o que ele definitivamente não é.
É um filme sobre a fama e a solidão que ela traz, mesmo que se "queime todos os cartuchos" com a futilidade e o dinheiro disponível no mundo. Sobre os excessos. E sobre o amor do qual todos precisamos. Que, no caso de Johnny, vem simbolizado pela filha. E que faz, essa filha, com que ele se reencontre.
Um filme excelente. Com uma trilha sonora escolhida a dedo. E mais não posso dizer. São 22:51 e preciso me mandar para o Gasômetro, para ver o ano "virar por lá".
Saúde, trabalho e a nossa dose de felicidade. É tudo o que se quer.

























