Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme KILL SHOT.

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).

Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme ANTICRISTO.

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).

Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme TWO LOVERS (no Brasil, AMANTES).

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).

Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme SHAME.

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).

Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme AMOR À FLOR DA PELE.

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).


NOVO FILME DE SOFIA COPPOLA, QUE RECÉM ESTREOU NOS ESTADOS UNIDOS, PARA ENCERRAR O ANO: SOMEWHERE, FECHANDO 2010 EM GRANDE ESTILO NO CINEMA (filme fora de circuito).

Foguetes para todo lado nesta noite, já cumpri parte dos meus rituais de final de ano que incluem uma corrida na noite de Natal (geralmente na pista da UNISC, em Santa Cruz, como foi neste ano) e outra ao escurecer da noite do último dia do ano. Esta última geralmente eu corro na rua mesmo, aqui em Porto Alegre. Na rua deserta ou quase deserta.

Desta vez escolhi o entorno do Shopping Iguatemi, que equivale a uma pista de corrida, dando por lá cinco voltas enquanto caía a noite (e ventava bastante). Aliás, é curioso ver como em noites destas sempre há solitários nas ruas e eu me dedico a observá-los. Lá no Iguatemi havia homens e mulheres sozinhos. Não muitos, é verdade. Mas havia representantes dos velhos (um homem e uma mulher) e dos jovens (duas meninas e um rapaz). Todos absolutamente sozinhos. E eu, claro, entre os jovens e os velhos, no meu lugar...

É o último filme comentado neste ano aqui no BUNDA. Ao final da postagem colocarei a hora em que eu terminei de postá-lo. E o filme é BOM. Muito bom.

A Diretora é SOFIA COPPOLA, filha de Francis Ford Coppola, consagrado Diretor de Hollywood. O negócio acaba sendo genético, a tal coisa do "filho de peixe". O filme se chama SOMEWHERE e aqui se chamará "Um Lugar Qualquer".

SOMEWHERE estreou há poucos dias, em dezembro, nos Estados Unidos e aqui não tem data prevista.

Boa parte do filme se passa no conhecido Hotel Chateau Marmont, preferido dos artistas endinheirados de Hollywood.

O filme conta a história de um ator famoso, chamado Johnny Marco (feito por um competente e interessante STEPHEN DORFF) que tem tudo o que quer. Anda de Ferrari, tem todas as mulheres que deseja e algumas simplesmente "aparecem" nuas na sua cama, assim do nada. Há uma curiosa dupla de gêmeas no filme, que se "apresentam" no quarto de Johnny, dançando, cada vez com uma roupa "temática", mas que não transam com ele. Apenas o distraem, às vezes até que ele pegue no sono. Tudo na vida dele (que na ficção seria muito famoso, quem sabe comparável ao Tom Cruise) é fácil e repetitivo.

Um dia, aparece (ou reaparece) na sua vida a sua filha Cleo, de onze anos. E ele passa a conviver com ela (aí na capa, os dois na piscina do hotel). O choque da presença da menina, criando uma vida "familiar" entre os dois; com ela cozinhando para ele no quarto do hotel ou jogando Guitar Hero, faz com que o ator veja que tem tudo que a fama lhe proporciona, mas que na verdade não tem absolutamente nada. Em dado momento ele liga para a ex-mulher, sozinho e desconsolado de saudades da filha, e diz "eu não sou nada, sou menos do que uma pessoa".

Eu sei que contando assim parece um filmezinho fácil, desses de Hollywood. E, mais, a Internet em toda a parte onde há críticas curiosamente chamam o filme de comédia, o que ele definitivamente não é.

É um filme sobre a fama e a solidão que ela traz, mesmo que se "queime todos os cartuchos" com a futilidade e o dinheiro disponível no mundo. Sobre os excessos. E sobre o amor do qual todos precisamos. Que, no caso de Johnny, vem simbolizado pela filha. E que faz, essa filha, com que ele se reencontre.

Um filme excelente. Com uma trilha sonora escolhida a dedo. E mais não posso dizer. São 22:51 e preciso me mandar para o Gasômetro, para ver o ano "virar por lá".

Saúde, trabalho e a nossa dose de felicidade. É tudo o que se quer.


UM TREM DESCONTROLADO E CARREGADO FEITO UM ANO NOVO CHEIO DE ALEGRIAS: INCONTROLÁVEL, COM O NORMALMENTE CONTROLADO DENZEL WASHINGTON (filme de cinema).

O filme INCONTROLÁVEL está noticiado no jornal ZERO HORA de hoje, na sua última edição do ano, como uma PRÉ-ESTRÉIA nos cinemas em Porto Alegre, hoje ou amanhã. Mas eu já o assisti.

Considerando tratar-se de um filme americano, e de ter a figurinha carimbada do DENZEL WASHINGTON no seu elenco, claro, a gente está autorizado a não esperar muito de um filme assim. É filme para vender.

Mas ajuda que ele seja INSPIRADO (e provavelmente de forma distorcida) em eventos REAIS, acontecidos por lá.

O filme mostra o esforço de um condutor de trens, e o seu auxiliar novato, para parar uma composição de várias toneladas que, por negligência de um maquinista, acabou saindo do pátio sem piloto e em alta velocidade. Os dois, claro, têm problemas nas respectivas vidas pessoais, para completar aquela merda de sempre dos filmes americanos: um perdeu a mulher com câncer e cuida das duas filhas; o outro está proibido pela justiça de aproximar-se do filho pequeno. Para complicar só mais um pouquinho a vida deles e ajudar a vender o filme, o trem desgovernado transportava uma carga tóxica;combustível e gás venenoso. E eles vão tentar, com o seu próprio trem, resgatar o trem que anda sozinho.

Obviamente que aquilo que se vê no filme deve estar tão carregado de EXAGERO quanto o trem está de carga. O próprio Denzel, que faz o papel de um funcionário com 28 anos de empresa (e recém-demitido), não teria condições físicas ou mentais de correr em cima de um trem desgovernado, por exemplo. E, no entanto, corre. Me engana, que eu gosto.

Mas é um filme e, incrivelmente, conseguiu manter-me preso à poltrona e à tela, sem dormir. Gostei do filminho, mesmo eu tendo sido descaradamente ludibriado por ele.

E que 2011 venha como um trem INCONTROLÁVEL em nossa direção, cheio de alegrias, saúde e paz. O que é um trocadilho filho da mãe, mas eu não podia perder essa oportunidade.

Tem mais filme, ainda neste ano.


O GECKO.

Mandei tatuar, há alguns anos, no meu braço direito o símbolo da SALAMANDRA. Em inglês ela é chamada de GECKO (pronuncia-se "guêco").

Recentemente, mandei fazer - por uma artista plástica e joalheira que estudou em Milão - o pingente de prata que uso no cordão de couro, aí na foto. Uma hora dessas vou mandar fazer um outro de ouro branco. Ele custa caro.

Também a tenho nesse isqueiro aí na caixa de charutos. E o isqueiro é um objeto que produz fogo. Aliás, também não. Eu a fiz porque me encantei pelo seu desenho justamente nesse isqueiro. E mandei tatuar sem sequer saber qual o seu significado.

François I (o Rei da França) colocou em seus armários o símbolo de uma salamandra no meio do fogo e adotou a seguinte divisa: "No fogo vivo e eu o apago" [J'y vis et je l'éteins]. Na iconografia medieval ela representa 'o justo que não perde a paz de sua alma, nem a confiança em Deus no meio das atribulações. Para os alquimistas, ela é o símbolo da pedra fixada no vermelho. Eles deram seu nome ao enxofre incombustível deles [alquimistas ]. A salamandra que se alimenta do fogo e a Fênix, que renasce de suas cinzas são os dois símbolos mais comuns deste enxofre** [enxofre vermelho]".

A salamandra (que alguns sacanas chamam de "lagartixa", fazendo comparações meio maliciosas do tipo "subir as paredes, feito uma lagartixa"), é uma espécie de tritão que, supunham os antigos, era capaz de viver no fogo sem ser por ele consumido. Ele foi identificado ao fogo, do qual o bichinho era uma manifestação viva. Inversamente, atribui-se ao réptil também o poder de apagar o fogo, pelo poder de sua excepcional frieza. Para os egípcios, a salamandra era um hieróglifo do homem morto de frio. Comparam ela com a Fênix, também.

Por fim, e essa é uma interpretação que eu ouvi da própria artista que fez o meu pingente e que se encantou pelo meu símbolo, a salamandra - por andar de costas nas paredes e no teto sem cair - também significa a capacidade de adaptação a qualquer situação.

Portanto, encantei-me simplesmente pela estética de um símbolo e mandei tatuá-lo na pele sem conhecer o seu significado. E me dei bem. Que os seus significados, e os seus eventuais efeitos positivos, continuem me acompanhando em 2011.

Mas vêm mais filmes aí, ainda em 2010.


UMA MULHER MAIS VELHA DESPERTANDO O AMOR DE UM HOMEM MAIS JOVEM, NUMA COMÉDIA ROMÂNTICA BELGA LEVE E SEM GRANDES PRETENSÕES: MOSCOU, BÉLGICA (filme fora de circuito).

Ouço aqui - enquanto escrevo, fumo um Quintero e bebo uma Brahma Extra - o DVD do JOTA QUEST ao vivo, no Anfiteatro Por do Sol, em Porto Alegre. O Jota Quest fez questão na época de gravar aqui (preferindo a nossa Cidade, inclusive, a Belo Horizonte, de onde eles são), por conta da acolhida que sempre tiveram aqui, quando começaram a carreira, em 1996. Na época em que não eram conhecidos no Brasil, andavam até de ônibus aqui. E, por isso, o Bairro Nonoai (aqui pertinho de casa) entrou na letra de uma música deles.

Quando eles fizeram esse show do DVD eu assisti à passagem de som, quando chegava ao Fórum para trabalhar, pois é ali bem pertinho. O som era ensurdecedor e, estacionando o meu carro, lembro que pensei, olhando para o carro que vinha atrás: "puxa, um cara entra no estacionamento do Fórum com o som do carro nessa altura...". E não era o carro de trás; era lá no Anfiteatro. Um show magnífico que eu, infelizmente, e não sei qual a razão, não assisti ao vivo. Fui assistir eles no Planeta Atlântida deste ano de 2010 que se encerra hoje.

E falando no Anfiteatro, provavelmente estaremos hoje, na VIRADA DO ANO, lá na Usina do Gasômetro assistindo à queima de fogos, como todo ano, num ponto e num evento tradicional desta Cidade que me viu nascer e crescer e que, às vezes, sabe ser tão ingrata com a gente. Mas o amor por Porto Alegre existe, seja como for. A Cidade não tem culpa das cabeças atrofiadas que moram nela.

Mais um filme. Estou "desovando" os mais recentes vistos. Alguns meia-boca. Mas outros bons, ainda. Esse MOSCOU, BÉLGICA acabou de sair dos cinemas aqui em Porto Alegre. Ainda é "fora de circuito", mas deve estar chegando ao DVD em seguida.

Há um bairro na Cidade de Ghent, na Bélgica, chamado Moscou. É lá que mora Matty (Bárbara Sarafian), uma mulher de 41 anos, mãe de três filhos e que está numa relação meio conturbada com o marido, que acabou de deixá-la por outra.

Um dia, indo ao supermercado, seu carro é batido por um caminhão. O motorista é Johnny (Jurgen Delnaet), de 29 anos, que se irrita pela batida e põe a culpa em Matty.

Batem boca, a polícia chega. E vão embora, cada qual para o seu lado, irritados com a confusão. Um dia, para surpresa dela, o motorista telefona. E acaba aparecendo na sua casa, logo depois.

Ela, aos 41, não sabe o que fazer, pois o "guri" de 29 anos está apaixonado. E ela tem três filhos para administrar (inclusive uma menina de 16 anos que está namorando outra menina) e o ex-marido, um artista plástico desorientado, que não sabe se fica com ela ou se vai embora.

Não é um filme grandioso, mas tem alguns momentos divertidos. E, entre esses, a dificuldade de Matty, aos 41, de lidar com a comodidade do casamento desfeito ou com a nova emoção do namoro com Johnny, um caminhoneiro mais jovem e romântico.

Quebra o galho. E recebeu o prêmio Acid em Cannes.


MAIS UM FILME AMERICANO "DE MALUCO" BASEADO EM FATOS REAIS: ALL GOOD THINGS (filme fora de circuito).

O nome do filme no Brasil será Entre Segredos e Mentiras, mas enquanto ele não chega aqui, prefiro tratá-lo por ALL GOOD THINGS ("Só coisas boas", em livre tradução) e é baseado em fatos reais.

Como sempre acontece em alguns fatos desse tipo nos Estados Unidos, eles são espantosamente reais. Chego à conclusão que os americanos têm uma propensão forte para o desequilibrio mental.

Um filhinho-de-papai rico se apaixona por uma mulher humilde (a KIRSTEN DUNST) e se casa com ela. No inicio, tudo é belo e bonito, eles montam um negócio (espécie de loja de produtos naturebas) chamada justamente de ALL GOOD THINGS e levam a sua vidinha, apesar do pai rico dele ser contra e desejar que o filho assuma os seus negócios. Embora "os negócios" do pai em questão sejam meio mafiosos (ele aluga lojas e apartamentos em lugares obscuros, onde nitidamente as pessoas que alugam dele são criminosas).

Com o tempo, e com o desejo da sua esposa de ter um filho, o tal herdeiro passa a reagir de forma absolutamente pirada, pois deixa claro que não quer ter filhos. Além disso, ela acaba descobrindo que um dos traumas do marido decorre do fato da mãe dele ter se suicidado na frente do filho.

Daí em diante, ele (o marido) começa a cometer uma série de desatinos e a esposa desaparece misteriosamente e ele se torna o principal suspeito. Outras pessoas em torno dele acabam sendo mortas, sempre de uma maneira estranha.

Não é um grande filme e só interessa porque os fatos são reais. Com o detalhe que nada foi provado contra o marido e a mulher até hoje não apareceu. Ele está solto e é empresário nos Estados Unidos. Que é uma terra de gente muuuuuiiito maluca.


WOODY ALLEN VOLTA A DIRIGIR EM LONDRES E FAZ UMA PROFECIA: VOCÊ VAI CONHECER O HOMEM DOS SEUS SONHOS (filme de cinema).

Assisto (ou apenas ouço, estou longe da TV), daqui, o DVD do show da AMY WINEHOUSE, ao vivo, em Londres. O show é muito bom e Amy, completamente ébria (ela bebe em cena, mas as nossas Maysa e Elis também bebiam...), é uma figura excêntrica. Além da excelente qualidade vocal dela, que parece uma negra cantando (a própria Billie Holiday era negra e alcoólatra, cantando maravilhosamente), o próprio grupo que a acompanha é formado por músicos negros. O mais divertido, no entanto, são dois deles, que não tocam nenhum instrumento, mas apenas fazem alguns backing vocals para ela. Ambos estão vestidos de ternos pretos, camisas brancas e gravatas pretas finas, como aquelas dos Anos 50. Um gordo e um magro. O gordo tem um chapéu, também preto. E esses dois negros, enquanto ela canta, dançam uma dancinha ensaiada ou coreografada muito legal, como aqueles antigos grupos de soul americano. Devem ser ingleses ou africanos, mas parecem americanos.

A música (e a cantora) até que combina com o filme comentado, não apenas pela personalidade como especialmente porque esse filme foi rodado na mesma Londres onde foi gravado o show de Amy.

Quem gosta de WOODY ALLEN, não perde nenhum dos seus filmes, mesmo que ultimamente ele não venha mais atuando neles, como ator. Eu sou um desses. Desde os meus dezoito ou vinte anos que acompanho os filmes dele. Nem sempre gosto, é verdade. E tem gente que ODEIA Woody Allen. De fato, não são comédias exatamente "fáceis". Ao assisti-las você precisa estar preparado para CAPTAR o lado engraçado das coisas e, sobretudo, as sutilezas do roteiro. Porque, ainda refletia ontem, que os filmes dele são daqueles que não trazem nada de escrachadamente engraçado.

Pelo contrário, são coisas da vida real. Salvo numa ou noutra piadinha leve, como quando o personagem de ANTHONY HOPKINS, que no filme tem 70 anos, toma um comprimido de Viagra e pede (com uma cara compungida) à namorada que espere mais alguns minutos para começarem a transar. E ela, bem mais jovem e impaciente, nem imagina o que ele tanto espera, pois não sabe que ele tomou o comprimido.

O título original do filme, em inglês, é You Will Meet a Tall Dark Stranger cujo significado pode até ser VOCÊ VAI CONHECER O HOMEM DOS SEUS SONHOS, numa espécie de gíria da Língua Inglesa. Mas a tradução literal não diz exatamente isso, porque essa expressão significa algo como "você vai encontrar um estranho alto e moreno". Seja como for, desta vez acho que a pessoa que escolheu o título em português acertou, pois do contrário não atrairia muito a atenção por aqui.

Esse título em português, aliás, é na verdade uma previsão feita por uma vidente (ou cartomante, talvez) no filme. E o filme é sobre relacionamentos difíceis, como sempre, e traição, velhice e mais algumas coisas óbvias mas bem contadas pelo olhar irônico de Allen que, ele mesmo com mais de 70 anos de idade, sempre põe o seu alter ego em algum dos personagens.

Em VOCÊ VAI CONHECER O HOMEM DOS SEUS SONHOS quem representa o Diretor é Alfie (justamente o Anthony Hopkins), um cara de 70 anos que vive dizendo que a juventude está nos seus genes. E que quer viver muito, naquela euforia típica do "daqui a pouco vou morrer e quero viver tudo, já". Então ele se separa de Helena, com quem foi casado por 40 anos.

Uma noite, chama uma jovem (e vulgar, excelente papel) prostituta ao seu apartamento de recém-divorciado e, claro, se apaixona por ela. E se casa com ela.

E Woody Allen sempre traz para os seus filmes as mesmas musas, todas muito recentes e novas no cinema. Assim como teve, uma vez, Mia Farrow (com quem foi casado e quebrou o maior pau depois), agora escolheu outras, com quem aparentemente não flerta mas que quase sempre as repete na escalação para os seus filmes. Estão nessa lista Scarlet Johansson, Penélope Cruz e, neste filme NAOMI WATTS que, convenhamos, é excelente atriz como as outras duas.

Ela faz a filha de Alfie, Sally, que é casada com o inseguro (e vagabundo) Roy, feito pelo ator JOSH BROLIN, o único americano no elenco, já que o filme foi todo rodado em Londres. Brolin está excelente; canastrão e barrigudo, com quase 40 anos e casado com a mais jovem Sally. O personagem dele, Roy, é o famoso "escritor de um livro só", que fez sucesso com um livro e que não consegue emplacar o segundo. E isso o assusta muito, claro. Além de não trabalhar e passar os dias em casa esperando pela resposta da editora, Roy na sua ociosidade passa a interessar-se pela vizinha do apartamento em frente, uma jovem e bela filha de indianos (noiva, aliás)a quem sempre vê da janela.

Sally, por sua vez, passa os dias aguentando Roy e as queixas da mãe Helena, que não se conforma com a separação e que - além de beber dia e noite - vira cliente de carteirinha de Cristal, a vidente, que lhe arranca dinheiro e promete mundos e fundos. A própria personagem da vidente é uma ironia de Allen que, segundo li numa entrevista, disse que as pessoas hoje em dia procuram muito mais "magos" desse tipo do que os psiquiatras, porque ambos dizem a mesma coisa (geralmente o que o "paciente" quer ouvir) e cobram bem mais barato. Sally trabalha na galeria de arte de Greg, feito por um ótimo ANTONIO BANDERAS, que aqui encarna - com aquela sua franjinha dos últimos tempos - o próprio amante latino. Greg se queixa que o seu casamento vai mal e Sally, com problemas em relação a Roy, começa a ficar seduzida pelo patrão...

O filme é divertido e leve, bom mesmo de se ver. E a vidente acerta pelo menos uma das suas previsões.


FILME MAL ROTEIRIZADO, SALVO PELO ELENCO BOM: GET LOW (filme fora de circuito).

Não tenho um único ("um puto", deu-me vontade de dizer) charuto em casa para fumar, nesta noite ventosa e fresquinha de quarta. Em compensação, pus a rodar ali no home teather o DVD onde o assombrosamente virtuoso CARLOS SANTANA toca a sua guitarra acompanhado da voz e do violão do não menos incrível DAVE MATTHEWS e eles executam, ao vivo, a música Love of My Life que começa numa baladinha e termina como um ritmo caribenho. Uma coisa louca.

Tenho trabalho e tenho cerveja gelando. E vinho. E espumante. E uísque. Um arsenal. Mas não beberei. Sendo assim, "fumo" um filme, o que para mim é tão bom quanto os outros pequenos (e breves) prazeres que a vida nos dá.

O filme é GET LOW, ainda sem versão para o português, mas suponho que possa ser traduzido por algo como "ganhe devagar". O gênero do filme segundo a descrição das críticas feitas a ele é comédia dramática e o roteiro é baseado numa história real.

Antes de falar do elenco, falo sobre o filme. Felix Bush (como o ex-presidente americano), é um velho mal humorado e sozinho que é meio temido e odiado numa pequena comunidade americana do interior, lá pelos Anos 30. Por conta de algo que aconteceu na sua vida no passado, ele se auto-impôs uma "prisão domiciliar" nos últimos quarenta anos.

Um dia, resolve que está na hora de planejar o próprio enterro. No entanto, ele quer o enterro em forma de celebração, pois também quer participar. Ou seja, deseja que o velório seja feito com ele VIVO !!!

O desejo de Felix é que todas as pessoas que compareçam ao velório contem uma história (geralmente ruim) que conheçam a seu respeito. Para que ele mesmo possa ouvir. E, pelo jeito, há muitas histórias ruins, pois ninguém gosta dele. Por fim, fará uma rifa entre os presentes à cerimônia, cujo prêmio são as suas grandes áreas de terra e a sua casa.

Ele pede isso primeiro ao padre, que além de não entender esse negócio de "velório de gente viva", repele Felix. Então ele conhece os sujeitos da funerária, que estão interessados no maço de dinheiro que Felix traz consigo, pois passou os últimos quarenta anos sem gastar nada. E decidem ajudá-lo a fazer o tal velório. Principalmente Quinn, o dono da funerária. Que é auxiliado por um jovem (e honesto) vendedor.

No meio disso há uma senhora (a atriz Sissy Spacek, também veterana) que recentemente voltou à cidade e que é uma das poucas pessoas que conversa com Felix. Ela claramente sente alguma coisa pelo velho rabugento. Ele parece não dar muita bola para ela, embora tenha consigo em casa uma velha fotografia de mulher jovem que, suspeita-se, seja aquela mesma senhora.

O filme tem pendores cômicos e dramáticos. Sobretudo sobre arrependimento, reabilitação, perdão, amor, cobiça, etc...Uma história americana completa, com moral e tudo. Só que o filme passa-se todo em torno dos preparativos para o velório de Felix e, em tese, deveria culminar com o mea culpa que ele faria na frente de todos, na cerimônia.

No entanto, a carga dramática é tão FRACA, que não consegue - por um único momento - emocionar a gente. O que é uma pena.

E isso porque o ELENCO, agora falo dele, é formado basicamente pelo excelente e veterano ROBERT DUVALL (que faz o papel de Felix) e pelo inconfundível BILL MURRAY. Os dois estão impagáveis, o primeiro como o protagonista e o segundo como Quinn, o malandro dono da funerária, de terno preto e bigodinho de cafetão.

O ator Murray é um sujeito cheio de histórias na vida real. Não tem um agente, ao contrário de todos os atores americanos. Ele é o seu próprio agente. Só faz os filmes que quer e quando quer. E é cheio de excentricidades. Espécie de "Tim Maia" gringo, as pessoas nunca sabem quando e SE ele vai aparecer numa gravação ou a uma entrevista, mesmo que tenha se comprometido a isso. E é muito conhecido dos americanos, sobretudo pelos filmes cult e de sucesso que faz. E, mesmo com todas as suas manias, não deixa de ser contratado, por causa da sua reconhecida genialidade na interpretação. Um dia eu atinjo esse status.

Recentemente li na Revista LOLA uma entrevista com ele na qual ele conta uma das suas histórias. Numa noite gelada, caminhava na rua em volta do hotel onde estava hospedado e passou um sujeito caminhando. Só os dois na rua, mais ninguém. Ele apressou o passo e "encostou" atrás do cara, cobrindo os olhos do outro com as mãos, naquela tradicional brincadeira de criança de "adivinhe quem é?". O cara, ao se virar e ter os olhos "desvendados", deu de cara - surpreso, naturalmente - com Bill Murray, que por lá ainda é um ator conhecido (principalmente pelo seu papel antigo em Ghost Busters, os Caçadores de Fantasmas). Murray olhou para o cara e disse "não adianta contar, ninguém vai acreditar em você...". Deu as costas e foi embora, assoviando, para o hotel. Imagine a cara do anônimo. Ninguém acreditaria mesmo.

É um cara desses, junto com o magnífico Robert Duvall, que faz parte do elenco desse filme. Se o roteiro termina de uma forma insossa, a gente consegue pelo menos aproveitar ao máximo as interpretações desses dois.

O filme esteve em cartaz nos Estados Unidos a partir de julho. Por aqui, ainda não se sabe quando ele aparece e nem mesmo se GET LOW vem direto para o DVD.


SOLIDÃO E LIBERDADE NA RELAÇÃO DE DOIS ERMITÃOS NA IRLANDA, EM NADA PESSOAL (filme em DVD).

O grande JOÃO BOSCO canta, na sua música Indeciso Coração, um verso que diz "Solidão e liberdade/Soledade uma paixão/Que adio sine die/Por ter não/Essa tal razão/Que vem com a Idade/Que vem com a felicidade/Que vem com outra ilusão..."

Solidão e liberdade. De vez em quando essas (sobretudo a primeira) não são situações ruins, mas verdadeiras necessidades do ser humano. Esse filme fala disso e da aproximação de duas pessoas que, cada qual com a sua idade e por razões diferentes, procuram por liberdade e desfrutam da solidão.

Em NADA PESSOAL ("Nothing Personal") isso é abordado na relação entre um homem maduro e uma moça de vinte e poucos anos.

Todas as resenhas sobre o filme dizem que a jovem "deixou o seu país" mas não dizem que país é esse. Pelos indicativos e pelo nome da atriz, presumo que o país da personagem seja a HOLANDA, mas não tenho certeza.

O fato é que essa mulher sofreu uma separação dolorosa e resolve botar a mochila nas costas e andar sem rumo, dormindo em barraca, pela Europa, mais especificamente pelos campos da Irlanda.

Na Região chamada Connemara, no oeste desse País, ela descobre uma casa isolada numa pequena ilha, onde vive Martin, feito pelo ator irlandês STEPHEN REA, que já atuou mais em Hollywood mas que agora anda meio afastado dos filmes mais conhecidos. É um bom ator, mas com uma certa tendência aos filmes pesados, sombrios.

Martin é um cara de meia-idade que adora a solidão e a natureza, pela qual vive cercado. Entrando em choque de personalidades (provavelmente por serem parecidos) desde o início, Martin oferece a ela (que não tem nome no filme; ele se refere a ela como "ei você aí...", assim mesmo, entre aspas) TRABALHO (na horta da casa!) em troca de cama e comida.

Com os dois entrando em choque sempre que um tenta invadir a privacidade do outro, combinam que sempre que um fizer uma pergunta "proibida", compromete-se a CANTAR para o outro, como pagamento. Falando assim, até parece divertido, mas a verdade é que isso representa sempre um choque entre eles. Porque estabeleceram que não precisam saber NADA das respectivas vidas pessoais para conviverem e manter a solidão e a liberdade faladas no inicio.

O problema, claro, é que quanto maior o interesse que uma pessoa tenha pela outra, especialmente sendo homem e mulher, naturalmente que as perguntas vão surgindo. Nesse caso, a compreensão e a cumplicidade fica mais nos gestos. E, curiosamente, a provável e esperada relação afetiva-sensual desabrocha muito mais para ela (que no inicio acha ele "um velho") do que para ele.

Essa cena que você vê na capa do filme aí em cima, inclusive, não é exatamente aquilo que parece. E representa um momento de grande intensidade dramática do filme.

NADA PESSOAL é bem bacana e foi o vencedor de cinco importantes prêmios no Festival Internacional de Cinema de Locarno (entre os quais o de melhor interpretação feminina, melhor obra e o prémio da crítica), entre outros prêmios em diversos Festivais, e foi dirigido por Urszula Antoniak. Talvez você já o encontre em DVD.



O DUELO AFETIVO ENTRE O NAMORADO E O FILHO DE UMA MULHER EM CYRUS (filme em DVD).

As festas de final de ano sempre parecem algo distante em janeiro, por exemplo. Mas elas chegam rapidinho e quando menos se espera, estamos perto delas e as lojas estão cheias de papais-noel, bolinhas coloridas, guirlandas e toda aquela papagaiada que nós importamos dos lugares onde há neve. Lá por meados de novembro, as festas passam a fazer parte de uma expectativa e de planos (presentes, a festa em si, viagem, etc...) das pessoas.

Profissionalmente, viram "ponto de referência", geralmente para as pessoas PROTELAREM as coisas. Tudo passa a ser "depois do Natal"; "depois do Ano Novo" ou "só em janeiro". Uma semana como esta aqui (entre o Natal e o Ano Novo) é uma semana profissionalmente moribunda, ao menos em tese. Pouca gente circulando na Cidade, as empresas e clientes só entram em contato para pedirem "abobrinhas" e pequenas pendências. E a gente sabe que em janeiro, quando passar a letargia de sol e beberagem de "espumante", todo mundo voltará enlouquecido querendo resolver URGENTE, aquilo que, em dezembro, empurrou para janeiro.

Eu, de minha parte, não posso me queixar. Foi um ano de MUITO trabalho e de pouquíssimo descanso, até o seu final. Inclusive nesta semana morta, em que todo mundo está bebendo e chamando até aqueles parentes xaropes de "meu irmão" e desejando "muito-dinheiro-no-bolso-saúde-pra-dar-e-vender".

Tenho uma viagem de trabalho (com passagem e hotel já marcados) para os primeiros dias de janeiro e com trabalho graúdo, do outro lado do Brasil, para um cliente antigo que tenho em São Paulo.

De domingo pra cá trabalhei feito um condenado, finalizando um trabalho para uma grande agência de propaganda que pouco havia me procurado, na minha história de trabalho no meio publicitário. E que procurou-me justamente nesta semana entre o Natal e o Ano Novo e que pagou mais do que eu havia cobrado e, inclusive, antes de eu lhes entregar o trabalho, que agora já foi entregue.

Além dela, um outro cliente, também novo para mim, procurou-me, nesta mesma e exata semana. Para esse tenho um trabalho para terminar até sexta (dia 31 de dezembro) e esse cliente novo traz um sobrenome que, mencionado em qualquer esquina deste Estado e até de outros, é reconhecido, seja por um gari seja por um empresário.

Quer dizer, nesta "semaninha morta" eu me aproximei e tive reuniões pessoais com gente que, neste Estado, tem muita influência no mercado onde atua. E, o que é melhor, precisando dos meus serviços, por indicação. O que pode significar que 2011 será mais um ano profissionalmente bom.

Por tudo isso, tenho vistos bons e inéditos filmes, mas o que me falta - até o final do ano - é tempo para comentá-los. O CISNE NEGRO (BLACK SWAN), um exemplo desses e que comentei aqui, está rendendo notícias, que também já publiquei na postagem anterior a esta.

O filme CYRUS aparece, de um modo geral, na Internet e nas resenhas, como se fosse uma comédia. A própria expressão dos atores e a fisionomia engraçada de dois deles na capa do filme, aparenta uma situação cômica. E ele traz momentos engraçados. Mas não é exatamente uma comédia.

John (o ator JOHN C. REILLY) é um sujeito alto e de cabelo crespo, meio desengonçado e afetivamente imaturo ou instável. Sua ex-mulher vai se casar, e ele a trata e é tratado por ela como se fossem a irmã mais velha e o seu caçula. O noivo dela, inclusive, não sente ciúmes de John - mas apenas irritação com essa dependência - porque nota que a relação entre os dois é menos do que afetiva no sentido sensual, entre homem e mulher. John, ao enfrentar qualquer problema, corre para a ex-mulher como quem corre para a irmã ou a mãe, a fim de se aconselhar.

Um dia, numa festa (à qual foi por influência da ex-mulher e do seu noivo), John conhece Molly, que é interpretada por MARISA TOMEI, uma das minhas preferidas no cinema americano e uma das atrizes mais "inteiras" (fisica e dramaticamente) da minha geração. Desde O Lutador, que ela interpretou ao lado de Mickey Rourke, que eu não assistia a um filme com a Marisa Tomei. E ela continua em forma.

Ao conhecer Molly, John fica maravilhado, pois é a mulher da sua vida. O problema é que ela tem outro homem: CYRUS, o seu filho gordinho de 21 anos e tão dependente quanto John. CYRUS, no inicio, é uma mistura de gênio (compõe música eletrônica) com louco (parece um daqueles meninos cujo desenvolvimento mental não está completo). Ainda assim, recebe John civilizadamente e trata de demonstrar que está feliz pelo fato da mãe ter encontrado alguém legal e coisa e tal.

Aos poucos, porém, disputando o afeto de Molly, talvez por ver que ela pretende se casar com John, CYRUS começa a mostrar as garras. E a demonstrar que de louco não tem nada; embora igualmente dependente e imaturo, só que ardiloso e malandro, usando a fragilidade de Molly a seu favor.

Os diálogos e a disputa entre John e CYRUS não têm nada de pastelão. Pelo contrário, é um roteiro bem construído e escrito que é um espetáculo para quem aprecia bons argumentos e um show de interpretação. Os dois atores, além de Marisa Tomei, estão muito bons em cena.

O filme é feito "com a câmera na mão", literalmente, e em alguns momentos você percebe essa câmera trêmula e oscilando entre o rosto de um ou dos dois atores, abrindo num plano geral com ambos.

Música boa ajuda a garantir um bom filme que, se não me engano, já chegou em DVD. Veja.



A atriz Natalie Portman será mamãe!

A bela está noiva do coreógrafo Benjamin Millepied e espera seu primeiro filho. O casal se conheceu durante as gravações do filme “CISNE NEGRO”. Millepied, que é francês, é o bailarino principal e coreógrafo do New York City Ballet.

No filme, Natalie interpreta uma bailarina nova-iorquina. Sua atuação está sendo bastante elogiada. Ela foi indicada ao Globo de Ouro e, possivelmente, será indicada ao Oscar também.

Novo filme de Natalie Portman, “CISNE NEGRO” é destaque entre indicados ao prêmio “Critic’s Choice”, um dos principais apontadores para o “Oscar”.

O longa, que em seu pré-lançamento na América do Norte teve sessões esgotadas, alcançou 12 indicações na premiação, que segundo os organizadores, é um recorde nos 16 anos de evento.

Também estão na lista dos bem cotados a película “O Discurso do Rei”, com onze indicações, e os longas “A Origem” e “A Rede Social”, ambos com dez indicações. A lista com os dez filmes mais propícios a levar os prêmio de Melhor Filme e Melhor Diretor, também conta com “127 Horas”, “O Vencedor”, “Atração Perigosa”, “Toy Story 3” e “Inverno da Alma”. A premiação, que conta análise de 250 críticos dos Estados Unidos e Canadá, revela os vencedores na próxima terça-feira (14), em Hollywood, nos EUA. Vale lembrar que essa galera acertou os vencedores da categoria Melhor Filme em oito das dez últimas edições do evento.

Por aqui, o grande favorito ao prêmio, o longa “Cisne Negro” tem estréia marcada para 2 de fevereiro.




A GRANDE SENSAÇÃO DO CINEMA, RECÉM-ESTREADA NOS ESTADOS UNIDOS: BLACK SWAN, COM A MAGNÍFICA NATALIE PORTMAN E (O NÃO MENOS) VINCENT CASSEL (filme fora de circuito).

Fumo meu último Quintero cubano e bebo uma cerveja especial chamada Backer, que ganhei da minha irmã. É uma cerveja brasileira, feita em Minas Gerais. Muito boa. Ganhei uma clara, pilsen, e uma outra também clara mas de uma reserva especial, chamada Medieval, cuja espuma não é exatamente branca, e que vem fechada numa garrafinha escura e com a tampa lacrada por cera derretida !!!

Conheço o trabalho da atriz NATALIE PORTMAN desde que ela fez, aos 12 anos de idade, o filme O Profissional, no papel de Mathilda, ao lado de Jean Reno. Hoje ela tem 29 anos.

Já o ator VINCENT CASSEL, antes desse papel que vou comentar aqui trabalhou no filme brasileiro À DERIVA, também já comentado aqui, ao lado de Débora Bloch, onde fazia o papel de um francês (o que realmente é) e falando português fluente. É claro que Cassel trabalhou em inúmeros outros filmes e que muitos desses também foram comentados por mim, pois sou seu fã.

Pois o filme BLACK SWAN ("cisne negro") estreou nos Estados Unidos em 01 de dezembro último e no Brasil ainda não tem data prevista de estréia. Provavelmente no inverno de 2011 esteja chegando por aqui. O BUNDA NA POLTRONA, claro, comenta antes. O diretor, é bom dizer, é Darren Aronofsky, o mesmo que praticamente "ressuscitou" Mickey Rourke no filme O Lutador.

Vou começar pela parte ruim do filme: recheado de delírios da personagem Nina (feita pela Natalie Portman), exagera um pouco na dramaticidade e na violência desses recursos. Em vários momentos não se sabe se ela está realmente vivendo isso ou se são alucinações.

Afora isso, o filme é muito bom e Natalie Portman está chegando - cedo em idade, embora ela já interprete há 17 anos - ao auge da sua carreira como atriz. Além dela e de Cassel, estão no elenco a veterana (e ainda muito boa) Barbara Hershey e também Winona Ryder.

Nina é uma bailarina de Nova York. Tem 28 anos e vive com a mãe. Como se tivesse 12, o que se reflete até no se quarto, todo cor-de-rosa e cheio de bichos de pelúcia. Sem namorados, sem vida social. Só dança. E a pressão exercida pela mãe, que foi uma bailarina que se frustrou no passado. Justamente porque teve essa filha, Nina, indesejada, que a obrigou a abandonar a carreira. A mãe de Nina, feita pela já citada Barbara Hershey, está perfeita. Uma mãe dominadora, enciumada da própria filha e da sua carreira e juventude.

E aí entra o diretor Thomas Leroy (Vincent Cassel), arrogante e exigente, que é o responsável pela apresentação do ballet O Lago Dos Cisnes (leia sobre a história desse ballet em http://www.vetorial.net/~mmartinatto/links/rep/lago.htm).

Na história há dois cisnes: o cisne branco e o cisne negro, esse último em inglês BLACK SWAN.

Na nova temporada, Leroy resolve substituir (ou descartar) a bailarina anterior, Beth (Winona Ryder). Nesse mundo de glamour e de destaque, claro, isso significa o ostracismo e a destruição da bailarina que foi substituída. O que efetivamente acontece com Beth e a sua carreira.

A opção de Leroy é justamente Nina. Mas ela tem concorrente, que é a nova bailarina chamada Lily. E que ameaça Lily por várias razões. Primeiro, porque Leroy é um tirano que trata a todos como se fosse Deus e os demais apenas mortais. Segundo, porque além de tirano ele é também mulherengo e cada nova bailarina significa para ele uma possibilidade de fascínio e, claro, de cama. E por isso joga com as duas, claro.

Na verdade a mesma bailarina interpretará os dois papéis, o cisne branco e o cisne negro. O primeiro com inocência e graça; o segundo com malícia e sensualidade à flor da pele. E ainda que apenas UMA BAILARINA deva interpretar os dois papéis, o que Leroy tem são duas bailarinas com as características de cada cisne: Nina é o cisne branco pela pureza e ingenuidade e Lily é o cisne negro em pessoa.

Por iniciativa da sensual Lily, que não escolhe sexo para exercer essa sensualidade, as duas personalidades vão se aproximar e se chocar uma contra a outra. Nina vai conhecer e gostar do BLACK SWAN que há guardado na sua personalidade, revoltando-se inclusive contra a própria mãe. Que foi tão opressiva a ponto de fazer com que a doce Nina se auto-flagele e imponha a si mesmo dores FÍSICAS, além das dores morais que já sente.

O filme é intenso na música e na interpretação. Cassel e Portman estão absolutos e protagonizam, sem despir uma única peça de roupa, juntos (na foto acima), momentos de intensidade e de sensualidade.

Mas a grande estrela do filme é mesmo Natalie Portman que convence como a sua bailarina cheia de recalques e machucada, fisica e psicologicamente. O que certamente lhe garantirá uma indicação ao Oscar em 2011.

Quando o filme chegar por aqui, não perca.




Comentado aqui em AGOSTO deste ano, recém agora entra em cartaz nos cinemas de Porto Alegre o filme THE JONESES que, no Brasil, se chama AMOR POR CONTRATO (título horrível e que nada tem a ver com o filme).


Releia:


VÍDEO DA NOITE DE NATAL EM SANTA CRUZ DO SUL, RS.

Como todo ano manda a minha tradição, sempre que a minha família (esposa e filha) vão à missa de Natal em Santa Cruz do Sul eu vou para a pista de corrida da UNISC (Universidade de Santa Cruz) correr. Não é uma heresia e nem uma rejeição religiosa. Apenas um hábito que, de certa forma, também me aproxima de Deus já que em volta da pista a natureza é bonita e silenciosa. O que quebra o silêncio são os quero-quero, em bandos, gritando incomodados pela (rara) presença humana. Já estive sozinho lá em Natais anteriores, mas desta vez havia uns cinco outros caras (provavelmente com esposas e filhos na missa) correndo.

Neste Natal, o calor em Santa Cruz estava absolutamente sufocante, marcando mais de trinta graus, entre 19:30 e 20:30 horas. Não foi fácil correr as dez voltas a que me propus na pista olímpica com aquele "bafo". Mas corri. O que significa não apenas a comunhão com a natureza no Natal, mas também um propósito de perseverança (e esforço, e disciplina) no Ano Novo. Após a corrida, suado, enxarquei-me d´água numa das torneiras disponíveis, liguei o som do carro numa música suave e fiquei sentado na grama, extenuado e quieto, olhando para as ameaçadoras nuvens de chuva que então se aproximavam. O silêncio é legal, nessa hora em que anoitece. Ainda mais no Natal.

Meu silêncio foi quebrado depois pela chegada de um outro sujeito que estava caminhando na pista e que encerrava o seu exercício. Como o seu carro estava estacionado na beira da pista ao lado do meu (não havia outros), acabamos conversando amenidades e, claro, coisas de trabalho. Era um empresário carioca que mora por lá e que viaja pelo Brasil todo. Não são assuntos para depois de uma corrida, naquele calorão todo. E isso interrompeu o meu momento de paz. Mas, enfim, conversamos.

Saindo de lá, dei uma esticada no trajeto para ver as "luzes do Centro". Em Santa Cruz a via principal é formada por um túnel verde (árvores dos dois lados) e nessa época do ano eles fazem também um túnel de luz. Daí o vídeo abaixo. A música da trilha era a que tocava no CD do carro. Ao final do vídeo, o painel do carro (aparece rapidamente) indica o dia 24 de dezembro de 2010; às 20:34 horas e os 30 graus de calor que então fazia.




A FINA FLOR DA CLAUSTROFOBIA EM ENTERRADO VIVO (filme de cinema).

Se você não for claustrofóbico, vai gostar de ENTERRADO VIVO (Buried), pois o filme dura 95 minutos e se passa O TEMPO INTEIRO DENTRO DE UM CAIXÃO, com um único personagem. Portanto, não há muito o que comentar sobre ele.

O diretor é o espanhol Rodrigo Cortés o que talvez explique as críticas feitas, no filme, ao "sistema" norte-americano.

Ele conta a história de um motorista de caminhão que trabalha no Iraque e que, naquelas de "todo americano é mau ou um fuzileiro-naval em potencial", acaba preso (inconsciente) pelos rebeldes iraquianos, sem ter nada a ver com a guerra. E que quando acorda, está dentro do tal caixão.

Junto com ele, um celular (cujo menu é todo em caracteres árabes !!!); um isqueiro; um sinalizador (objeto que serve para iluminar e sinalizar pessoas perdidas) e uma faca.

Ele não sabe porque está ali, mas começa a correr contra o tempo e a falta de ar. Consegue falar pelo celular com os sequestradores e eles querem um resgate milionário (quando ele é apenas um motorista de caminhão...) e um vídeo gravado com o celular. Esse vídeo vai parar no YouTube e, ao invés de ajudar, atrapalha.

O filme é tenso, como se pode imaginar. E bem interessante, especialmente porque o diretor ESPANHOL puxou a brasa mais para o assado da Europa e não fez um filme daqueles que os yankee gostam, com aquele heroísmo deles e uma "moral da história", mesmo com o personagem e o ator (único ator em cena) sendo o americano RYAN REYNOLDS.

Ainda assim, eu deixaria para ver quando chegasse em DVD. Não iria ao cinema assistir um filme desses, que é melhor ver deitado no sofá. E "congelando" de vez em quando, pra não ficar pesado demais. Também não é um filme para se ver no Natal.



FILME FRANCÊS DE 2005 QUE CONTA UMA FÁBULA ADULTA PARA ALIVIAR A ALMA: ANGEL-A, DE LUC BESSON (filme em DVD).

Recentemente comentei aqui o filme Human Zoo, dirigido e estrelado pela dinamarquesa RIE RASMUSSEN, que já foi modelo e atriz e que naquele filme fazia a sua estréia na direção. Releia em: http://bundanapoltrona.blogspot.com/search?q=Human+Zoo&searchsubmit=Search

Esse ANGEL-A é na verdade uma fábula, ou uma alegoria sobre a desilusão; a frustração; a auto-estima; a fraternidade, a vida e o amor. E a protagonista feminina é justamente a Rie Rasmussen, aqui de cabelo loiro (ou descolorido), ao contrário de Human Zoo, onde ela aparece morena.

O filme é do consagrado (diretor francês) LUC BESSON e foi todo rodado em preto e branco, no ano de 2005.

ANGEL-A conta a história de André (o ator francês, e descendente de marroquinos, Jamel Debouzze, de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain), que é um trambiqueiro baixinho que deve a outros trambiqueiros, só que bem perigosos. E que deram um prazo a André para que ele pague as suas dívidas. E ele, obviamente, não tem de onde tirar o dinheiro.

Desesperado, ele vai a uma ponte ("o que não falta, nesta cidade, são pontes", diz ele numa cena do filme, referindo-se a Paris) decidido a acabar com a vida.

Só que no mesmo lugar, e também tentando o suicídio, está uma loira muito alta e bonita: Angela. Mais corajosa ou mais decidida, Angela pula na água e André, que tencionava se matar, resolve então salvá-la. E consegue. A partir daí, para o baixinho e feio André passa a ser inacreditável que uma mulher como aquela queira morrer. E mais: que queira andar com ele, dali em diante, pra cima e para baixo.

Só que Angela é alguém diferente. Com algumas características ou um dom ou uma "missão". E por aí o filme envereda pelo realismo fantástico, com muitas "morais da história", é verdade, mas de uma forma lírica e poética. Angela resolve os problemas de André (inclusive os de dinheiro) e ele, de certa forma, começa a criar um novo problema para Angela que é, ao mesmo tempo, uma descoberta afetiva para a moça.

Um filme leve e delicado, no qual a gente até esquece que foi rodado em preto e branco. A FOTOGRAFIA é muito bonita. Segue abaixo não um trailer, mas um clip legal com cenas do filme. Em época de Natal, ele cai bem. Em época de tanta desilusão e desamor, também.



UMA REFILMAGEM QUE CHEGARÁ AO CINEMA COMERCIAL AMERICANO SOMENTE EM 2011: TREZE, UM FILME TENSO E IMPERDÍVEL (filme fora de circuito).

O Estudio Paramount Pictures criou - há poucos anos - um selo chamado Paramount Vantage para criar, no meio dos filmes comercialóides (e excessivamente "americanos") que eles fazem, um oásis de filmes chamados "de arte". E fizeram vários desse tipo. Pois, acredite, não deu certo. A linha Vantage foi fechada por falta de público, o que me indigna profundamente.

Os filmes desse selo que ainda andam por aí, são os remanescentes de um lote que eles precisam "desovar" no mercado mundial para encerrar as atividades. E o filme TREZE é um desses.

Na verdade o filme IRÁ ESTREAR NOS ESTADOS UNIDOS EM 2011, e o BUNDA NA POLTRONA já comenta, aqui, com exclusividade e BASTANTE antecipação.

Trata-se, eu soube depois, de uma REFILMAGEM, de um filme chamado 13 Tzameti, que em 2005 venceu o Festival de Sundance. E que agora foi refeito com outros atores mais conhecidos e consagrados.

O filme é ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL. E definitivamente incisivo, nervoso, chocante. E bem filmado.

Os americanos parecem alimentar um certo fetiche por "sociedades secretas", de ricos e para ricos; espécie de "Maçonaria" só que, ao contrário da verdadeira; uma que não prega o bem e nem a elevação do Universo, mas que oculta a podridão e a ganância dos seus membros.

Tivemos isso com Tom Cruise (e Nicole Kidman, na época mulher dele) em De Olhos Bem Fechados no qual Cruise, fazendo o papel de um jovem médico, acabava acidentalmente entrando numa sociedade secreta, que funcionava num casarão onde ocorriam as maiores orgias sexuais entre ricos e mulheres. E onde gente morria, também.

No caso de TREZE, não há orgias sexuais no casarão frequentado pelos ricos. Mas há muitas mortes. E mortes que rendem milhões de dólares, pois os "jogadores" usam como ferramenta a própria vida.

O jovem Sebastian trabalha como eletricista informal, pois não tem a licença para praticar a profissão. Mora com os pais e a irmã. O pai está hospitalizado e eles não têm de onde tirar dinheiro para pagar a conta do hospital. Vão vender a casa que levaram anos pagando.

Até que um dia, trabalhando numa casa subido numa escada, ouve um diálogo entre os donos, um casal. E vê que o homem recebe, pelo correio, um envelope com instruções. Discute com a mulher e se suicida, sozinho no quarto. A mulher, desesperada, chama Sebastian. Que a ajuda. E que se apodera do envelope recebido pelo suicida, sem que ela veja.

A partir daí, começa a seguir as instruções do envelope e recebe outras. E as vai seguindo. Até acabar no casarão, de onde - isso ele vai descobrir depois - depois de entrar não poderá sair quando quiser. Acontece que Sebastian, substituindo o morto, é um "jogador". O jogador de número TREZE. E as pessoas que estão lá, todas muito ricas, apostam milhões de dólares em "jogadores" como ele. E os jogadores que restam, também saem de lá com uma bolada em dinheiro. Já os que não saem...

O jogo consiste num círculo de homens com números nas costas. E cada homem do círculo, sem olhar para os olhos do homem que está à sua frente, aponta um revólver para a nuca desse último e assim sucessivamente. Colocam duas (depois três) balas em cada revólver, giram o tambor e, quando a lâmpada (com o desenho de uma aranha) acender, devem apertar o gatilho. É a famosa ROLETA RUSSA, só que simultânea, com vários malucos. Vence aquele que resistir a mais rodadas, um único no final. Os demais têm os miolos estourados a cada rodada. Um jogo brutal e desumano. Assistido impassivelmente por homens vestindo smoking; apostadores em potencial, que vibram com os tiros (e as mortes) como se fosse uma partida de futebol.

A tensão maior do filme está na interpretação inatacável do elenco. Onde há nomes de peso e coadjuvantes conhecidos, mas não famosos, que fazem participações menores em filmes conhecidos. Alguns já bem velhos. Dos mais conhecidos, estão lá a dupla MICKEY ROURKE (para mim um dos melhores atores americanos) e o britânico JASON STATHAM, esse último especializado em filmes onde exibe suas grandes habilidades em artes marciais mas que, em TREZE, não dá um único soco em alguém. Em compensação dá alguns tiros. Aliás, Rourke e Statham trabalharam juntos recentemente em Mercenários, filme de Sylvester Stallone filmado no Brasil. Parece que os lutadores andam querendo fazer filmes dramáticos e que lhes exijam mais do que o uso dos punhos. O chinês JET LI, lutador inveterado e que também trabalhou em Mercenários, faz o papel de um humilde pai de um rapaz autista num drama chinês que comentarei aqui, em breve.

O filme explora o desequilibrio dos "jogadores" e também dos apostadores milionários. Imagine-se o que é estar com um revólver apontado para a sua cabeça e torcer para que não haja uma bala na câmara do tambor que estiver, naquele momento, alinhada com o gatilho e o martelo.

Um dos coadjuvantes mais interessantes é o sujeito que faz as vezes de "mestre de cerimônias" e que comanda o jogo, avisando cada fase a jogadores e apostadores. Ele fica de pé, no alto de uma escada dessas de pintor e, aos berros e gestos (cheio de tiques), com um olhar perfeito de alucinado, comanda o "espetáculo". Ele se parece fisica e mentalmente com um advogado que eu conheci há alguns anos. E que, por coincidência, colecionava armas e tinha algumas delas em quadros, na parede do seu escritório. Mas isso eu não posso contar aqui.

O filme vai chegar aqui, imagino, no meio do ano de 2011. Quando chegar, vá ao cinema assistir. É IMPERDÍVEL até o seu minuto final.