quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010





EU VOU!

Pois é, quando a gente é pai (e mãe, obviamente) acaba misturando, em algum momento da vida, as diversões de todos. Tive a sorte (ou a competência, minha e da Claudia) da nossa adolescente ter um gosto médio razoável, para música. E acabamos gostando MAIS OU MENOS das mesmas coisas. Então estaremos, os três, por lá, na Área Vip, perto do palco giratório que, dizem, tem a altura de um prédio de seis andares. Serão duas noites onde - nós, os pais - esperamos, sobretudo, pelo JOTA QUEST e pelo SKANK. Nossa filha espera (an-sio-sa-men-te, desesperadamente até) pela FRESNO. Já fez até um cartaz. Se aparecer no Canal Multishow, estarei ao lado do cartaz. Ou embaixo, provavelmente levando ela nos ombros.

Todos nós abominamos Victor e Leo; Armandinho; Pixote (nem sei quem é..., mas já odeio); Exalta Samba; Chimarruts; Formigos (quem?); e todas as outras breguices presentes. Mas como fazemos questão de estar lá nas duas noites, vamos ter de aguentar, no pacote, a bagaceirada em nome dos bons.

Alguns como NXZero; Pitty, Charlie Brown Jr., Marcelo D2; Detonautas e Reação em Cadeia são aceitáveis e têm algumas músicas boas. Esses dá para assistir sem susto.

As novas apostas, todas são da Lívia: Beeshop (que é um trabalho solo do mesmo vocalista da Fresno); Hevo 84; Agnela (Banda só de meninas, revelada pelo Luciano Huck), Gloria (dessa eu gosto, porque o cara BERRA desesperado, para cantar, acho legal) e Fused.

Vamos ver o que acontece. Depois que terminar o Planeta, sigo fora de circulação. Uma hora dessas eu volto, cheio de filmes. Até já.


Planeta Atlântida RS - PALCO CENTRAL

Neto Fagundes (abertura)
Reação em Cadeia
Armandinho
Fresno
Fat Duo
Charlie Brown Jr
Jota Quest
Victor & Léo
Pixote
Sábado - 6 de fevereiro
Mc Jean Paul
Strike
Chimarruts
Skank
NX Zero
Formigos
Exaltasamba
Pitty
Marcelo D2
DJ Eskimo

PALCO VOADOR

Novo Rock - sexta-feira, 5 de fevereiro
Fused
DJ Rafa Santos
Tiago Iorc
Gloria
Agnela
Área Restrita
Hevo84
Cine
Hori
Ideal Stereo
Novo Rock - sábado, 6 de fevereiro
Tópaz
DJ Rafa Santos
doyoulike?
Forfun
Detonautas
Scracho
Beeshop
Esteban
Seu Cuca
Planeta Country Festival - sexta-feira, dia 5 de fevereiro
Cairon e Gustavo
DJ Junyko
Álvaro e Daniel
Zé Henrique e Gabriel
Marco e Mário
Henrique e Diego
Pagoderia - sábado, 6 de fevereiro
Show de Bola
Fat Duo
Pura Cadência
Turma do Pagode
Rodriguinho
Zueira

E-PLANET
Overcast e friends - sexta-feira, dia 5 de fevereiro
Felipe Benvegnu x Pimpo Gama
Double S x Mause
Mik Silva x Adri M.a.r.x
Overcast DJ Set
Danni Martin x Jeff Oliver
JZK x Marcelo Nunes
Neologic (Rodrigo e Duda)
Overcast e friends - sábado, dia 6 de fevereiro
Juninho Sbardelotto x Juliano Millidiu
Fabiano Veppo x Mozart Riggi
DJ Dico x Zeca Fernandez
Life is a Loop
Overcast Live x Live Delu
Everson K x André Sarate
Edinho Magalhães x Rapha Costa

ÁREA VIP
Festa do Zé - sexta-feira, dia 5 de fevereiro
Zé Starosta
Beto Lewin
Balonê - sábado, dia 6 de fevereiro
Beto Lewin
Roger Lerina
Gretchen
Tais Scherer & Adriana Banana
Dance Floor - sexta-feira, dia 5 de fevereiro
Flavinha Mello
Bibba Pacheco
Crossover (Julio Torres & Amon Lima)
Pic Schmitz
Dance Floor - sábado, dia 6 de fevereiro
Paulinho Pedroso
Diego Caleffi
Mario Fischetti (3plus)
Maurício Falke
DJ Oliver








FAZER O QUE? COMENTAR MAIS TRÊS FILMES DE UMA ÚNICA VEZ.

Mais três filmes comentados em bloco. E também não são ruins. O primeiro é meio esquisito para uma comédia e o segundo, dentro do seu gênero "ação-me-engana-que-eu-gosto", agrada. O terceiro também era pra ser uma comédia levinha, mas vira uma "discussão da relação"(mãe-filho-marido) que enche o saco até dos mais pacientes, o que não é o meu caso.

Estarei afastado daqui por alguns dias, mas ainda tenho a bagatela de SETE outros filmes, todos inéditos, para assistir e depois vir aqui dividi-los com os meus escassos (porém fiéis) leitores. Como preciso me alimentar, dormir, me divertir e, se sobrar algum tempo, ainda trabalhar, as coisas estão ficando bem difíceis para conseguir comentar os filmes um por um.

Vamos nessa.

1 - VIGARISTAS - É taxado de comédia, mas você passa boa parte do filme sem entender EXATAMENTE o que está acontecendo. O nome original do filme é The Brothers Bloom, ou "os irmãos Bloom". É certo que os irmãos Bloom (Adrien Brody e Mark Ruffalo) são picaretas e vivem de golpes, isso fica claro. Porém, como nos filmes indie (o termo virou moda para significar "alternativo"), o enredo é cheio de entrelinhas; frases de efeito e filosofias de vida. O chato, nisso, é que fica meio incompreensível, em alguns momentos. Um dos irmãos está cansado da vida de picaretagens e resolve largar tudo. Mas o outro não deixa.

O Adrien Brody, para quem não lembra, é o protagonista do filme O Pianista, sobre nazismo e judeus. Já o Mark Ruffalo atuou em Ensaio Sobre a Cegueira, filme do nosso Fernando Meirelles. Não gosto, particularmente, do Mark Ruffalo. Ele passa a idéia de ser, na vida real, um sujeito falso. Bom para os personagens dele, mas nem sempre ele faz o papel de falso, o que acaba estragando os personagens "bonzinhos" que faz. Neste filme, pelo menos, ele é nitidamente falso e pilantra. Menos mal.

No enredo, eles decidiram dar um último golpe, usando uma bela e excêntrica herdeira e elaborar um esquema para levá-la em uma viagem ao redor do mundo. A moça (feita pela Rachel Weisz) é maluquinha e por isso acaba gostando do esquema de picaretagens dos dois. Um deles acaba se apaixonando por ela.

O filme já passou em cinema e deve estar chegando em DVD, ou talvez já esteja nas locadoras. Ele é interessante por algumas pequenas sofisticações, mas não chega a agradar. É meio como se fosse caviar. Sofisticado em alguns momentos e merece atenção, mas ainda tem cheiro de ovos de peixe. Beba umas duas latas de cerveja e talvez você goste dele. Assisti sem beber uma gota de alcool...

2 - ARMORED - Esse tem data de estréia prevista para depois do dia 20 de fevereiro, no Brasil, e irá se chamar Assalto ao Carro Blindado por aqui. O bom dele é uma parte do elenco, que conta com o Matt Dillon, o Laurence Fishburne, o Jean Reno e o Fred Ward, entre outros menos conhecidos. Conta a história do novo guarda de uma empresa de carros forte, jovem e órfão (que ainda está endividado e cuida do irmão mais novo e delinquente), que afinal é pelos seus colegas a roubar um caminhão da própria empresa onde trabalham, contendo nada menos do que US$ 42 milhões. Como dizem os coleguinhas "não haverá bandidos, apenas nós", já que simularão um assalto do qual teriam sido as vítimas. Como a gente está calvo de saber, em filmes assim o caldo sempre entorna inesperadamente e nem tudo sai como o previsto. É um filme legal, por causa da ação. Mas é filme "pra homem", já que as mulheres odeiam um filme onde não haja nem um beijinho de namorados. Nesse não há. Mande ela calar a boca ou assistir aquela bosta-brega do BBB10 e veja o filme sozinho.

3 - UMA MÃE EM APUROS - O nome e essa capa "engraçadinha" do filme servem para enganar a nós, os trouxas. Fiz uma propaganda danada do filme para a minha filha adolescente e ela se aborreceu com ele, achou chato. E é mesmo chato. Não é o tradicional filme das pestinhas infernizando o adulto que, às vezes, dá até para nos fazer rir. Na verdade o filme se chama originalmente de Motherhood ("maternidade") e discute aquele negócio das mães terem de conciliar frustrações profissionais; tarefas domésticas; filhos e marido. Além, é claro, da famosa depressão das mulheres que chegam aos quarenta (no filme é a Uma Thurman) e que passam a sentir-se menos desejadas, inseguras da sua atratividade ou beleza. O filme é quase um drama. E não é, definitivamente, uma comédia. Parece ter sido feito sob encomenda para a sua atriz principal que, pelo que eu saiba, tem filhos pequenos na vida real. Se você for esperando para assistir a uma comédia gargalhante, vai se frustrar. Se, no entanto, for preparado para um drama moderado, pode até gostar. Esse é o filme "de mulher", de preferência para assistir enquanto o parceiro está, sozinho, divertindo-se com o Assalto ao Carro Forte. Não tem homem que resista a um tiroteio e sangue.

COMÉDIA INCRIVEL (E REMOTAMENTE BASEADA EM FATOS REAIS: THE MEN WHO STARE AT GOATS ("OS HOMENS QUE ENCARAM CABRAS"), UMA EXPERIÊNCIA EXTRASENSORIAL (OU TRAPALHADA) DO EXÉRCITO NORTE-AMERICANO (filme fora de circuito)

Posso GARANTIR que há uma safra de bons filmes chegando por aí (cinemas, DVD). Eles sempre chegam ANTES aqui no BUNDA NA POLTRONA. E este aqui é um deles.

Quando se trata de GEORGE CLOONEY, nunca se sabe exatamente no que ele está metido.

Especialmente porque ele é conhecido, entre os seus amigos mais próximos e figurões de cinema(que são, basicamente, todo o elenco de Doze Homens e um Segredo: Matt Damon; Brad Pitt; Andy Garcia, etc...), como um cara que adora passar trotes nos amigos. Contam que uma vez ele colou um adesivo de uma entidade gay no vidro do carro de Brad Pitt, que não notou e rodou semanas fazendo - sem querer - campanha pelas diferenças de opção sexual...

Nesse filme, THE MEN WHO STARE AT GOATS, ele é o ator principal, como um dos "homens que encaram cabras" (tradução aproximada do título). O filme foi apresentado no Festival de Veneza, em setembro de 2009, e em breve está chegando por aqui.

O filme é uma comédia que fala sobre uma divisão secreta do Exército dos EUA, especializada em formar soldados com poderes paranormais. Clooney é o sargento Lyn Cassady ("Skipy"), um agente dessa unidade, treinado para matar cabras com um olhar, ler mentes e atravessar paredes. Como não queriam treinar em seres humanos, usavam inocentes CABRAS para testar os seus poderes mediúnicos.

O filme tem uma idéia tão besta que, em Veneza, Clooney - crítico declarado da política norte-americana, especialmente de Reagan e dos Bush, pai e filho, declarou: "As coisas mais idiotas do filme são as que aconteceram". E, de fato, muitas delas teriam acontecido na vida real.

Acredite, o filme adverte no inicio que há coisas nele que são difíceis de acreditar porque realmente aconteceram. Os "médiuns" recrutados pelo Exército, todos meio doidões ou canastrões, com "poderes" pra lá de fajutos, acreditavam-se membros da filosofia dos jedi (pronuncia-se "jedái"), justamente aquela do mestre Yoda, da série "Guerra nas Estrelas" !!!!

Quem vai atrás dessa história e a descobre por acaso é um jornalista que acabou de ser traído (e abandonado) pela mulher, Bob Wilton (Ewan McGregor, do filme Incendiário, que comentei aqui noutro dia). O jornalista, ao entrevistar um médium madurão e completamente pirado que mora com a mãe velhinha, acaba recebendo a sugestão do nome do sargento Lyn, feito por Clooney.

Já nessa entrevista inicial com o médium, começam as risadas. O sujeito demonstra ao jornalista como, depois de três horas olhando fixamente para o bichinho, matou o seu próprio hamster apenas com o olhar.

Aliás, esse negócio de "poderes paranormais" (mediúnicos, espíritas, mágicos e assemelhados), com esse filme, confirma uma teoria que eu sempre tive e que é minha mesmo, sem qualquer embasamento científico ou psicológico: o sujeito (ou "sujeita"), quando não é bom em nada, ou tem uma personalidade fraca, inventa para si mesmo poderes que estão "acima da compreensão dos demais", porque assim se torna forte aos olhos dos outros. Daí porque CUSTO A ACREDITAR em qualquer coisa desse tipo...

Esse médium inicial, como toda a sucessão que vem em seguida no filme, é uma tribo de sujeitos desequilibrados ou fracassados. Mas muito divertidos. E os poderes deles são altamente discutíveis.

Quer um exemplo? Há uma espécie de "toque da morte" que os tais soldados jedi dão, em último caso, na testa dos seus desafetos. Não é um golpe, nem uma agressão. É um simples toque dos dedos na testa do adversário. Eles são "proibidos" de aplicá-los em seres humanos.

Então Lyn, o personagem de Clooney, conta ao jornalista que um determinado lutador chinês o recebeu, durante uma luta, e caiu instantaneamente ao solo. Depois morreu. O jornalista, espantado, pergunta "ele morreu durante a luta? ficou no tatame?". Ao que Lyn, muito sério, responde: "não, morreu dezoito anos depois. Nunca se sabe quando vai acontecer, é muito perigoso, valoriza o elemento-surpresa." Ou seja, provavelmente o tal lutador morreu DEZOITO ANOS DEPOIS daquele "toque da morte", provavelmente de causas naturais. Mas eles seguiram atribuindo aquele "poder" ao tal toque.

O filme tem sequências engraçadíssimas, especialmente a do jovem sargento Lyn se "libertando do passado" enquanto dança, por ordem do seu comandante. Também a outra, dos médiuns dirigindo a caminhonete do Exército de olhos vendados, confiando apenas nos seus "poderes", para desespero geral. Ou na cena em que um oficial tenta "atravessar a parede".O mais engraçado é que tudo é muito sério, eles realmente ACREDITAM naquilo que dizem e nos próprios e supostos "poderes".

O elenco é fantástico. Além de Clooney e Ewan McGregor (de quem, aliás, eu nunca gostei mas que agora tem feito filmes bons), há também os excelentes Jeff Bridges e o incrível Kevin Spacey, todos completamente pirados.

Quando passar por aqui, THE MEN WHO STARE AT GOATS vale até uma ida ao cinema, caso não chegue direto em DVD. É hilariante.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010




QUATRO FILMINHOS QUE, SOMADOS, TALVEZ DÊEM EM APENAS UM.

Quem assiste a muitos filmes, como eu, erra e bastante. Além daqueles que eu usualmente comento aqui, há vários outros que jamais comentei porque não valem a pena. Esses quatro não chegam a ser TÃO RUINS que não valham um comentário. Alguns deles são até bons. Mas não tanto que valham um comentário individual. É o caso desses, abaixo. Vamos a eles:

1. GRETA - Filme com a atriz que é ídolo entre os adolescentes, Hilary Duff. Supreendentemente, o filme não é tão babaca. Lembrou um pouco a atuação do cantor Justin Timberlake, como ator, que também foi boa em outro filme já comentado aqui (Off Road). Greta é uma garota de 17 anos de idade, com idéias obcecadas sobre suicídio. Ela anota numa agenda as melhores formas de se matar. Meio deixada de lado pela mãe que arranjou um namorado novo, vai para a casa dos avós. Lá se apaixona por um jovem negro que é cozinheiro num restaurante. Tem uma carga dramática média. Eu nem conhecia direito a Hilary Duff, assisti por causa da minha filha. Sabe que o filme é bem bonzinho?

2. MALUCA PAIXÃO - Sandra Bullock tem a minha idade, 45 anos, na vida real. Mas quase sempre faz o papel de uma imatura (ou meio maluca) fora de contexto na sua idade. Nesse filme ela é a responsável, num jornal de segunda categoria, por elaborar as palavras cruzadas. Um dia se convence que um cinegrafista de TV (que sequer gosta dela) é o homem da sua vida e resolve segui-lo, pelo país afora. Filme bobinho, com piadas fáceis. Dá para rir um pouquinho. Mas não dá pra acreditar na Sandra Bullock como uma retardada. Ou até dá, mas já encheu o saco.

3. TUDO AZUL - Filme esquisitão, tendendo para o depressivo. Comédia com toques de drama. Leslie é a mãe de dois guris e cria eles sozinha, enquanto o marido é um soldado da Guarda Nacional Americana servindo no Iraque. Na real, ela não está tão sozinha, porque anda pondo um reluzente par de chifres no soldado, enquanto ele não volta. Sem ter com quem deixar os filhos, ela resolve pedir a ajuda do cunhado, irmão do marido, um malucão chamado Salman, que faz tudo errado na vida. Ele não é do tipo "pastelão", mas daqueles fracassados, inertes. Leslie arranja um emprego de "boneco" para o cunhado; uma daquelas fantasias de boneco que é o símbolo da empresa, para ficar entregando panfletos, numa estrada abandonada. Essa situação patética do cara ficar, em pleno calor, entregando panfletos numa estrada vazia, vestido de "bonecão azul" garante algumas risadas. Mas é pouco. Depois tudo fica meio melodramático.

4. PLANETA 51 - Dos quatro filme aqui comentados, este é o melhor. Filme de animação, no caso. Um astronauta americano típico (com bandeirinha e discurso) acredita que é o primeiro homem a descobrir o Planeta 51. E é mesmo. Só que o Planeta está povoado pelos seus habitantes verdes que vivem uma espécie de rotina parecida com a da Terra nos Anos 50; incluindo roupas e hábitos. Ah, um detalhe: morrem de medo de alienígenas. Claro, o alienígena nesse caso é o astronauta humano que acabou de chegar. É um ET invertido, pois lá os humanos são os ET. As piadas são muito boas e todas em torno daquilo que nós, da Terra, pensamos sobre os extraterrestres. Há um museu de alienígenas e é justamente lá que querem botar, provavelmente empalhado, o astronauta americano. A piada mais engraçada é a crença que os verdinhos têm de que os alienígenas (nós, no caso), roubamos a mente deles através de uma sonda introduzida no corpo dos habitantes do Planeta 51. Sabe ONDE eles pensam que nós INTRODUZIMOS a tal sonda, no corpo deles? Pois é, lá mesmo, no fiofó. Por conta disso, eles têm rolhas para impedir a introdução da sonda. Muito engraçado.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010


UM TRIÂNGULO AMOROSO MADURO, NUMA COMÉDIA LEVE E SEM COMPROMISSO: IT´S COMPLICATED ("Simplesmente Complicado", no Brasil), COM MERYL STREEP, ALEC BALDWIN E STEVE MARTIN (fora de circuito, em breve nos cinemas).

Véspera de feriado de Navegantes em Porto Alegre; ou pleno "feriadão" para outros, o fato é que com esse calor insuportável (e pegajoso) desta Cidade, trabalhei feito gente grande, como sempre. Passar a tarde entre o Fórum e as ruas do Centro, num calor desses, é a típica coisa de advogado pobre. O Centro tem coisas legais, quanto mais não seja, o próprio povo que anda por lá, diferente de todos os outros. Por conta do trabalho, tenho ido por lá seguidamente, nos últimos tempos. Dia desses comemos uma salada de frutas com sorvete na lendária Banca 40 do Mercado Público. A Banca tem mais de 80 anos.

Era dia de Fórum Social Mundial e a Banca 40 estava cheia de participantes do Fórum. A maioria com aquelas sacolinhas de pano ecologica e politicamente corretas, atravessadas a tiracolo. Aquele pessoal que tem boas soluções para este mundo, no futuro, mas enquanto ele não chega, ficam sem fazer porra alguma e discutindo o assunto. Uma beleza. De preferência fumando um baseado. Nada contra mesmo, cada um na sua. Mas são bem típicos. Se repetem há anos.

Estava precisando de (mais) calções para as minhas atividades esportivas e resolvi fazer algo que fazia quando era pequeno: ir na Ughini, comprar. A Ughini não é mais a mesma. Eu comprava lá os meus uniformes para o colégio, tênis...Acabei comprando na Paquetá, ao lado. Pelo menos comprei de uma cliente. Trabalhei para eles no ano passado. A Promoção com o ator (da Globo e de Caminho das Índias) Rodrigo Lombardi, no Natal, teve o seu regulamento elaborado por mim.

Peguei chuva, no Centro. Almoçamos no Clube do Comércio, que a nossa filha não conhecia. Contei a ela que, no meu segundo emprego, com 17 anos, eu e o meu pai (o avô que ela mal conheceu) trabalhávamos na mesma Rua dos Andradas. Ele na frente da Praça da Alfândega; eu no edifício do Cinema Cacique, que hoje é um estacionamento. Almoçávamos juntos, eu e o meu pai, às vezes. Meu pai trabalhou a vida inteira ali. O Centro é o meu pai. É um pedaço de mim.

Uma noite agradável, pelo menos. Ensaia uma chuva que cai aos poucos e venta um pouco. Muitos filmes inéditos por assistir; pelo menos cinco para comentar. Devo me ausentar por alguns dias deste blog. Vou comentar todos os filmes que puder, antes de sair.

Tem previsão de estréia para o final de fevereiro, nos cinemas do Brasil, o filme IT´S COMPLICATED. Na verdade tudo indica que ele irá se chamar, por aqui, de Simplesmente Complicado. Como eu não tenho qualquer certeza disso, continuarei me referindo a ele como IT´S COMPLICATED, o título original.

É uma comédia romântica. O que a valoriza, na verdade, é apenas o elenco. Se fosse filmada com outros atores, provavelmente seria insossa. Mas as atuações dos seus atores são boas, embora isso não seja uma constante durante o filme.

Depois de Julia & Julie, é a segunda vez que a MERYL STREEP está metida com a cozinha. Em IT´S COMPLICATED ela é Jane, mãe de três filhos adultos (uma delas é casada), que é dona de um restaurante.

O pai dos seus filhos é Jake, um advogado bem sucedido que a trocou por uma mulher uns vinte anos mais nova. Essa mulher de Jake tem um filho pequeno de outro casamento e o guri é um pé-no-saco, vive enchendo a paciência de Jake. A velha história do pai (ou padrasto) velho, que não tem mais paciência com crianças.

Jake é feito pelo ator ALEC BALDWIN que declarou, recentemente, nos meios de comunicação, que se sentia frustrado por nunca ter conseguido uma consagração como galã. E que, agora, meio passado da idade, também não tinha mais condições de se redimir disso buscando um papel dramático que lhe desse a realização. Criticou, duramente, a indústria do cinema, nessa matéria que li.

Jane e Jake estão separados há dez anos e estão naquela fase em que a separação é apenas uma remota implicância. Tenho, para mim, que as partes - seja homem, seja mulher - só param de encher o saco do ex quando, finalmente, arranjam outra pessoa. Ou seja, todas as brigas partem da velha história de que "você já tem outro(a) e eu ainda não tenho ninguém, por isso vou te infernizar a paciência". Não é o caso de Jane. Ela não arranjou outro cara, mas convive harmonicamente com o ex-marido, passada a fase crítica.

O problema começa quando, de forma inesperada e durante a formatura do filho de ambos, Jake, digamos, se re-apaixona por Jane e eles começam a se encontrar escondido. Ou seja, Jake trai a atual esposa, jovem, com a "velha". Essa piada, aliás, ocorre no filme, quando Jake diz algo parecido. Na verdade ele não quer chamá-la de "velha" em idade, mas de "antiga esposa", ou a ex. Jane que foi traída, agora dá o troco e é a amante do ex-marido.

Entre eles acaba surgindo a outra ponta do triângulo: Adam, arquiteto madurão (e um tanto sofrido, ex-divorciado) que está reformando a casa de Jane.

Esse arquiteto é o STEVE MARTIN. O Steve Martin, para mim, é um capítulo à parte, como comediante ou ator. Gosto dele. Há quem diga que ele é, na vida real, tão solitário (e amargo e rico) quanto alguns dos seus personagens. Há quem o compare, nessa mesma vida real, com o papel que fez no filme A Garota da Vitrine. Já vi e comentei esse filme, há alguns anos atrás. Uma hora dessas vou assisti-lo novamente, bebendo um bom vinho. É um filme para ser degustado.

Acho que Steve Martin é o tipo do comediante divertido mas que também, nos papéis "dramáticos" que faz, arrebenta. E arrebenta justamente por ser o tipo alegre-triste, o cara engraçado que é melancólico. Em IT´S COMPLICATED ele é exatamente isso. Em alguns momentos até faz aquelas caras e bocas dos seus filmes humorísticos, especialmente no momento impagável em que ele - com Jane - fuma maconha no banheiro. Mas, no fundo e no filme, Steve Martin parece ser um triste, um solitário. Também é um homem maduro charmoso. As mulheres deveriam prestar atenção a ele, como prestam ao Richard Gere, por exemplo.
Detalhe interessante, desse triângulo: embora todos pareçam ter a mesma idade, na vida real Steve Martin tem 64 anos (quase 65); Meryl Streep tem 61 anos e Alec Baldwin tem modestos 51 anos!!!

O filme parte do improvável. Talvez ele seja uma espécie de "vingança" das mulheres maduras que são substituídas por outras com a metade da sua idade. Não faz mal. Se você assistir de coração puro, pode até gostar do filme.

sábado, 30 de janeiro de 2010


A PARTE MEIO ESQUECIDA DE NOVA IORK E ESCOLHIDA PELOS MAFIOSOS, EM STATEN ISLAND (filme fora de circuito).

Acabei de fumar um Fonseca e beber sozinho uma garrafa inteira de Colheita Tardia. Queria ter mais um charuto em casa, mas era o último. Quando postei o comentário anterior, disse que aquele era o último charuto da caixa. Não era. O último foi-se embora há pouco. Que pena. Fiquei nostálgico, queria ter outro. Não. Outro, não. Queria um que durasse mais tempo. Há charutos que duram quase duas horas. Nunca fumei um desses.

Uma vez, há vários anos atrás, na casa de um cliente rico (muito rico), tivemos uma pequena vitória jurídica e bebíamos uísque escocês. Ele já estava bêbado; eu começava a ficar etéreo. O uísque dá essa sensação, a de sair do próprio corpo.

Meu pai, quando ainda não era o aposentado que foi quando morreu, todos os dias chegava em casa e bebia uma dose "bem servida" de uísque (vagabundo, Drury´s), com algumas pedras de gêlo, sentado na área lá de casa, numa vila pobre daqui de Porto Alegre.

A vida se repete incrivelmente. Meu pai não era, como eu não sou, alguém rico. Mas tinha bom gosto. Viajou para alguns Estados do Brasil, frequentou gente rica e pobre. E gostava de coisas boas. Um fodido feito eu, que na infância e juventude chegou a ser lavrador nas fazendas dos ricos e também tropeiro transportando gado a cavalo; empregado dos poderosos. Mas na juventude e maturidade aprendeu, observou as coisas do mundo e aprendeu a ter bom gosto. Foi ao Rio de Janeiro, ficou bom tempo por lá. Por pouco não moramos na Cidade Maravilhosa, nos Anos 70. Eu seria outro cara, se tivesse vivido lá.

Mas nesse dia, lá no meu cliente, bebemos uísque. A esposa dele andava em volta com as crianças e não se envolvia na conversa. Era como se ela não estivesse ali. Não se metia em "assunto de homem"; era assunto de empresário com o seu advogado besta (eu, no caso). Não sou exatamente um advogado subserviente; esse cliente já mandei tomar no cu, inclusive. E ele gosta de mim por isso, acho.

Quando cheguei, ele estava tenso, alterado. Tanto pelo uísque, quanto pela preocupação. Os tombos dos ricos costumam ser grandes. Quando essa preocupação aliviou, de repente, ele pediu à esposa uma caixa de charutos. Ela trouxe. Havia vários e de diversas procedências. Intocados, virgens. "Escolha um", ele me disse. Escolhi um, cubano. que dava para ser fumado em uma hora. Ele não fumou nada.

Ontem, esse cliente me ligou, tendo regressado de Miami com a família. Fui ao Aeroporto tarde da noite, resolver um assunto para ele, na Policia Federal: arrombaram a sua mala e roubaram várias coisas, entre elas um relógio que custou R$ 10 mil. Viagens aos Estados Unidos nem sempre são carregadas de glamour.

Nova Iork tem várias regiões. Uma delas é a ilha de STATEN ISLAND, região que é meio ofuscada pela (outra) ilha de Manhatan. Quando o filme inicia, aliás, eles explicam que a primeira é, constantemente, ESQUECIDA pelos americanos, que somente se lembram da segunda. STATEN ISLAND, segundo conta o filme, foi o reduto escolhido pela Máfia para se desenvolver lá em Nova Iork.

STATEN ISLAND não é um filme comum. E isso causou certo enjôo num amigo meu, a quem emprestei o filme. Ele começa como um filme "de mafiosos", o que empolga os adoradores do gênero O Poderoso Chefão. Alguns minutos depois, vira uma comédia. Pior, vira uma comédia alternativa, meio pirada e não do tipo "pastelão", o que tira a paciência de quem esperava um filme "de mafiosos".

No final, volta a ser um filme "de mafiosos", com requintes de crueldade excelentes, para quem gosta desse gênero.

Ele conta a história de Parmie Tarzo, um chefão da Máfia de STATEN ISLAND, que é feito pelo (muito bom) ator Vicent D´Onofrio. D´Onofrio é confundido, seguidamente, com o ator Vince Vaughan, que já foi o namorado de Jennifer Aniston quando ela recém separou-se do Brad Pitt. Os dois são gordinhos, grandões e têm os nomes parecidos (Vincent-Vince), tendo até feito um filme juntos, nos quais fazem o papel de IRMÃOS, para debochar dessa confusão que fazem em torno deles.

Além de D´Onofrio há, no filme, um dos meus ídolos, o ator Ethan Hawke, que faz o papel de um limpador de fossas cuja esposa faz tratamento para engravidar. Ele não quer que o filho deles seja, como ele, um fracassado. E trata de, mexendo justamente com a Máfia, arranjar dinheiro para esse tratamento.

E mais ainda. Além do mafioso e do limpador de fossas, há um dono de mercearia, Jasper (o ator Seymour Cassel, excelente), que é surdo-mudo, já velhinho, e que trabalha para a Máfia, embora meio contra a sua vontade. Um surdo-mudo, trabalhando para a Máfia, é o ideal de discrição, pois não ouviu e não fala nada do que acontece.

Um dia Parmie, o mafioso, resolve que vai dominar STATEN ISLAND inteira. Não está feliz com o que já tem. E isso acaba envolvendo - por razões diferentes - os dois outros personagens, o dono de mercearia e o limpador de fossas.

Eu diria que esse é um filme incomum. É como beber um licor, depois de um bom almoço. Não se trata de um filme "de mafiosos" e nem é uma comédia. Mas prende a atenção (exceto na "despirocada" que o mafioso Parmie dá e sobe numa árvore, em protesto, para salvá-la do tombamento...) pelo componente de AFETO que há, principalmente entre o limpador de fossas e o surdo-mudo.

Isso o torna DIFERENTE e com força suficiente a nos fazer prestar atenção ao filme.

Não chegou, ainda, ao Brasil. Quando chegar, vale a pena conferir.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010


AGORA SIM, O FILME QUE EU IA COMENTAR ANTES DE FICAR FALANDO EM CHARUTOS: INCENDIÁRIO - AMOR E CULPA NO CORAÇÃO DE UMA MULHER (filme fora de circuito ou chegando em DVD).

Ando mal acostumado (alcoólatra?) com o tal vinho Colheita Tardia, já citado algumas vezes aqui. E, pior, acho que eu "inflacionei" o preço dele. Antes se comprava no supermercado por uns R$ 13,00 a garrafa. Já está quase 17,00. Sempre lembrando que se trata de uma garrafa MENOR do que as habituais, de 750 ml. Ela tem apenas 500 ml.

Noite passada fomos ao descolado Boteco Imperial, novo e concorrido bar na esquina da Santana com Jerônimo de Ornellas. Lá foi só chope, nada de vinho. Bom lugar.E absolutamente cheio, sem lugar para sentar. Tinha, ali, antes, uma boate decadente (não posso afirmar com certeza, mas acho que daquelas com as moças dançando meio peladas...). Os caras fizeram um espaço legal.

Falando em lugar cheio, a Internet é um "lugar" estranho. Há dois dias atrás, presumo, algum órgão de imprensa influente deve ter perguntado "qual o reinado mais longo na Inglaterra?", porque as pessoas caíram no Google - no Brasil inteiro - fazendo essa pergunta. E a resposta estava aqui no BUNDA NA POLTRONA. Acontece que comentei, no ano passado, o filme sobre a jovem Rainha Victória (The Young Victória), que reinou por longos 64 anos naquele País. Então quem fazia a pergunta no Google, acabava caindo aqui. Em uma única hora, este blog teve 140 acessos, todos fazendo a mesma pergunta, vinda dos mais diversos pontos do Brasil. O que me faz presumir, repito, que algum programa de TV, ou de rádio, tenha feito essa pergunta naquela hora.

Comentei aqui, em outubro do ano passado, sobre o filme ANTICRISTO (http://bundanapoltrona.blogspot.com/2009/10/prepare-o-espirito-ou-nao-assista-ao.html) que, apesar de ter esse nome de filme de horror barato, na verdade trata-se de um dos melhores e mais "fortes" filmes sobre a condição psicológica humana a que eu assisti nos últimos anos. Naquele filme, todo o drama do casal (únicos personagens em cena), feito pelos excelentes Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg (sou fã dela), começa quando, ao fazerem amor, o filho único dos dois sobe numa janela; escorrega, e cai vários andares abaixo, morrendo. A culpa acompanha o filme inteiro, a partir desse ato de amor.

O filme INCENDIÁRIO tem um contexto parecido, embora por razões diferentes.

No filme a jovem mãe de um filho único é casada com um policial que trabalha no esquadrão anti-bombas de Londres. Embora se fale em "policial" e em "esquadrão anti-bombas", não é um filme de ação, mas um DRAMA. O tal policial trabalha em horários alternados e, geralmente à noite, não está em casa. O que faz com que a esposa - ainda jovem, como eu disse - se aborreça pela solidão. Numa dessas noites solitárias, ela resolve deixar o filho com uma vizinha e vai a um bar sozinha, enquanto o marido trabalha.

Lá, ela conhece um jornalista jovem (o Ewan McGregor, ator do qual eu não gosto, mas que está bem nesse filme) e acaba aceitando o assédio dele. Ele é vizinho dela, porém mora na parte nobre do bairro. É bem sucedido e tem um carrão. Numa noite daquelas, ela vai ao apartamento dele e, inevitavelmente, transam. Numa segunda noite, enquanto marido e filho vão a um jogo de futebol, o jornalista vai ao apartamento dela (marido/filho podendo chegar a qualquer momento...), e transam de novo.

O problema é justamente essa noite no apartamento dela. Enquanto estão entregues ao antigo e inevitável ato entre homem e mulher - numa cena fotograficamente bonita aliás - a TV está ligada no jogo de futebol. Nessa hora, e justamente nessa hora, a TV mostra uma explosão no tal estádio. Um atentado terrorista que mata, entre outras pessoas, claro, o marido dela e o filho de quatro anos.

A partir daí, a vida da moça muda completamente. Não bastando estar jogada à solidão decorrente da aniquilação da sua família, é consumida pela CULPA de estar, justamente na hora da morte do marido e do filho, transando com outro homem; na sua própria casa e ainda assistindo, durante o ato, à explosão que matou ambos.

Aqui a identificação com ANTICRISTO, que citei antes. Nos dois casos, os atos trágicos(e envolvendo filhos pequenos), aconteceram enquanto as pessoas faziam amor. O que fez com que o ato, em si, que é sublime (o amor é sublime), se tornasse um fardo difícil de suportar. O amor gerando culpa.

O filme mostra vários desdobramentos. O jornalista que estava com ela durante o ato, claro, apaixona-se e resolve "cuidar" dela, mesmo à distância. Ela obviamente e nessas circunstâncias, o repele. Não quer nenhuma ligação com o homem que, naquela hora cruel, estava com ela e a ajudou no "pecado". Mas ele insiste e a segue de longe.

Um terceiro aparece na história. Ele é Terrence, colega de trabalho do marido morto. Apesar de ser policial, e lidar com situações de risco, é um sujeito calmo, aparentemente sensível. E que, claro, também está a fim da moça.

Isso gera um triângulo amoroso. Pelo menos na cabeça dos homens da história. Ela não parece em condições de pensar em qualquer relacionamento afetivo, está anestesiada pela dor e ainda pela culpa.

O que o filme tem de bom, ou de bem filmado e intenso, é o desespero da mulher, sobretudo em relação às saudades que tem do filho.

A interpretação da atriz Michelle Williams, essa lourinha americana (embora o filme seja inglês) de quase 30 anos, é muito boa. Michelle trabalhou no polêmico filme de viés gay chamado O Segredo de Brokeback Mountain e por ele recebeu uma indicação ao Oscar naquela época (2006), além de várias outras indicações em prêmios. Ela, aliás, foi noiva justamente do ator Heath Ledger, que era um dos caubói gay no mesmo filme e com ele teve uma filha. O ator morreu em 2008 de overdose, tendo antes feito aquele papel incrível de Coringa, no filme Batman.

O que centra toda a carga dramática do filme é ela, a mulher. Os homens apenas giram em torno dela, apaixonados feito satélites, mas ela não parece muito interessada, porque tudo dói muito. Para quem tem filhos, e não gosta de imaginar - nem de brincadeira - uma dor do tamanho daquela de vir a perder esses filhos, o filme é convincente, bem feito. Emociona e entristece.

O amor dela como mulher - seja o que ela sentia ou aquele que ela sente, hoje, meio fragmentado - é apenas um mero acessório da sua vida. Fica relegado a um segundo plano, como se fosse um "luxo" ao qual ela não tem acesso. O que importa, ainda, é o seu amor de mãe. E esse, inclusive, ela vai buscá-lo até no filho do terrorista que possivelmente explodiu a bomba, aproximando-se do menino.

INCENDIÁRIO, pois, é o amor. Ou a falta dele. Ou o excesso dele e a falta do ser amado.

A tendência do cinema comercial é sempre a de amenizar as coisas e botar lá, dependurado, um final feliz como se fosse uma máscara sorridente. Nos filmes independentes, ou não realizados pelos grandes estúdios, os diretores deixam o final o mais próximo possível da realidade. Porque na realidade nem sempre tudo acaba bem e feliz.

Nesse caso de INCENDIÁRIO, renderam-se ao tal "final feliz" e deram uma amenizada - absolutamente improvável - no sofrimento da jovem mãe e viúva culpada. A Diretora, aliás, é a mesma de O Diário de Bridget Jones. O "final feliz " (ou meio feliz) não chegou a estragar o filme.

Não deve chegar em cinema, pelo que eu entendi ele vem direto em DVD. Há sites dizendo que "já está nas locadoras". Não tenho certeza. Mas se você encontrar por aí, assista.