Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme KILL SHOT.

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).

Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme ANTICRISTO.

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).

Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme TWO LOVERS (no Brasil, AMANTES).

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).

Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme SHAME.

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).

Meus FILMES FAVORITOS: esta cena é do filme AMOR À FLOR DA PELE.

(As cenas ou posters dos filmes mudarão dentro de alguns dias).

filme THE WOMAN IN THE FIFTH ("A mulher do 5º andar").



(filme FORA DE CIRCUITO - Ambiente: CD Maré, de Adriana Calcanhotto. Chuva e/ou frio, na noite de sábado).

THE WOMAN IN THE FIFTH  é uma boa opção para se inaugurar, aqui, o mês de JUNHO. O filme não é exatamente uma história leve, feliz ou fácil de se compreender mas, afinal, alguém no mundo reúne todas essas condições? Filmes são os frutos da alma de alguém. Almas inquietas produzem obras inquietas.

O filme é uma co-produção entre a França e a Polônia. E mesmo com o ator americano ETHAN HAWKE (que, aliás, não é um mau ator) sendo o protagonista, é indiscutível o "toque" europeu que há no filme. Junto com Hawke estão a conhecida inglesa (que vive na França)  KRISTIN SCOTT-THOMAS; tantas vezes comentada aqui, e também a jovem atriz polonesa Joanna Kulig, loirinha desconhecida para nós mas que faz uma participação legal no filme.

O filme é pleno de mistérios e é um drama, não um thriller (filme de mistério). E o drama dos desesperançados. Dos melancólicos. Dos escritores fodidos. Dos perturbados. E tudo isso, principalmente na pessoa do personagem de Hawke, chamado Tom Ricks. Não apenas na pessoa dele, mas principalmente na pessoa dele.

Ele é um escritor americano divorciado que vai a Paris para rever a filha que tem com uma professora francesa, mais jovem do que ele. Aqui já começa o primeiro mistério do filme, dentre tantos. A mulher obteve uma medida restritiva de direitos contra o escritor, que o impede de aproximar-se da própria filha.  Não se sabe o que ele fez que a levou a isso. Mas ele demonstra (com grande habilidade interpretativa do ator), uma profunda dor por esse afastamento. Vê a menina somente através das grades da escola infantil ou de longe, num parque. Assim como a mulher deixa claro que houve alguma espécie de violência.

O escritor Ricks é um poço de águas profundas e turvas. Alguém que não parece ter consciência da própria conduta. Triste e solitário, a ponto inclusive  de chorar, emocionado, por qualquer motivo. Em algumas vezes ele parece uma vítima; em outras parece um monstro se contendo para não explodir e cometer alguma espécie de tragédia. E essa dúvida sobre a pessoa do escritor será uma constante até o final.

Na chegada (ou retorno) dele a Paris, a ex-mulher chama a policia, pois não deseja que Ricks se aproxime da filha. Ele foge correndo (com mala e tudo) e entra num ônibus. Dorme no ônibus. Ao acordar, roubaram-lhe as malas. Por conta disso, vai parar num hotel de quinta categoria e, claro, não tem dinheiro. O proprietário, um árabe com ares de imigrante mafioso, lhe oferece pouso e um emprego de caráter duvidoso em outro lugar que não o hotel. Ricks aceita o emprego, que não sabemos do que se trata. Ele fica sentado num lugar; sozinho e chaveado por horas, controlando uma câmera de segurança. Nem o escritor e nem nós sabemos o que fazem naquele lugar. Mas boa coisa não é.

Voltando ao hotel, nele trabalha a esposa do árabe; a jovem polonesa que falei no inicio. E que, claro, se encanta pelos pendores literários de Ricks, já que o marido é um bruto. Esse "encantamento" será, depois, mais motivos de problemas.

Um dia Ricks vai a uma livraria para conferir se o seu único romance ainda é vendido. O proprietário da livraria o reconhece e convida para um sarau literário. Nesse sarau, conhece a viúva húngara, outro mistério inquietante do filme (o filme é cheio de mistérios rigorosamente até o seu final). A viúva mora sozinha; é bonita e madura, e tudo o que quer é esperar por Ricks na sua cama ou na sua banheira, preparando-lhe momentos de prazer a dois.

O enredo é feito muito mais de interpretações (sobretudo de Ethan Hawke e de Kristin Scott-Thomas) e de incógnitas, do que de esclarecimentos. O filme vai terminar e você não saberá exatamente o que se passa em algumas situações; cabendo a você decidir o que ACHA que aconteceu. Além das interpretações e das incógnitas, THE WOMAN IN THE FIFTH  também tem belíssima e bem colocada fotografia. Um filme com texturas, desde a primeira cena (um canto de parede; a casca de uma árvore), o que é apreciável para quem gosta de arte e de estética.

E com uma boa música. Definitivamente um filme cult.

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filme 12 HORAS (GONE).





(filme em DVD).

É um filme absolutamente comum, e dentro de tudo (de ruim) que se espera de um filme americano. Por que comento ele, então? Porque é o primeiro filme americano do Diretor brasileiro HEITOR DHALIA que já andou incursionando antes em filmes brasileiros com atores estrangeiros e pela primeira vez vai a Hollywood.

Pelo jeito (e isso acontece muito por lá, sabe-se) o Heitor teve de ceder às pressões dos produtores (leia-se: QUEM BANCA o filme) e acabou fazendo um filme absolutamente picolé-de-chuchu, sem gosto de nada. Ou, com boa vontade, completamente comercial e igual a inúmeros outros que a gente já viu. Tudo para agradar ao "publicozinho" americano, o que os produtores devem ter exigido.

Que eu saiba, não tinha nenhum ator brasileiro. Pelo menos não conhecido.

A jovem Jill Parrish (a zoiúda alemoazinha AMANDA SEYFRIED) volta para casa depois de ter trabalhado até mais tarde e encontra a cama de sua irmã vazia. Ela acredita que o mesmo serial killer que a raptou dois anos antes, voltou para concluir o serviço. Como a polícia não compra a versão de Jill (que já esteve internada numa clínica), ela parte sozinha para encontrar a irmã e para "resgatar a sua credibilidade".

Não precisa ver. Deixa assim.

filme A VINGANÇA DE WYATT EARP.



(filme FORA DE CIRCUITO).

Um faroeste, como desde a adolescência eu não via. O último de que me lembro foi há uns 15 anos atrás, com o Clint Eastwood já velhão e tentando "ressuscitar o gênero". Acho que se chamava  Os Imperdoáveis (título brasileiro).

Não sei se vou ver outro, a menos que o elenco justifique. Aqui, não justificou. Apenas quebrou o galho, como se fosse  um macaco obeso.

Neste, o lendário xerife Wyatt Earp é feito por um VAL KILMER envelhecido. A gente nunca perdoa a velhice dos outros. E com a cara irritantemente bolachuda, parecendo o "Fofão" do Balão Mágico; por que não faz um regime, né?Veja a foto dele acima.

Pois o Wyatt na versão velho está num hotel em 1910, com um jornalista, relembrando fatos do seu passado. Todo guri que via filmes com os personagens (reais) Buffalo Bill, Bat Masterson e outros, lembra da menção nos filmes ao nome do delegado Wyatt Earp.

Pois ele conta ao tal jornalista episódios ocorridos trinta anos antes, quando - se rebelando contra a lei e a ordem, abandonando o seu distintivo - ele reuniu uma legião de alguns dos maiores pistoleiros da fronteira, incluindo Doc Holliday e Bat Masterson, para rastrear os irmãos foragidos responsáveis pela morte da mulher que amava (uma inusitada atriz de teatro da época) e a quem jamais esqueceu. Até derrama uma lágrima por ela. Uma só. Mas é preciso levar em conta que o homem era um bruto.

O ÚNICO conhecido no elenco é o Val Kilmer. Sei lá, entende?


filme POULET AUX PRUNES.



(filme FORA DE CIRCUITO).

Filme  ao estilo "fábula para adultos" (como Amelie Poulain, por exemplo) POULET AUX PRUNES ("Frango com Ameixas") mal justifica esse nome, pois esse prato ("frango com ameixas") é mencionado uma única vez durante o filme e não tem a relevância que eu pensei que fosse ter no enredo.

Na verdade; e quando eu assisti nem sabia disso, trata-se de uma adaptação  para o cinema dos quadrinhos desenhados pela iraniana Marjane Satrapi  que, além de dirigir este filme, também dirigiu a animação Persépolis, igualmente baseada num livro dela. Ou seja, a moça escreve e depois transforma tudo em filme, que é o sonho de quem gosta de cinema e já escreveu ou escreve: fazer seus próprios filmes. Detalhe: ao melhor estilo "escritoras gaúchas" (não vou citar nomes...) é tudo AUTOBIOGRÁFICO. Ficção, nenhuma; criatividade zero. Sempre digo que aqui no Sul, no dia em que morrer a família inteira algumas escritoras param de escrever por falta de assunto.

No caso de POULET AUX PRUNES, é contada a história do violinista Nasser Ali Khan (o francês MATHIEU AMALRIC, que fez o papel de Serge Gainsbourg no filme biográfico, aqui no inusitado papel de um iraniano).  Embora todas as resenhas na Internet digam que ele é exímio em tocar o tar; instrumento de cordas típico do Irã, no filme o que vi foi ele tocando o tempo todo  um VIOLINO. Mas Nasser decide deitar-se na cama e esperar pela Morte, após a sua esposa (a quem não ama, feita pela portuguesa MARIA DE MEDEIROS, que já trabalhou em filmes brasileiros) quebrar o seu instrumento durante uma briga.

Nasser na verdade é, enquanto solteiro,  apaixonado por Irane, a filha de um relojoeiro. O relojoeiro é contra o namoro, pelo fato de Khan ser músico. Então o mestre que o ensina a tocar violino diz que ele deve colocar "o sopro do amor que sente por Irane, no seu instrumento". Desfeito o romance com choro e todo aquele estardalhaço das fábulas românticas, Nasser Ali Khan sai pelo mundo tocando magníficamente o seu instrumento e encantando a todos. Mas, como acontece com todo artista, a alegria que as pessoas sentem ao tomar  contato e admirar a beleza da sua arte faz passar desapercebido o fato de que  essa beleza quase sempre é o reflexo direto da desilusão ou da melancolia de quem a produz.

Na volta, casa-se com uma professora de matemática (a Maria de Medeiros) por pressão da mãe dele. Tem com ela dois filhos, mas vive infeliz.

Como bem disse a minha inteligente filha -  modéstia à parte: http://umpardepupufas.wordpress.com/2012/05/31/preciso-expressar-o-tamanho-da-minha-indignacao-com-uma-cena-que-vi-hoje-ao-chegar-em-casa/)  - ao ver o filme, trata-se de uma metáfora e essa metáfora (agora digo eu) é sobre o amor desiludido como mola que move a arte e, por consequência, o próprio ser humano que vive na eterna expectativa da sua realização, que nem sempre chega.

Um filme que mistura cinema e locações externas com cenários de estúdio, aquarelas, efeitos especiais e animação no sistema live-action. E que de quebra traz um elenco legal, com a Chiara Mastroiani e a Isabela Rosselini.

Divertido e bonitinho (embora dramático demais, em alguns momentos), pra se ver num sábado à tarde.


filme TURN ME ON, DAMMIT !



(filme FORA DE CIRCUITO)

Meio sem eira e nem beira, e recomendado expressamente para maiores de 18 anos, TURN ME ON DAMMIT (que é traduzido na Internet como "me excita, porra!") entrega menos do que promete.

A proibição para menores vai por conta de algumas cenas de masturbação feminina; descrições de ato sexual (a personagem falando num telesexo) e um inusitado pênis (de verdade, óbvio) que é mostrado encostando na perna da mesma personagem principal, que está vestida.

O filme conta a história de Alma, 15 anos, uma adolescente norueguesa que vive numa cidadezinha chata no norte da Noruega, sem nada pra fazer, junto com as amigas, especialmente com a amiga Saralou. O nome da cidadezinha é Skoddeheimen e a cada vez que o ônibus escolar passa pela placa com o nome da cidade elas mostram o dedo médio, num sinal de revolta. É quase um ritual (veja o trailer abaixo, e você entenderá).

Alma vive solitária e com os hormônios à flor da pele, sexualmente excitadíssima, e sonha acordada (masturbando-se o tempo todo!) pensando no seu colega, Artur, que não se mexe e nem toma qualquer iniciativa. A bem da verdade ela também tem fantasias sexuais com outros caras, inclusive mais velhos.

Nada de especial, o filme, afora alguns momentos engraçadinhos. Um pretexto para mostrar a pasmaceira de uma cidade do interior e a mudança de idade  e as implicações sexuais disso na vida de uma adolescente.

Quebra o galho.




filme PLANO DE FUGA (GET THE GRINGO).


(filme DE CINEMA).

Na sexta passada fui a uma festa num condomínio grã-fino aqui em Porto Alegre, na casa de um cliente antigo e eventual, que eu nunca havia visitado. Quero dizer que eu não conhecia a casa dele. Comemoravam a conquista de um contrato e, sem falsa modéstia, quando ele ganhou o tal contrato neste ano, foi com a minha inegável ajuda jurídica. Não fui eu quem disse, foi a autoridade que julgou o trabalho que fiz e que pôs isso no papel, nas suas razões de decidir. Portanto, uma opinião isenta.

Por conta desse reconhecimento, ele me convidou, junto com toda a sua equipe de funcionários.

Chegando lá, foi com surpresa que eu descobri que a ampla residência era toda decorada com CAÇA. O sujeito é um caçador inveterado, na Namíbia (África) e na África do Sul. Sem entrar no mérito da decoração, deve ser assustador ir ao banheiro de noite e dar de cara  com aqueles bichos de olhar vidrado olhando pra gente. Eu não disse isso mas um sujeito, que estava mais bêbado do que eu, completou o que eu havia pensado e verbalizou.

Tinha lá, dos mais conhecidos, um puma; um antílope e uma zebra. Além deles, outra infinidade de bichos que eu não conheço pelo nome (fotografei dois, quando fui ao banheiro); um deles, segundo o caçador, que quando estava vivo pesava mais de 900 quilos. Estava lá na parede, literalmente pela metade, paradão, o coitado.

Ou seja, um sujeito que VIVE as aventuras que a gente vê em filmes ou em livros.

Eu, tendo saído dali com um considerável teor alcoólico e sozinho na madrugada, me resignei à "aventura" de tentar; fazendo uma volta maior, escapar da blitz montada para pegar, justamente, os motoristas que estivessem alcoolizados e que, eu sabia, estava nas imediações. Não que eu estivesse alcoolizado e se beber, não dirija. Mas como eu não queria arranjar problemas, minha "aventura" foi aumentar alguns quilômetros pela Vila Nova, Tristeza e adjacências para não ser apanhado. Ou seja, eu era a CAÇA. Como tenho o condenável hábito de falar sozinho enquanto dirijo (sozinho, obviamente), foi com tristeza que eu lembrei-me dos meus companheiros antílopes ou assemelhados  e suas metades de corpos empalhadas na parede, de olhos vidrados.

Pois em termos de AVENTURA, esse PLANO DE FUGA é muito bom e para isso foi concebido. Originalmente chamado de Get The Gringo ("pegue o Gringo"), tem vários componentes para ser uma "comédia engraçadinha", sendo desmentido apenas pela maneira a la Quentin Tarantino com que foi filmado (excelentes fotografia, tratamento de imagens e de cor), o que o torna em alguns momentos meio cult e em outros inegavelmente violento.

MEL GIBSON está "mais pra lá do que pra cá" e já não consegue fazer o papel do fortão e do galã, mas ainda quebra o galho como o "veterano desequilibrado". Em nome disso, faz caras e bocas; tiques nervosos e ainda garante momentos de ação e, claro, de bom humor. Também o anti-herói, apanhando um pouco. Se atrapalha apenas quando banca o apaixonado pela "mocinha" que, em PLANO DE FUGA, também já não é tão mocinha assim, é mexicana (ou latina) e meio gordinha e quarentona. Mas tem seu sex appeal.

O filme é relativamente comum, na trama. O diferente é o local onde foi filmado: no México. Afora Gibson e um outro ator, todos os demais são mexicanos ou descendentes de mexicanos.

Ele é um assaltante de bancos que está em fuga pela Fronteira do México com os Estados Unidos e, nessa fuga, se dá mal e acaba caindo "para o lado de lá" e é preso pela Polícia Mexicana. Ia ser preso pelos seus compatriotas, mas quando os mexicanos viram O DINHEIRO dentro do carro, resolveram prender o americano no México, onde ele havia caído.

O prisioneiro vai parar numa prisão mexicana que é uma espécie de "vila": com regras próprias, onde a bandidagem usa drogas e bebe livremente, leva mulheres e manda e desmanda. Uma versão piorada do nosso Presídio Central de Porto Alegre (a pior cadeia do País, segundo a Imprensa do Brasil), já que nessa versão mexicana de prisão do filme chamada de El Pueblito ("o povinho") é como se fosse uma vila cercada por muros (com guardas; armas e cercas elétricas) e não apenas celas em blocos.

Para quem gosta de filme policial e de tomadas de cena desse tipo, a sequência do tiroteio dentro de El Pueblito é de bater palmas. Um bom filme, com um pouco de tudo.


filme LOVE.



(filme FORA DE CIRCUITO).

Esse é um daqueles filmes que, se passasse no cinema (e duvido que passe), levaria LEGIÕES de trouxas apaixonados para assisti-lo, simplesmente pelo seu título LOVE, aparentemente romântico.

Não se iluda, no Mês dos Namorados (que entra em breve). O título é enganador.

O filme é mais FORA DE CIRCUITO impossível. Autoral ao extremo, é um daqueles trabalhos em que o Diretor quer deixar a sua marca na história dos filmes cult mais vistos pela Humanidade. A prova disso é que foi visto em nada menos do que DOZE Festivais, ou seja, o Diretor o inscreveu aonde conseguiu.

A história vai na linha de filmes que já comentei aqui em ocasiões anteriores: um homem preso numa caixa ou em algum lugar claustrofóbico desse tipo. Esse é o filme inteiro assim. No caso de LOVE, a "caixa" é uma estação espacial que está vagando pela órbita da Terra.

Depois de perder contato com a Terra (provavelmente a NASA, nos Estados Unidos), o astronauta Lee Miller fica "preso em órbita", sozinho a bordo da Estação Espacial Internacional. Comida e água vão diminuindo, e o astronauta numa luta inglória (e o espectador, mais ainda) começa a tentar manter a mente funcionando e também o corpo.

As resenhas do filme na Internet dizem que o astronauta é um sujeito solitário "até encontrar um objeto estranho, na nave". Como ninguém aí vai querer ver o filme mesmo, já adianto que esse objeto estranho é o diário, manuscrito, de um soldado da Guerra da Secessão americana, que ocorreu por volta do ano de 1.800 e poucos (o filme se passa em 2039). No diário, o soldado anota suas observações sobre a batalha, na qual pressente que vai morrer, pois recebeu uma missão suicida. E parece estar tão solitário quanto o astronauta. Eles meio que "trocam experiências" através do tempo.

De onde, o LOVE do título? De dois presumíveis lugares.

Primeiro do  mesmo título do CD da banda que faz a trilha do filme. Parece que o nosso Diretor-cabeça resolveu homenagear a sua banda preferida e a trilha sonora foi criada pelo Angels And Airwaves, a outra banda de Tom DeLonge, da Banda Blink-182.  Aliás, na Internet isso é tão arraigado que as menções que fazem ao filme são estranhamente ao "filme do Angels And Airwaves" como se ele fosse DA BANDA e não DO DIRETOR.

Perdoando pelo trocadilho infame, quanto mais "DeLonge"  estiver de mim o Tom e as suas duas bandas, melhor. Nem a música é boa. É boa, mas se você está contemplativo ou depressivo e pretende cortar os pulsos com uma tampinha de caneta Bic. Eu, que não ando nos meus melhores dias, deixei a tampinha da caneta longe de mim.

Segundo, o LOVE vem de um lugar meio nebuloso e que eu, espectador assumidamente impaciente e/ou burro, não consegui ou não tive paciência para decifrar. Pode ser o amor pela Humanidade e pela vida; pode ser o amor romântico que ele sente por uma FOTOGRAFIA de mulher que encontra na Estação. Provavelmente a foto de uma mulher-astronauta que esteve lá antes dele (ou o marido dela, que esqueceu a foto). Lee começa a conversar com a foto e, mais do que isso, passa a imaginar uma vida ao lado dela, inclusive na praia e num hotel, fazendo amor. São as únicas cenas românticas do filme e que representam, no meu entender, a masturbação (física e mental, embora a física não seja mostrada) do astronauta. Ou seja, a VIDA que há no filme são apenas as LEMBRANÇAS ou os ANSEIOS de Lee. Já que o que ele vai encontrar em breve será a MORTE, tudo indica (mas não mostra).

Além das lembranças, DEPOIMENTOS (como num documentário) de gente comum, que nada tem a ver com o filme, aparentemente. No final continuei achando que eles nada tem, de fato, a ver com o filme.

O filme é como a Literatura (poesia,romance,contos) escrita por gente que já leu de tudo. De Os Lusíadas à Odisséia. De Platão a Machado de Assis. Uma PANELA cheia de "conhecimento adquirido"; mas de humanidade alguma. Muita teoria e nenhuma prática.

O resultado de um "acúmulo de conhecimento" assim é uma obra que tem tudo para ser boa. Só que - que lástima! - não é.